Sim, porque não será extenso; não haverá lugar para vazios.
As palavras aqui ocuparão parte do espaço: algumas gavetas,
geladeira, a cima das mesas, parte do armário do banheiro...
Mas não todo o imóvel.
A outra parte será destinada a quem desejar visitá-lo, tomar
por empréstimo alguns vocábulos moldá-los, ou mesmo senti-los.
Não será necessário bater a porta sempre que se desejar entrar,
se a causa for justa e as palavras respeitadas,os visitantes serão
sempre bem vindos.
Caso deseje deixar de lembrança alguns termos poucos ou muitos
não se preocupe com a disponibilidade de espaço,
o compactoimóvel só estará completo para aquele que não
gostar do aroma da torta de morango no forno, das rosas na
janela ou mesmo para quem se sinta grande demais
a ponto de não caber em seus cômodos.

Todos os demais,
sejam bem vindos.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Sendo prosaica

Como poderia eu não me render a tal pedido, se
Isso que me traz inspiração
Uma palavra, sem verso nem rima
Mais pra um texto feito prosa
E sem sentido definido
Nem mesmo alguma métrica aparece
Tanto que só me resta falar:
Até mais... hoje não sei escrever

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Sobre resgate


Se um dia a palavra te faltar,
o medo invadir, alguém te calar...
Se o dia sucumbir à baixo dos teus olhos,
bem em baixo do teu nariz:
Não os culpe, não se culpe,
não faça escultura da culpa.
Não se entregue.
Não entregue as cartas,
os reis, rainhas e valetes ainda irão te servir.
05/03/015

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Não te vá, não me deixa ir, de ti.

Como te colocar em fadado transporte
sem sorte esse, pra nunca mais te ter de volta?
Sem nunca mais te acessar, em memória?
"De volta", como (?) sei, se nunca te tive "de vir"...
Mas te tirar da mente e expulsar toda inspiração que me traz não parece o certo a fazer.
Esquecer é fora de questão.
De quisito.
Não cogitado.
Deixar pra trás,  pra aliviar espaço, pra quem (?) vier, mas...
Se pra trás chover? E em tempestade desafortunada assim tu te afogar? E sofrer? E morrer de mim, em tu, assim que aos poucos morreres em mim, tu...
Só de pensar não durmo.
Só de pensar não sonho.
Só de pens...
Desisto de pensar.
Desisto de te deixar partir.
Seja de barco,
navio
ou canoa.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Sobre foco e ponteiros quebrados

Quantas horas cabem no teu olhar
quando meus olhos encontram os teus?
Os ponteiros feito amnesia esquecem de andar.
O tempo congelado já não passa.
Tudo a nossa volta para.
Feito tela de galeria.
Feito tinta e papel.
Feito fotografia
tirada em momento exato:
Quando meus olhos brincando de espelho
decidem se libertar do trabalho de todo dia
e não querendo fazer mais nada, apenas
refletem os teus.
Por horas...
a fio.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Fazendo de refrão, prosa

"Adeus querida
Que Deus te guarde
Da maldade do mundo, das lágrimas de sal
Adeus meu bem, meu mundo é melhor
Mesmo com a dor de um triste final"
(...)

Versos antigos se reiventam e tomam sentidos diversos pra diversos corações além...

... do mais às vezes escrever pro outro é mais fácil do que afundar na própria bagunça interior.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Intermitente estado

Vestida de moral em conflito,
despida de certeza e solidão,
vejo a vida feito prosa
e a verdade feito lampejo
daquele que acaba antes do último suspiro,
como a estrada que muda à cada curva,
como o espelho que reflete diferente imagem
quando nele distinta feição
encara seu (fadado)
destino.

domingo, 18 de junho de 2017

Sobre ser o teu amanhã perfeito, hoje.

Não te afliges, pequena menina
De tão poucos anos e tanto aperto no peito
Não te culpas por sentir demais
Se é o coração feito pra dar vida a tua alma.

Sorri, grande mulher
E vê em espelho teu o reflexo de quem queres ser amanhã
Seja hoje o teu amanhã perfeito
Seja feito prosa, poema ou canção
Quem sabe, ainda, um soneto
Pra quando a vida metrificar
Que ainda assim seja possível
Expressar todo teu amor (guardado)

Por um alguém ou vários
Seja amigo ou amante
De uma noite ou alguns anos
Porque o tempo, menina, já é relativo
E só depende dos olhos teus
A maneira que (a vida) tu desejas
Enxergar.

18/06

Memórias feito prosa

De tantos em tantos tempos de constante transição;
entre cachos feitos e cortados,  desfeitos à mão.
Seria essa vida então construída (de)
lamparinas, varandas e ampulhetas,
sono, socorro e entrelinhas,
de um alguns versos ainda não escritos
[Por sorte (e)
por espera do tempo que ainda vem]
de folhas ainda em branco
esperando da areia que estar por cair
lembranças ainda mais intensas
daquelas que na memória
fazem morada.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Louco

Adj. m. Aquele que vive como se não houvesse amanhã, aceitando o risco de haver.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Mais um ano de presente

Feita de água do mar beijada pelo Sol, ela encanta do mais distraído ao mais preparado dos marinheiros que por descuido encontre seus olhos, que por audácia ache que é imune a seu canto,  por inexperiência de não conhecê-la.
Menina moleca de batom vermelho. Amiga pras horas, minutos e tortas de chocolate, coxinhas e sequilhos.
Pra quando amargam os ponteiros, abrem-se as comportas de choro, desespera-se a alma, ela traz colo, sossego e sinceridade.
Traz potes de tempero e mel, guardados na gaveta até hoje.
Traz dias de moradia, de adoção, de lápis de cor.
Leva um pedaço quando vai, pra gente ir visitar.
Traz Deus no coração, a alma enfeitada e os olhos grandes e negros.
Traz mais um ano de vida, de presente pra gente.
Que sejam muitos outros mais pra que quando a saudade vier visitar, a gente possa ir lá buscar o pedacinho que ela levou.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Tão sutil quanto um coice de mula

Em momento algum desejei tua dor, teu pranto, tuas lágrimas. Em momento algum quis de ti capacho ou contato, porque não há outro que tu sejas pra mim senão quem mais me ama naquela cidade, da fronteira pra lá. Da faculdade à orla, de todos os bares e calçamentos,  de todas as dores e sofrimentos, em memória não há aquele que mais fez por mim, do que tu.
Mas se me perco entre os meus, se redesenho e me ditorço, se minha imagem aos teus olhos muda por segundo é porque sou assim, bagunça e exagero, certeza e aflição. Um tanto de álcool e muito desejo.
Pra ti quero alegria, felicidade, sabedoria, amor.
Mas lembra-te tu és meu irmão e por mais do que obrigação, irei brigar contigo sempre que for, sempre que voltar, porque posso até meu rosto pintar de ser educada, conveniente, para os outros, porém tu sempre terás minha maior sinceridade mesmo que essa venha em outro tom, em outras palavras não tão polidas, mas recobertas de toda verdade.
Eu te amo, porque primeiro tu me amaste. Não porque quis, até porque a primeira vista o que teve foi desdém,  confesso, mas porque tu me conquistaste e de mim, fez tua irmã.
Sou péssima em declarações e falo melhor do outro do que de mim, e se fosse te compor um poema, um verso sincero, seria mais ou menos assim:

Rosas são vermelhas
Violetas são azuis
O meu amor por ti é maior
Do que por um prato de cuscuz

terça-feira, 29 de novembro de 2016

E daqui a dez anos?

O incerto me cativa, me seduz, me conquista, mas nem sempre até ele eu vou. O desejo sem ação fica guardado, cresce ou vira memória e no sótão das ideias ele faz morada, rangendo o piso de madeira, tocando a janela de vidro como galho desritimado, o vento que entra pela fresta da janela, a torneira que começa a pingar de madrugada... me lembrando toda noite de sono que dele nunca esquecerei, que ele não se tornará obsoleto, residente em minha casa sem pedir licença ou permissão.

Como chegar ao norte, mirando o oeste?

De rosa dos ventos quebrada - linhas já traçadas -  de destino demitido e relógio parado, eu cheguei até aqui.

Até aqui, onde?

Até esse texto, até as incertezas, até onde não sei pra onde eu vou mais.

Mas e daqui a dez anos?

...

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Sobre auto liberdade

  Prender-se na própria liberdade é o paradoxo que enfrenta aquele que vomita não precisar de conselhos (e de filtrá-los) por ser sua mente só sua, seu corpo só seu, ignorando a experiência do outro que na tragédia aprendeu o que não fazer.
  Não torna-se livre aquele que ao se ignorar, mendinga, migalha, se submete.

~ CompactoImovel ~