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Mostrando postagens de 2011

Um direito

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Uma pequena caixa (sem laço de fita, nó, ou mesmo embrulho) assim ela se faz. Um pouco distante de meu controle, espontâneo apenas, assim ela se constitui e quando piscares os olhos aqui ela estará, posta em tuas mãos. Assim é possível porque é verdadeira. Assim ela existe porque há motivos e esses trazem as palavras certas (as mais diretas- não – as mais certas). Sem que eu saiba mesmo se conseguirei contê-la em minhas mãos, nem mesmo se será possível materializá-la num encontro pessoal. Um símbolo talvez o fizesse, mas, existiria tanto ali que de certa forma transbordaria daquele objeto e tanto eu quanto tu poderíamos ficar por horas decifrando sua extensão. Mesmo sem forma definida ela- esta que te trago- irá se tornando cada vez mais clara, com o passar do tempo. Mais doce, também. Sim, doce como o aroma dos pães de queijo em fronte a uma delicatessen; como o pleonástico vapor quente de biscoitos recém assados num forno caseiro; o gelo de uma torta de limão; brigadeiros enrolados…

Tempo de sol escaldante com dias curtos e noites longas: Paradoxal e mais feliz

Depois da chuva, depois da névoa, e até mesmo da nevasca, enfim aconteceu. Desejado, demorado, nunca tardio. Ah, sim... Como é doce, todas as possibilidades, sem restrição- quem sabe tenha mas não interessa pensar nelas. Tudo que a tempo não se podia, tudo que há um tempo se reduzia a um futuro distante, uma promessa, uma lembrança do que já se teve e se tornou necessário aguardar. E aguardado foi, como se todas as horas passassem como dias e esses como meses. As noites, porém, passavam como minutos, e às vezes até centésimos deles, como se num piscar de olhos o momento de evasão fosse roubado e de volta à realidade havia muito a se cumprir, de todos os lados a cobrança se fazia, e em todas as direções algo lembrava da dívida não paga, da ponta sem nó, da estação que ainda parecia distante. É difícil dizer se é chegada a estação. O motorista continua, agora sem forçar tanto o motor, como uma motocicleta o faz descendo uma ladeira, como se tudo agora não dependesse mais da vontade de …

Wake up!

Você reclama. Eu reclamo. Porém, mais doce que a realidade não há. Por mais que me perca em devaneios ou tenha passado horas em sonhos, jamais senti (e jamais sentirei) o aroma ou sabor tamanho de um minuto estando acordada (num sonho qualquer). Sim, doce. Sim, bom... Muito bom e jamais algum tipo de sonho será melhor. “Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar” (Shakespeare) Nossos sonhos são traidores e nos fazem perder o tempo que poderíamos viver se não fosse o medo de acordar. - Eu diria. Acordar dói. Dói como a primeira vez que você respira só, quando nasce. Mas é tão necessário e de necessidade transfigura-se em vício. Acordar é como ter amigos: Você pode não julgar necessário ou mesmo duvidar se de fato é possível, mas então quando você se convence, vicia e não quer viver mais de outro jeito.  De pé.
Obrigada por me fazer levantar!

O pincel está respingado de tinta, mais uma vez.

Se eu te contar com todas as palavras aquilo que aqui digo, talvez tu não te contentes tanto, não disponibilize tempo para ouvir o que tentarei balbuciar aos pés de teu ouvido. Mas então, tu me perguntas: “E como mais tu dizes se não com todas as palavras?”. Com imagens. Quantas cenas já passaram em tua mente desde que passou por esses pequenos cômodos? Quantos sabores tu empregaste para torta tão esperada no forno ou as rosas nunca murchas postas ao lado do parapeito? Pois te digo como quem sabe por onde andas: Se todas as palavras fossem ditas e não te restasse a dúvida, teu interesse não seria o mesmo. Desejas uma ilustração?  Quem tem um sol amarelo num desenho, tem um sol amarelo num desenho e nada mais que seja intrigante. Quem tem um sol num desenho, tem um sol amarelo, laranja, vermelho... Ou mesmo sem brilho, para os dias nublados. Tu moldas aquilo que digo pois, tua sensação, teu sentimento convivem com minhas palavras e as fazem mais tuas do que propriamente minhas quando…

Sem nuvens, sem ressaca: Meu Desejo.

Uma nuvem tem aparecido no céu. Posso vê-la pelo reflexo de alguns olhos próximos, olhos que não desejo ver também a chuva refletir, mas esse poder não compete a mim, escorre por entre meus dedos, pois não cabe em minhas mãos. Sim, que seja passageira, que se espalhe e não mais adie o sol que deseja tanto aparecer, que tanto deseja iluminar, que tanto deseja refletir nesses mesmos olhos, seus raios. Que eu possa ver, também, brotar um sorriso, aquele escondido da sombra e de toda lágrima triste que pudesse acompanha-lo. Desejo tanto vê-lo. Não. Desejo vê-los, pois não apenas uma boca merece-o. Conheço lábios que o projetariam com tamanha beleza que seria um ultraje adiá-lo. Conheço olhos que refletiriam tão bem a luz que, seriam capazes de iluminar toda uma estação guiando aqueles que ainda possuem nuvens sobre si como que fossem capazes, não de extingui-las, mas fazerem delas menos acinzentadas. Gosto tanto desses olhos e como olham para mim que dói a lembrança de um futuro sem tai…

Deseja uma rosa? Ofereço também um livro para que, depois de murcha, lá permaneça em segredo.

Um caminho com balaços e muito algodão doce. Ah como quero balanços... Para olhar lá de cima até onde cheguei; para que lá de cima possa tocar nuvens e trazê-las como uma chuva doce (como um sorvete que derrete pelas mãos quando você não consegue contê-lo na casquinha restando apenas mãos e lábios de um colorido mágico que te faz devorar todo aquele sabor como quem não quer perder nem a ultima gota). Ah... A ultima gota, tão disputada mesmo não tão gelada mais. Quero gotas pelo chão. Um caminho para que aquele capaz de sentir o aroma, aquele que também deseje doces nuvens possa me encontrar (mas apenas esses servirão, apenas esses serão capazes de me acompanhar ou mesmo de um dia visitar-me sem fugir). Não desejo os realistas demasiados que riem de meu caminho por considerarem-se maduros demais para ele. O deformam e fazem-me achar mais perdida do que realmente estou (esses entrarão em fuga na primeira oportunidade). Deles estou cheia e prefiro que se mantenham longe de meus jardins …

Num calabouço de olhos abertos. Num cinema de óculos escuros.

A cada dia, mais falta sinto, mas tem dia que nada sinto e tudo parece como antes. Tem dia que volto ao passado, recordo os fatos e preencho-me com uma glória que já se foi. Tem dia que agradeço por não ser mais como antes, por não ter como antes aquele imenso vazio. Já outros, brigo com o presente por não ter o sucesso da falta de necessidade do que hoje conheci. Brigo comigo por ter me permitido e agora saber o que quero e mesmo assim não poder. Não mais é tão fácil, não mais é tão prático dizer não e fechar os olhos para o que se passa em minha frente. Devo renunciar, tenho que me concentrar no que agora interessa, já que agora tenho pressa (essa que antes não havia). Não havia tão intensa; não a via com frequência: Numa semana talvez, mais que de mês em mês. Não desejava rimar pobre ou ricamente, pois é triste o que se sente quando se pensa no que já não se tem. Mas é difícil evitar quando surge a ideia e o medo de perdê-la te faz registrar. Sem melodias ou ritmo vou escrevendo e…

Justifique:

Porque eu olho por meio século para algo novo que faço, que gosto. Porque detém minha atenção até a satisfação total, até a obsolescência total-ou não. Porque tudo que gosto me prende; porque nem tudo que tenho me prende. Porque vivo temendo escolhas e as faço tão inconsciente quanto pulsa meu coração (e isso me conforta numa dimensão tamanha que não sou capaz de determinar). Porque o que eu tinha e não me faz mais falta não era assim tão meu. Porque quem eu tinha e não me faz mais falta não era assim tão meu. Porque não só a memória, mas a vida seleciona para sobreviver-por inteligência. Porque gavetas amarrotadas de papéis amassados são inúteis-pra isso servem os trituradores de papel. Porque ao passo que me desfaço de recordações, factuais ou fantásticas, algo me lembra de que havia uma cópia na escrivaninha ao lado, da qual não me recordava. Porque nem sempre trituro as cópias encontradas depois, nada é por acaso, afinal. Porque em meio ao que me lembra lágrimas, sorrisos aparece…

Quem sabe não estou desenhando...

Desenharia se soubesse fazer mais que cópias, portanto escrevo. Mas, se você considerar que releituras nada mais são do que escrever o mesmo que antes usando palavras que não foram ditas, talvez meus textos também sejam cópias, cópias da minha vida (uma tela inacabada num canto que visito sempre que acordo- ou mesmo antes). Talvez ainda, esteja desenhando de fato, não com traços nem cores, apenas palavras. Mas cá entre nós, escrever é como um desenho infinito: Sua cena sempre será diferente da minha e do outro que lê posteriormente, ou mesmo daquele que leu antes de você (seus morangos não serão tão vermelhos quanto os meus; minha casa não será tão grande quanto a sua). E assim, não só eu estarei desenhando, você também o estará- com os olhos, certamente (o que pode ver agora?). Ainda, não há como copiar um pensamento: Sua cena, só você verá. Será original, portanto, será sua somente. Sua aquarela não possuirá as mesmas cores da minha; sua tela não terá o mesmo tom; seu avental não …

Sua memória não guarda minha feição, mas sim, cá estou.

Há muito vivo num camarote. Há muito tenho usado binóculos para reconhecer pessoas, situações, ver a peça que se passa ou mesmo a orquestra tocando. Muitas já foram as apresentações no palco principal: de Romeu e Julieta ao Menestrel, também de Shakespeare. Meus ouvidos estão atentos a cada ato, porém, nem sempre tem sido possível perceber cada detalhe; tenho uma visão privilegiada daqui de cima, mas tudo tem seu preço: não posso interagir sempre-penso se isso não tem sido minha escolha. Digo vivo, pois não sei ao certo se ainda estou lá, mas não vejo com toda claridade o nascer ou mesmo repousar do sol. Algumas pessoas passam aqui pelo camarote, assistem à peça e se vão. Outras permanecem por mais tempo, admiram a orquestra e assistem a vários atos, emocionam-se, discordam, gostam, não gostam; deixando sempre alguma palavra que irá compor minha permanência aqui. Vejo também aqueles que se sentam lá em baixo. Eles não tendem a prolongar tanto a visita ao teatro. Geralmente aparecem, …

Um novo caminho, não tão esperado assim.

A ideia não terminou e não há como ter fim. Ainda desejo a torta no forno. Só não sei quando poderei chegar, há muito que se fazer no caminho, outros trilhos foram escolhidos e esses eu não conheço, não foram planejados. O cobrador garante-me que chegarei a meu destino, mas não entendo a mudança de planos, ele insiste ser necessário, insiste que será melhor. Pergunto pelos outros passageiros, alguns desceram desde minha chegada ao trem. Pergunto o porquê do caminho deles não ter sido alterado, o cobrador apenas responde: - Não atrele seu destino ao dos outros, você não sabe quando eles entraram no trem. Estou aqui a tempo suficiente para garantir que não há porque tantos temores. Os caminhos nunca são tortos, os túneis sempre tem fim... Teu imóvel estará lá. Minha cabeça pesa com seu discurso, penso como ele sabe do imóvel. Conforto-me com o aroma das rosas na janela. Não sei quanto tempo ainda levará a viagem, talvez não deva olhar tanto para o relógio. Continuo a ter pressa, contud…

Uma casa, um tanto engraçada, com paredes de areia e goteiras no teto.

Eu nunca acreditei realmente que toda aquela areia fosse formar um castelo sólido o bastante para durar até uma próxima geração. Sem desejar que as águas invadissem suas janelas, mas ao mesmo tempo sem acreditar que ele agüentaria uma correnteza mais forte. Eu permaneci nesse castelo frágil querendo viver ali até quando ele conseguisse se manter de pé; alimentando a mais ínfima esperança e aguardando a metamorfose dessa até um inseto verde que entraria em minha casa e traria boa sorte. Como quem quisesse viver aquilo tudo até quando suas pilastras fossem resistentes o suficiente para conter a fúria de um mar que, sabia eu, viria aos poucos trazendo consigo novas águas, novos sais de um outro lugar para que, depois que derrubasse nosso castelo, nos levaria consigo para uma ilha ou continente, talvez onde nossas novas moradas fossem construídas não mais com areia, não mais tão próximo do litoral.  Foram anos de castelo construído, e em todo esse período alguns dos moradores mudaram-se…

Um pouco de algumas poucas palavras.

Azul, rosa, não sei bem... Algo de bom está no ar e meus sonhos talvez estivessem certos por mais que tenham me assustado. É tá ai, tudo certo, afinal, algo de muito bom costuma assustar aqueles desavisados ou desacostumados com o Sol toda manhã. Também não está aqui nenhuma dramática ou mesmo depressiva então mudemos o vocabulário para tal não parecer tal desatino. Se algo me espera, eu espero estar preparada para tanto, e, se por algum motivo meus pressentimentos,sentimentos, terceiro sentido quem sabe, estejam errados que seja o que for, mas que seja bom. Bom, sempre há expectativas e essa sou eu, um defeito, uma característica apenas, um modo de viver, vai saber, entretanto esperar mais tem seu lado bom, afinal, a cobrança faz o aperfeiçoamento e esse leva ao sucesso, que sejamos bem sucedidos então. Sucesso: mais que sorte, mais que lotérica dependente do esforço e da concretização de ideias, atitudes e daquela coragem guardada para o futuro, lá no fundo, protegida de qualquer …

Desejosa sou.

Quero escrever uma poesia metafórica para que o mais simples entenda, e o mais rebuscado fique a mingua.
Quero entender o porquê de meus medos insanos; dúvidas simples e receios duvidosos.
Não quero deixar que a água corra sem poder controlar, mas terei que me conformar com o curso do rio; caso queira alcança-lo deverei correr e lançar-me quando chegar no ponto certo.
Quero saber qual é o ponto certo.
Quero saber a hora, até quando eu poderei decidir, quando já não será obsoleto demais e nada mais adiantará, para que não me afogue em vão ou no caso de uma cascata, consiga encontrar uma margem a tempo.
Caso descubra o ponto certo, poderei mergulhar sem medo de perder a noção do tempo, do espaço e todas as teorias sobre suas dimensões.
Quero esquecer todos os clichês, não os suporto mais, e ver-me caindo neles é no mínimo, decepcionante.
Quero saber me moldar e fazer com que todos os moldes caibam dentro de mim.
Para que não fique lotado, para que eu não tenha crises de identidade, par…

Um doce, muitos sabores.

Infinitas sensações. Sim... Assim ele pode ser descrito.

Das mais efêmeras àquelas que perduram por horas... Infinitos significados, em toda sua extensão. Dos menores aos mais aprimorados; Dos rememoráveis aos amargos; Permitidos ou roubados; Por desejo ou amor (por vontade também, por que não?); Independente da cor da fôrma... Podem ser grandes e sutis; Curtos e intensos; Contidos ou espalhafatosos; E cada um deles trará um sabor. Cada um deles trará um significado, uma lembrança, um momento, uma pessoa. Cada um será único. Sejam poucos, sejam muitos; Sejam presentes ou furtos... Apenas por amnésia serão esquecidos. E talvez, mesmo assim lá no fundo haverá a lembrança adormecida aguardando uma recordação para se sentir novamente, para se desejar novamente. Os mais raros serão mais os procurados (até mesmo por aqueles que dizem desejar aos montes, independente de onde venham). Os ingredientes mudam, e quanto melhores, mais disputados serão. Mais raros serão.
Afinal, como não dizer…

Três Rios.

São três rios: o terceiro provavelmente desague no mar e fuja, o segundo, porém, meu vizinho, está perto demais mas suas águas não se misturam com as do meu; sua margem é outra, mas posso sentir seu cheiro, e ainda avistar as aves que vem tentar a sorte com algum plâncton mal avisado... O terceiro me tenta, chega próximo demais, suas águas são quentes, sua hálito é bom, seu oxigênio me embebeda, seu curso me deseja, ele não diz, mas sei que poderá chegar a hora da inevitável confluência, e não terei mais o que fazer quando suas águas já tomarem posse de meu leito. Enquanto ele me espreita, continuo a sentir o cheiro do meu vizinho, tão perto... Por que não lança suas águas sobre esses pequenos cílios e vem se permitir em meu talvegue? Porém, não desejo que se assuste; não quero que se afaste mais ainda de minhas margens; apenas permita-me continuar a sentir. Não gosto, de fato, das aves que vão até ti. Não gosto delas, não gosto que te espreitem e desejem teus peixes, tua vida, teu a…

CompactoImóvel.

Escape ou tentativa frustrada, não sei bem, talvez apenas a esperança de libertar minhas palavras para que digam o que eu preciso ouvir já que outras bocas não estão me surpreendendo tanto mais ( Na verdade, não sei quando elas realmente me surpreenderam); já perdi a conta de quanto tempo faz que não ouço algo já não havia pensado. Creio que já tenha usado de variadas formas de evasão, mesmo inconscientemente. Creio que deveria apenas exigir daqueles o que eu dou. Creio que deveria mergulhar num vulcão e só depois me preocupar se ele é ou não instinto. Menos satisfações, menos perguntas, menos opiniões... Apenas um ouvido, nem peço dois; Queria ter a sabedoria que me admitem; a inteligência que me designam. Escreverei meu nome em todos os cadernos e papéis que cheguem até mim se assim detiver a atenção de um estranho que o olhe sem querer. Mas depois pensarei e resolverei que isso não bastará, já que não contaria minha vida a um passageiro que talvez só veja novamente numa outra estação, …