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Mostrando postagens de Setembro, 2011

Uma casa, um tanto engraçada, com paredes de areia e goteiras no teto.

Eu nunca acreditei realmente que toda aquela areia fosse formar um castelo sólido o bastante para durar até uma próxima geração. Sem desejar que as águas invadissem suas janelas, mas ao mesmo tempo sem acreditar que ele agüentaria uma correnteza mais forte. Eu permaneci nesse castelo frágil querendo viver ali até quando ele conseguisse se manter de pé; alimentando a mais ínfima esperança e aguardando a metamorfose dessa até um inseto verde que entraria em minha casa e traria boa sorte. Como quem quisesse viver aquilo tudo até quando suas pilastras fossem resistentes o suficiente para conter a fúria de um mar que, sabia eu, viria aos poucos trazendo consigo novas águas, novos sais de um outro lugar para que, depois que derrubasse nosso castelo, nos levaria consigo para uma ilha ou continente, talvez onde nossas novas moradas fossem construídas não mais com areia, não mais tão próximo do litoral.  Foram anos de castelo construído, e em todo esse período alguns dos moradores mudaram-se…

Um pouco de algumas poucas palavras.

Azul, rosa, não sei bem... Algo de bom está no ar e meus sonhos talvez estivessem certos por mais que tenham me assustado. É tá ai, tudo certo, afinal, algo de muito bom costuma assustar aqueles desavisados ou desacostumados com o Sol toda manhã. Também não está aqui nenhuma dramática ou mesmo depressiva então mudemos o vocabulário para tal não parecer tal desatino. Se algo me espera, eu espero estar preparada para tanto, e, se por algum motivo meus pressentimentos,sentimentos, terceiro sentido quem sabe, estejam errados que seja o que for, mas que seja bom. Bom, sempre há expectativas e essa sou eu, um defeito, uma característica apenas, um modo de viver, vai saber, entretanto esperar mais tem seu lado bom, afinal, a cobrança faz o aperfeiçoamento e esse leva ao sucesso, que sejamos bem sucedidos então. Sucesso: mais que sorte, mais que lotérica dependente do esforço e da concretização de ideias, atitudes e daquela coragem guardada para o futuro, lá no fundo, protegida de qualquer …

Desejosa sou.

Quero escrever uma poesia metafórica para que o mais simples entenda, e o mais rebuscado fique a mingua.
Quero entender o porquê de meus medos insanos; dúvidas simples e receios duvidosos.
Não quero deixar que a água corra sem poder controlar, mas terei que me conformar com o curso do rio; caso queira alcança-lo deverei correr e lançar-me quando chegar no ponto certo.
Quero saber qual é o ponto certo.
Quero saber a hora, até quando eu poderei decidir, quando já não será obsoleto demais e nada mais adiantará, para que não me afogue em vão ou no caso de uma cascata, consiga encontrar uma margem a tempo.
Caso descubra o ponto certo, poderei mergulhar sem medo de perder a noção do tempo, do espaço e todas as teorias sobre suas dimensões.
Quero esquecer todos os clichês, não os suporto mais, e ver-me caindo neles é no mínimo, decepcionante.
Quero saber me moldar e fazer com que todos os moldes caibam dentro de mim.
Para que não fique lotado, para que eu não tenha crises de identidade, par…

Um doce, muitos sabores.

Infinitas sensações. Sim... Assim ele pode ser descrito.

Das mais efêmeras àquelas que perduram por horas... Infinitos significados, em toda sua extensão. Dos menores aos mais aprimorados; Dos rememoráveis aos amargos; Permitidos ou roubados; Por desejo ou amor (por vontade também, por que não?); Independente da cor da fôrma... Podem ser grandes e sutis; Curtos e intensos; Contidos ou espalhafatosos; E cada um deles trará um sabor. Cada um deles trará um significado, uma lembrança, um momento, uma pessoa. Cada um será único. Sejam poucos, sejam muitos; Sejam presentes ou furtos... Apenas por amnésia serão esquecidos. E talvez, mesmo assim lá no fundo haverá a lembrança adormecida aguardando uma recordação para se sentir novamente, para se desejar novamente. Os mais raros serão mais os procurados (até mesmo por aqueles que dizem desejar aos montes, independente de onde venham). Os ingredientes mudam, e quanto melhores, mais disputados serão. Mais raros serão.
Afinal, como não dizer…

Três Rios.

São três rios: o terceiro provavelmente desague no mar e fuja, o segundo, porém, meu vizinho, está perto demais mas suas águas não se misturam com as do meu; sua margem é outra, mas posso sentir seu cheiro, e ainda avistar as aves que vem tentar a sorte com algum plâncton mal avisado... O terceiro me tenta, chega próximo demais, suas águas são quentes, sua hálito é bom, seu oxigênio me embebeda, seu curso me deseja, ele não diz, mas sei que poderá chegar a hora da inevitável confluência, e não terei mais o que fazer quando suas águas já tomarem posse de meu leito. Enquanto ele me espreita, continuo a sentir o cheiro do meu vizinho, tão perto... Por que não lança suas águas sobre esses pequenos cílios e vem se permitir em meu talvegue? Porém, não desejo que se assuste; não quero que se afaste mais ainda de minhas margens; apenas permita-me continuar a sentir. Não gosto, de fato, das aves que vão até ti. Não gosto delas, não gosto que te espreitem e desejem teus peixes, tua vida, teu a…

CompactoImóvel.

Escape ou tentativa frustrada, não sei bem, talvez apenas a esperança de libertar minhas palavras para que digam o que eu preciso ouvir já que outras bocas não estão me surpreendendo tanto mais ( Na verdade, não sei quando elas realmente me surpreenderam); já perdi a conta de quanto tempo faz que não ouço algo já não havia pensado. Creio que já tenha usado de variadas formas de evasão, mesmo inconscientemente. Creio que deveria apenas exigir daqueles o que eu dou. Creio que deveria mergulhar num vulcão e só depois me preocupar se ele é ou não instinto. Menos satisfações, menos perguntas, menos opiniões... Apenas um ouvido, nem peço dois; Queria ter a sabedoria que me admitem; a inteligência que me designam. Escreverei meu nome em todos os cadernos e papéis que cheguem até mim se assim detiver a atenção de um estranho que o olhe sem querer. Mas depois pensarei e resolverei que isso não bastará, já que não contaria minha vida a um passageiro que talvez só veja novamente numa outra estação, …