Postagens

Mostrando postagens de Outubro, 2011

Justifique:

Porque eu olho por meio século para algo novo que faço, que gosto. Porque detém minha atenção até a satisfação total, até a obsolescência total-ou não. Porque tudo que gosto me prende; porque nem tudo que tenho me prende. Porque vivo temendo escolhas e as faço tão inconsciente quanto pulsa meu coração (e isso me conforta numa dimensão tamanha que não sou capaz de determinar). Porque o que eu tinha e não me faz mais falta não era assim tão meu. Porque quem eu tinha e não me faz mais falta não era assim tão meu. Porque não só a memória, mas a vida seleciona para sobreviver-por inteligência. Porque gavetas amarrotadas de papéis amassados são inúteis-pra isso servem os trituradores de papel. Porque ao passo que me desfaço de recordações, factuais ou fantásticas, algo me lembra de que havia uma cópia na escrivaninha ao lado, da qual não me recordava. Porque nem sempre trituro as cópias encontradas depois, nada é por acaso, afinal. Porque em meio ao que me lembra lágrimas, sorrisos aparece…

Quem sabe não estou desenhando...

Desenharia se soubesse fazer mais que cópias, portanto escrevo. Mas, se você considerar que releituras nada mais são do que escrever o mesmo que antes usando palavras que não foram ditas, talvez meus textos também sejam cópias, cópias da minha vida (uma tela inacabada num canto que visito sempre que acordo- ou mesmo antes). Talvez ainda, esteja desenhando de fato, não com traços nem cores, apenas palavras. Mas cá entre nós, escrever é como um desenho infinito: Sua cena sempre será diferente da minha e do outro que lê posteriormente, ou mesmo daquele que leu antes de você (seus morangos não serão tão vermelhos quanto os meus; minha casa não será tão grande quanto a sua). E assim, não só eu estarei desenhando, você também o estará- com os olhos, certamente (o que pode ver agora?). Ainda, não há como copiar um pensamento: Sua cena, só você verá. Será original, portanto, será sua somente. Sua aquarela não possuirá as mesmas cores da minha; sua tela não terá o mesmo tom; seu avental não …

Sua memória não guarda minha feição, mas sim, cá estou.

Há muito vivo num camarote. Há muito tenho usado binóculos para reconhecer pessoas, situações, ver a peça que se passa ou mesmo a orquestra tocando. Muitas já foram as apresentações no palco principal: de Romeu e Julieta ao Menestrel, também de Shakespeare. Meus ouvidos estão atentos a cada ato, porém, nem sempre tem sido possível perceber cada detalhe; tenho uma visão privilegiada daqui de cima, mas tudo tem seu preço: não posso interagir sempre-penso se isso não tem sido minha escolha. Digo vivo, pois não sei ao certo se ainda estou lá, mas não vejo com toda claridade o nascer ou mesmo repousar do sol. Algumas pessoas passam aqui pelo camarote, assistem à peça e se vão. Outras permanecem por mais tempo, admiram a orquestra e assistem a vários atos, emocionam-se, discordam, gostam, não gostam; deixando sempre alguma palavra que irá compor minha permanência aqui. Vejo também aqueles que se sentam lá em baixo. Eles não tendem a prolongar tanto a visita ao teatro. Geralmente aparecem, …

Um novo caminho, não tão esperado assim.

A ideia não terminou e não há como ter fim. Ainda desejo a torta no forno. Só não sei quando poderei chegar, há muito que se fazer no caminho, outros trilhos foram escolhidos e esses eu não conheço, não foram planejados. O cobrador garante-me que chegarei a meu destino, mas não entendo a mudança de planos, ele insiste ser necessário, insiste que será melhor. Pergunto pelos outros passageiros, alguns desceram desde minha chegada ao trem. Pergunto o porquê do caminho deles não ter sido alterado, o cobrador apenas responde: - Não atrele seu destino ao dos outros, você não sabe quando eles entraram no trem. Estou aqui a tempo suficiente para garantir que não há porque tantos temores. Os caminhos nunca são tortos, os túneis sempre tem fim... Teu imóvel estará lá. Minha cabeça pesa com seu discurso, penso como ele sabe do imóvel. Conforto-me com o aroma das rosas na janela. Não sei quanto tempo ainda levará a viagem, talvez não deva olhar tanto para o relógio. Continuo a ter pressa, contud…