Sim, porque não será extenso; não haverá lugar para vazios.
As palavras aqui ocuparão parte do espaço: algumas gavetas,
geladeira, a cima das mesas, parte do armário do banheiro...
Mas não todo o imóvel.
A outra parte será destinada a quem desejar visitá-lo, tomar
por empréstimo alguns vocábulos moldá-los, ou mesmo senti-los.
Não será necessário bater a porta sempre que se desejar entrar,
se a causa for justa e as palavras respeitadas,os visitantes serão
sempre bem vindos.
Caso deseje deixar de lembrança alguns termos poucos ou muitos
não se preocupe com a disponibilidade de espaço,
o compactoimóvel só estará completo para aquele que não
gostar do aroma da torta de morango no forno, das rosas na
janela ou mesmo para quem se sinta grande demais
a ponto de não caber em seus cômodos.

Todos os demais,
sejam bem vindos.

sábado, 26 de novembro de 2011

O pincel está respingado de tinta, mais uma vez.


Se eu te contar com todas as palavras aquilo que aqui digo, talvez tu não te contentes tanto, não disponibilize tempo para ouvir o que tentarei balbuciar aos pés de teu ouvido.
Mas então, tu me perguntas: “E como mais tu dizes se não com todas as palavras?”.
Com imagens. Quantas cenas já passaram em tua mente desde que passou por esses pequenos cômodos? Quantos sabores tu empregaste para torta tão esperada no forno ou as rosas nunca murchas postas ao lado do parapeito? Pois te digo como quem sabe por onde andas: Se todas as palavras fossem ditas e não te restasse a dúvida, teu interesse não seria o mesmo.
Desejas uma ilustração?
 Quem tem um sol amarelo num desenho, tem um sol amarelo num desenho e nada mais que seja intrigante.
Quem tem um sol num desenho, tem um sol amarelo, laranja, vermelho... Ou mesmo sem brilho, para os dias nublados.
Tu moldas aquilo que digo pois, tua sensação, teu sentimento convivem com minhas palavras e as fazem mais tuas do que propriamente minhas quando és tu quem ler.
Se, eu te dou um castelo de blocos presos, para sempre um castelo.
Se, eu te dou um castelo de blocos soltos, tu o derrubas e constrói o que te convier, e nem precisa ser uma morada.

Se para ti é teu, internalizarás; se somente meu for, não te tocarás tão pra sempre assim.

                                                                                                                                             20-11-2011//21-11-2011

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Sem nuvens, sem ressaca: Meu Desejo.

Uma nuvem tem aparecido no céu. Posso vê-la pelo reflexo de alguns olhos próximos, olhos que não desejo ver também a chuva refletir, mas esse poder não compete a mim, escorre por entre meus dedos, pois não cabe em minhas mãos.
Sim, que seja passageira, que se espalhe e não mais adie o sol que deseja tanto aparecer, que tanto deseja iluminar, que tanto deseja refletir nesses mesmos olhos, seus raios. Que eu possa ver, também, brotar um sorriso, aquele escondido da sombra e de toda lágrima triste que pudesse acompanha-lo. Desejo tanto vê-lo. Não. Desejo vê-los, pois não apenas uma boca merece-o.
Conheço lábios que o projetariam com tamanha beleza que seria um ultraje adiá-lo. Conheço olhos que refletiriam tão bem a luz que, seriam capazes de iluminar toda uma estação guiando aqueles que ainda possuem nuvens sobre si como que fossem capazes, não de extingui-las, mas fazerem delas menos acinzentadas.
Gosto tanto desses olhos e como olham para mim que dói a lembrança de um futuro sem tais tão diariamente como me deixei viciar. Antes, apenas não conhecia, apenas não sabia da tamanha diferença que me fariam. Hoje, temo por um dia que não os tenha mais, e temo ainda mais por um dia em que não sejam tão viciantes como hoje são.


Desejo permanecer assim: Embriagada, como quem bebe sempre da mesma fonte e prefere morrer de overdose à uma ressaca que limita a memória.


Não deixem de sorrir, seja com os olhos ou lábios: Preciso deles.

domingo, 13 de novembro de 2011

Deseja uma rosa? Ofereço também um livro para que, depois de murcha, lá permaneça em segredo.


Um caminho com balaços e muito algodão doce. Ah como quero balanços... Para olhar lá de cima até onde cheguei; para que lá de cima possa tocar nuvens e trazê-las como uma chuva doce (como um sorvete que derrete pelas mãos quando você não consegue contê-lo na casquinha restando apenas mãos e lábios de um colorido mágico que te faz devorar todo aquele sabor como quem não quer perder nem a ultima gota).
Ah... A ultima gota, tão disputada mesmo não tão gelada mais.
Quero gotas pelo chão. Um caminho para que aquele capaz de sentir o aroma, aquele que também deseje doces nuvens possa me encontrar (mas apenas esses servirão, apenas esses serão capazes de me acompanhar ou mesmo de um dia visitar-me sem fugir).
Não desejo os realistas demasiados que riem de meu caminho por considerarem-se maduros demais para ele. O deformam e fazem-me achar mais perdida do que realmente estou (esses entrarão em fuga na primeira oportunidade). Deles estou cheia e prefiro que se mantenham longe de meus jardins ou mesmo da janela de meu imóvel (acredite, se você fosse como eles não teria chegado até essa altura do caminho, as flores e morangos teriam te incomodado a ponto de ter saído da estrada no primeiro arco-íris).
Vem comigo? Faz-me companhia e avisa-me de um possível curupira antes que ele conclua que somos invasores?
Mas tenho que avisá-lo, não poderá mais desistir. Meu jardim te entorpecerá e caso não esteja certo de tua vontade, depois não poderá contar meus segredos a nenhum outro estranho. Caso tente, em seus sonhos estarei a te perturbar e se arrependerá de tal forma que não saberá como se livrar de tais espinhos, as rosas simplesmente murcharão em tuas mãos e não terá mais nada a fazer, nada poderá conter.
Ei, acalme-se. Isso só acontecerá se você tentar me ferir, trair minha confiança, maltratar qualquer flor de meu jardim.
Mas agora que continuou comigo, tenho que agradecê-lo. Obrigado por aceitar, agora sei que não estarei mais só. Sei que poderei ir a qualquer lugar.
Avista aquela colina ao longe? Aquela por detrás do rio. O que achas de começarmos por lá à procura de um lugar mais alto de onde possamos estar a salvo dos espinhos das roseiras ou mesmo dos ramos daquela abóbora que se espalha pelo chão? Sim, para que não nos arranhemos ou tropecemos e assim possamos continuar caminhando sãos e salvos por todo o bosque, por outros bosques, por até onde desejarmos que esse jardim vá.
Esteja livre para pintar tudo que desejar, como desejar. Cores, texturas ou mesmo os sabores: Faça-os a  teu modo.

Meu jardim agora tornasse também teu.
                                                                                                                                             13.11.11

sábado, 12 de novembro de 2011

Num calabouço de olhos abertos. Num cinema de óculos escuros.



A cada dia, mais falta sinto, mas tem dia que nada sinto e tudo parece como antes.
Tem dia que volto ao passado, recordo os fatos e preencho-me com uma glória que já se foi.
Tem dia que agradeço por não ser mais como antes, por não ter como antes aquele imenso vazio.
Já outros, brigo com o presente por não ter o sucesso da falta de necessidade do que hoje conheci.
Brigo comigo por ter me permitido e agora saber o que quero e mesmo assim não poder.
Não mais é tão fácil, não mais é tão prático dizer não e fechar os olhos para o que se passa em minha frente.
Devo renunciar, tenho que me concentrar no que agora interessa, já que agora tenho pressa (essa que antes não havia).
Não havia tão intensa; não a via com frequência: Numa semana talvez, mais que de mês em mês.
Não desejava rimar pobre ou ricamente, pois é triste o que se sente quando se pensa no que já não se tem.
Mas é difícil evitar quando surge a ideia e o medo de perdê-la te faz registrar.
Sem melodias ou ritmo vou escrevendo e me condenando por não estar estudando nesses minutos subsequentes.
Mas voltarei em pouco tempo para o que nesse momento é importante concretizar:
Uma fase
Um ciclo
Uma prisão

Um vão do qual preciso me libertar.


                     É inútil saber o que passa em sua frente quando não se pode abrir os olhos.

25.10.11