Sim, porque não será extenso; não haverá lugar para vazios.
As palavras aqui ocuparão parte do espaço: algumas gavetas,
geladeira, a cima das mesas, parte do armário do banheiro...
Mas não todo o imóvel.
A outra parte será destinada a quem desejar visitá-lo, tomar
por empréstimo alguns vocábulos moldá-los, ou mesmo senti-los.
Não será necessário bater a porta sempre que se desejar entrar,
se a causa for justa e as palavras respeitadas,os visitantes serão
sempre bem vindos.
Caso deseje deixar de lembrança alguns termos poucos ou muitos
não se preocupe com a disponibilidade de espaço,
o compactoimóvel só estará completo para aquele que não
gostar do aroma da torta de morango no forno, das rosas na
janela ou mesmo para quem se sinta grande demais
a ponto de não caber em seus cômodos.

Todos os demais,
sejam bem vindos.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Um direito

Uma pequena caixa (sem laço de fita, nó, ou mesmo embrulho) assim ela se faz. Um pouco distante de meu controle, espontâneo apenas, assim ela se constitui e quando piscares os olhos aqui ela estará, posta em tuas mãos. Assim é possível porque é verdadeira. Assim ela existe porque há motivos e esses trazem as palavras certas (as mais diretas- não – as mais certas). Sem que eu saiba mesmo se conseguirei contê-la em minhas mãos, nem mesmo se será possível materializá-la num encontro pessoal. Um símbolo talvez o fizesse, mas, existiria tanto ali que de certa forma transbordaria daquele objeto e tanto eu quanto tu poderíamos ficar por horas decifrando sua extensão.
Mesmo sem forma definida ela- esta que te trago- irá se tornando cada vez mais clara, com o passar do tempo. Mais doce, também. Sim, doce como o aroma dos pães de queijo em fronte a uma delicatessen; como o pleonástico vapor quente de biscoitos recém assados num forno caseiro; o gelo de uma torta de limão; brigadeiros enrolados postos à mesa de festa; chamativas barras Toblerone num dia de compras; tortas e tortas de chocolate com calda escorrendo por entre os dedos; biscoitos de morango – jamais tortinhas; sorvetes; Baton; e como faltar: Irresistíveis Gotas de Chocolate com Menta.
E esta será indispensável para que tu acesses o pertence também a ti.
Sopra, sopra um suspiro de alívio por esses dias, mas, seria uma insanidade dizer não houve Sol por todo o ano que passou. Em meio a tanta agonia, sobrevivemos da melhor maneira que se podia – não levando tão a sério o que podia ser ignorado, se dedicando ao máximo ao que não podia ficar pra trás, ao indispensável demos o valor necessário, digno. E, se assim foi, devo não só agradecer pelas lembranças, mas também pelo que virá, afinal, não foram mudanças para um ano que se encerra, mas para uma vida que continua, afinal, já começou e está longe do fim- Amém
Das mais caras compras, até o mais gordo dos dias, todos lacrados e guardados (como aquele livro numa biblioteca de imensas estantes, porém que tu sabes exatamente onde se encontra por conhecer todo o caminho).
Livros numa biblioteca. Todos os aromas em suas páginas, todas as telas, todas histórias – sejam lembranças, sejam contos de fadas – ao alcance dos olhos sempre que se desejar lembrar. Páginas e páginas: Algumas perfeitas, manchadas, outras rasuradas ou mesmo rasgadas – para os dias de menor paciência- nenhuma em branco, porém. Uma biblioteca pronta para comportar quantos livros a mais sejam escritos, sem limites para suas estantes.
Suas paredes, rascunhos das telas, permanecerão manchadas para que nem mesmo os rabiscos tortos sejam esquecidos, para que nem mesmo as palavras menos doces sejam apagadas, afinal, sem elas as posteriores não viriam. Já o teto, com manchas de pingos acidentais lá permanecerá. Talvez, esses mesmos pingos caiam e borrem as telas e assim tornem-nas mais especiais, mais caras.
Até mesmo o que se desejou e não se concretizou lá estará (talvez apareça mais sólido em páginas que ainda virão). Até mesmo as frustrações, com sua importância. Até mesmo a xícara sem café, as blusas que estendem seu significado além da não nudez. Exatamente tudo, até o que não cabe nessas linhas.

Um lugar especial, digno de constantes visitas, ocioso por mais telas, mais páginas.
Um lugar que sei: Sempre visitarei.
Um lugar que foi construído não apenas por mim, que não pertence apenas a mim, mas que talvez não se mostre tão nítido para todos os construtores - autores. Assim, cabe a mim vim aqui o fazer. Cabe a mim, entregar-te essa chave, para que sempre que deseje, rabisque algumas telas, leias outras prontas e delicie-se com todas as fragrâncias que passarão pelas frestas das portas ou mesmo entrarão pela janela.


Encanta-te com as estrelas numa noite sem luar, sentando num dos parapeitos deste lugar que tu também ajudaste a construir.



Agora em tuas mãos, fazes dela o melhor que puder.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Tempo de sol escaldante com dias curtos e noites longas: Paradoxal e mais feliz

Depois da chuva, depois da névoa, e até mesmo da nevasca, enfim aconteceu. Desejado, demorado, nunca tardio. Ah, sim... Como é doce, todas as possibilidades, sem restrição- quem sabe tenha mas não interessa pensar nelas. Tudo que a tempo não se podia, tudo que há um tempo se reduzia a um futuro distante, uma promessa, uma lembrança do que já se teve e se tornou necessário aguardar.
E aguardado foi, como se todas as horas passassem como dias e esses como meses. As noites, porém, passavam como minutos, e às vezes até centésimos deles, como se num piscar de olhos o momento de evasão fosse roubado e de volta à realidade havia muito a se cumprir, de todos os lados a cobrança se fazia, e em todas as direções algo lembrava da dívida não paga, da ponta sem nó, da estação que ainda parecia distante.
É difícil dizer se é chegada a estação. O motorista continua, agora sem forçar tanto o motor, como uma motocicleta o faz descendo uma ladeira, como se tudo agora não dependesse mais da vontade de alguém, como se apenas a sensatez fosse capaz de determinar um destino, resta aguardar, agora.
O sol também veio prestigiar, como um convidado de honra, marca sua presença e proporciona ainda mais motivos para acordar. Aproveitemos e façamos o que por tantas noites mal dormidas ou mesmo dias de olhos entre abertos foi desejado, seja esse desejo qual for. Merecemos, sim. Ao contrário do fim, um começo. Dias que serão como minutos e noites que passarão como meses, esse tempo agora permitido, agora de direito invicto, esse tempo de paz.


Morangos ou doces deseje e o faça: Agora teu tempo é teu, aproveite-o antes de ser roubado novamente.

                                                                                                  19/12/11

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Wake up!


Você reclama. Eu reclamo. Porém, mais doce que a realidade não há.
Por mais que me perca em devaneios ou tenha passado horas em sonhos, jamais senti (e jamais sentirei) o aroma ou sabor tamanho de um minuto estando acordada (num sonho qualquer).
Sim, doce. Sim, bom... Muito bom e jamais algum tipo de sonho será melhor.
“Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar” (Shakespeare)
Nossos sonhos são traidores e nos fazem perder o tempo que poderíamos viver se não fosse o medo de acordar. - Eu diria.
Acordar dói. Dói como a primeira vez que você respira só, quando nasce. Mas é tão necessário e de necessidade transfigura-se em vício.
Acordar é como ter amigos: Você pode não julgar necessário ou mesmo duvidar se de fato é possível, mas então quando você se convence, vicia e não quer viver mais de outro jeito.
 De pé.

Obrigada por me fazer levantar!