Sim, porque não será extenso; não haverá lugar para vazios.
As palavras aqui ocuparão parte do espaço: algumas gavetas,
geladeira, a cima das mesas, parte do armário do banheiro...
Mas não todo o imóvel.
A outra parte será destinada a quem desejar visitá-lo, tomar
por empréstimo alguns vocábulos moldá-los, ou mesmo senti-los.
Não será necessário bater a porta sempre que se desejar entrar,
se a causa for justa e as palavras respeitadas,os visitantes serão
sempre bem vindos.
Caso deseje deixar de lembrança alguns termos poucos ou muitos
não se preocupe com a disponibilidade de espaço,
o compactoimóvel só estará completo para aquele que não
gostar do aroma da torta de morango no forno, das rosas na
janela ou mesmo para quem se sinta grande demais
a ponto de não caber em seus cômodos.

Todos os demais,
sejam bem vindos.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Gosto de gostar do gosto que tem.


- Você é exatamente o oposto do que as pessoas dizem que eu devo gostar. E eu não gosto desse jeito que as pessoas dizem.
- Então você gosta de mim.
- Só porque eu não esperava que fosse encontrar alguém assim.
- E se esperasse?
- Logo depois me convenceria que não seria possível.

Eu gosto de descrições. Discretas descrições que te façam imaginar.
Gosto dos detalhes como onde estava a meia perdida, ou qual a cor do cabide da blusa que Enfim eu encontrei.
Gosto do que as pessoas não enxergam cotidianamente e que teimam em me convencer não ser importante.
Gosto dos de olhos penetrantes.
Gosto do gosto das palavras de quem gosta do que eu gosto.
Gosto de gostar do que ninguém gosta e assim me sentir menos cinza nessa paisagem metrificada.
Gosto de morango. Gosto que significa o gosto que eu provo não que eu gosto.
Mas ainda assim eu gosto de morangos.

- Não sei quando comecei a gostar de você.
- Quando você reparou nas minhas unhas.
- Por que acha que eu gostei de você por causa das suas unhas?
- Porque eu gosto delas.
- E eu não poderia gostar do que você não gosta em você?
- Não no primeiro encontro. Eu esconderia.
- E por que acha que comecei a gostar de você no primeiro encontro?
- Porque houve o segundo.

 Eu gosto de não gostar de pedestais. O inalcançável é solitário. O solitário não é feliz. Tenho medo de voltar a não ser feliz.
                                                                                                                                 31.01.2012

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O contrário do desejo.


Eu realmente desejo, agora, que com algumas palavras eu possa esboçar um verdadeiro sorriso num rosto banhado por lágrimas. Frias lágrimas, como uma cascata que eu diria não poder ser contida tão facilmente, mas que foi consolada pelos mais dignos que poderiam existir.
Escrevo como quem pede um sinal para uma ideia, algo que me venha à mente e me surpreenda de uma forma que eu não posso nem imaginar agora. Então escrevo. Espero que sejam doces e acalentadoras, espero que sejam confortantes ou minimamente agradáveis palavras. Cenas. Pensamentos. Que tragam pensamentos bons, que façam olhos sorrirem, se os lábios não sentirem-se prontos para tal. Desejo que elas me transportem um pouco mais pra perto e me permitam sentir um pouco mais de perto.
Por mim, elas tomariam outro rumo e não seriam apenas doces, mas acho que isso não viria a calhar agora; cafunés, disso que eu preciso. Palavras que sejam como cafunés, daquelas que afagam e te fazem dormir, como uma história de mãe, como um colo de mãe (dentro de todos os limites possíveis, já que tal supremacia eu não poderia alcançar).
Em frente à lareira, com meus novos amigos, pude dessa vez ouvir uma evasão ao passado. Ele contava algo que nem ela havia escutando, uma cena do dia que seu coração foi partido...
- Nos meus sete anos...

- Mãe, aqui dói.
- Dói onde, filho?
- Aqui, aqui em cima.
- Cabeça, filho? Você caiu ou bateu?
- Não mãe, acho que dói porque ela brigou e perdeu.
- Brigou, filho? Perdeu...?
- É mãe, não dizem que a cabeça pensa e o coração faz de outro jeito? Dei uma flor a uma menina hoje e ela jogou no chão e disse que eu não era bom pra ela. Era uma flor tão bonita, achei que ela ia gostar, mas ela jogou no chão. Ai meu coração chorou e a cabeça brigou com ele porque a cabeça não sente como o coração. Só que o coração doía ai ele brigou com a cabeça e ela perdeu, agora minha cabeça dói. Dói porque o coração tava triste e brigou com ela.
- Ôh filho... Vem cá. E... O que você achou de especial nessa menina?
- Ela olhou pra mim, olhou quando eu cheguei na escola e sorriu. Mas ela fez meu coração doer e eu não quero mais ela. Eu não gosto mais de flores brancas.
- Mas mãe...
- Oi pequeno.
- Por que ela tinha que ter um sorriso tão lindo?

Ela então me aconchegou a noite toda e eu pude saber que nos braços de minha mãe eu estaria a salvo todas as vezes que meu coração doesse.
E eu estava certo.

sábado, 28 de janeiro de 2012

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Degraus e pincel.


Em mãos aquarela e pincel. Na tela alguns pontos e pronto: Beijos respingados de tinta, avental manchado e nada mais a fazer quando a orquestra começa. Nem todos ouvem o que se passa, não há violinos, violoncelos ou mesmo um piano; não há maestro ou partitura: A tela faz sua melodia, os acordes se moldam e apenas os de avental borrado escutam.
Há uma fragrância, mas não há flores; sabor, mas não há morangos; calor, mas não há sol. Não há tempo nem relógio. Sobram pingos de tinta, sobram risos.
Primeiro: Um furto, um registro e passos largos, eufóricos atrás da prova.
Segundo: Uma permissão, não mais fotos, ainda fuga.
O tempo se aproxima do fim, a tela não parece completa, mas há uma encomenda e essa tem prazo determinado.
A orquestra para.
As fragrâncias cessam.
Os passos ecoam no corredor.

    Restam os degraus: Testemunhas da verdadeira concretização sinestésica.

                                                                                                                   20/09/2011
                                                                                                                            22h 34 min.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Camadas: Um ritual.


Chocolate derretido, taças e taças dele. Uma panela no fogão, esquentando o ar em volta, seduzindo o cozinheiro. Precisava terminar a calda de morango para finalizar sua torta de dupla cobertura. Precisava terminar antes que ela chegasse, seria seu primeiro aniversário como namorado dela, nada podia dá errado.
Campainha. Receita não finalizada. Ele teria se atrasado? Como poderia... Relógio. Ela estava adiantada, ele sempre reclamando da não pontualidade dela, justo naquela tarde ela chegara cedo. Campainha. Passos corridos. Porta aberta. Os olhos se cumprimentam, depois os lábios.
- Você está adiantada, você nunca se adianta.
- E você se acostumou com meus atrasos.
- Eu não gosto quando você se atrasa.
- É, eu sei, você é chato.
- Quando você se atrasa, passo menos tempo com você.
Ele ouve algo borbulhar, lembra-se do fogão. Sai correndo. Colher a postos. Volta a mexer a calda que por pouco não gruda no fundo da panela, velha panela onde sua avó já fizera muitos dos dias de seu neto felizes.
Ela ainda estava à porta. Fecha-a. Ele ainda ao fogão. O aroma daqueles “morangos derretidos” invade a respiração dela, agora não mais à porta. Ele deixa a colher cair. Desliga o fogo. A calda estava pronta. Deixaria esfriar um pouco.
Eles adoravam aquilo. Quilos e quilos de doces beijinhos sem cravo. Sem coco. Sem leite condensado. Minutos e minutos de abraços. Mãos e braços de entre abraços compassados pelo ritmo do aroma do chocolate derretido, da calda na panela, da nua torta posta à mesa aguardando a cobertura que tardava a protegê-la.
Havia chegado a hora, a esperada hora daquela tarde, tarde do dia em que ela fazia aniversário. Prepararam-se. Ela ajudava-o retirando o revestimento. Foram até a mesa. Ali estava seu presente para ela, delicado e trabalhado presente. Faltava o toque final e eles o fariam juntos. Com as taças destampadas estavam prontos: Uma camada, a segunda por cima. Sem rugas ou falhas. Estava pronto. Estava feito. (Per)feito.
Eles adoravam torta de dupla cobertura. Sempre na ordem: Primeiro ele com a de morango, depois ela com a de chocolate. Um ritual. Uma história. Uma rotina.
A mesma torta de antes, mas naquela tarde nada seria como antes.


                                                                                        25/01/2012

Uma necessária satisfação.


Às vezes, a pausa é necessária e você só entende quando ela tem fim.
Pensavam que precisavam de uma rotina. Alguém havia decidido isso por eles. Decidido sobre suas vidas como se decide um sapato que se compra: Não de forma aleatória, mas sem poder prever se um dia aparecerão calos. Esse alguém não poderia (nem pode) saber que rumo tomaria suas vidas caso a rotina fosse decretada. Mas, depois de noites de sono e algumas mal dormidas, uma decisão foi tomada (por esse mesmo alguém):
 Eles são donos de suas vidas e apenas compartilham comigo momentos seus, os detalhes. A rotina é como a de todo mundo, e se fosse para contar o que todo mundo vive, não sei se eu mesma seria capaz de prometer ouvir com tanta atenção, como até agora, o que eles tiveram (e tem) a me dizer. Justamente para ouvir o que há de singular que eu tomei (e tomo) xícaras e xícaras de chá, chocolate quente ou café, em frente a lareira enquanto meus ouvidos permanecem atentos às palavras ditas, meus olhos desenham todas as cenas (pixel por pixel) e minha mão, destra mão, empunha uma caneta, ainda em pena, para contar a ti toda experiência das tardes, manhãs, madrugadas ou noites que passo com esses novos amigos que já faziam parte de minha vida e eu, ainda, não havia descoberto.

                A lenha queima, o cheiro do café permeia, invade minha respiração: É hora de voltar, é hora de ouvir novas histórias, singulares detalhes.

                                                                                                                                             24/01/2012

Assim, acordados.

Quase uma meia luz, o vento canta como quem desejava acordar aquele casal do transe em que se encontrava. Sabendo que provavelmente não seria suficiente, manda folhas secas, caídas desde o início do outono, na direção dos dois corpos ali parados. Abaixam os olhos, finalmente. Cabelos ao vento. Folhas no pescoço. O frio voltava à cena. Os pés podiam sentir a grama. Movimentam seus corpos. Em fim, saem do transe.
Entreolham-se. Sorriem. Sentiam seus pelos arrepiados, o corpo reclama a anestesia sem efeito. Ainda havia lua, mas agora estavam no mundo em quem não podiam se privar das sensações indesejadas. Entram no carro. Partem para casa.
                                                                                                                                     12/01/2012

Dúvida, despedida, imposição: Uma Lua, dois Amantes.

Olhos abertos. Lembram-se de que não estão a sós.
- Irmão, uma ajuda aqui?
Uma voz ao longe, perto ao mesmo tempo.
- C claro
Ela sorri. Ele vai ao encontro do pedido de ajuda. Pegariam mais peixes para assar.
- Asa delta?
- Como?
- Quando vocês se conheceram... Numa pista de Asa delta?
Testa franzida.
- Sim, por quê?
O recente desconhecido abaixa a cabeça como quem disfarça um sorriso
- Desculpe, mas ela falou de um jeito que...
- Que o quê?
- Deixa pra lá... Então, ajuda-me com os peixes, aqui?
Podia-se ver uma interrogação no rosto dele. Outra interpretação. Uma apropriação das palavras dela. Ele continuou achando aquele papo muito esquisito, mas não pretendia leva-lo a diante.
Eles chegam à fogueira. A noite não tardaria a cair, mas os dois casais continuariam por algumas horas a mais. Eles, porém, iriam mais cedo. Não esperariam a lua no alto do céu, essa já ameaçava contornos. Moravam a um relativo tempo dali. Aquela tarde tão grandiosa chegara ao final e depois de lágrimas cristalinas, sorrisos e mesmo um abraço mais forte, estavam prestes a voltar pra casa, poderiam estar de volta num próximo fim de semana. Tarde essa que de tão inesperada tornou-se rememorável – literalmente diante das retrospectivas feitas.
- Então pessoal, já vamos.
- Não, não, esperem o próximo peixe.
Um segundo pedido do mesmo feitor do primeiro.
- É muita gentileza, mas não queremos pegar a estrada tão tarde. Mas devo dizer essa tarde foi surpreendente.
Ele sorri ao vê-la falar. Completa-a.
- Com certeza! Intensa também. Obrigada pela boa recepção, mas estamos de partida.
- Tudo bem, quem sabe num outro fim de semana nós assamos mais alguns peixes?
- Sim, sim quem sabe?
Uma combinação de abraços. Acenos. Partiram para o carro. A lua já aparecia crescendo no horizonte. Crescendo como se algo não estivesse a nascer, mas prosperar. Um desenho. Um símbolo. Uma promessa: Uma boa promessa, daquelas que a gente acredita, se envolve. Uma chave, talvez, fechando aquele dia, agora noite. Podia-se ver o reflexo dela nos olhos deles. Quase próximos ao carro, descalços, sentindo a grama fria por entre seus dedos, sendo iluminados pelo satélite. O frio do começo de noite perdia espaço para o calor dos dois corpos juntos à procura do equilíbrio térmico. À procura de braços. De pele. De nada. Não era necessário procurar. Estavam ali, ambos. Pairados, de olhos no alto. Sentindo-se mutualmente. Não sentindo seus pensamentos. Não se importando com pensamentos. A lua em perfeitos contornos (O que não iriam esperar acontecer chegou sem que eles percebessem, sem que ao menos pudessem controlar) pairou sobre suas cabeças impondo-se. Assim eles permaneceram: Sem frio, calor ou sede: Completos.

                                                                                                                                             10/01/12

Sorriso, suor e prazer: Um começo.


Peixes assados. Conheceram-se um pouco mais, os três casais. Conversavam sobre histórias de cada um.
- Como vocês se conheceram?
Perguntam ao casal que chegara depois.
- Bom
- Bom
Simultaneamente. Risos.
- Bom (ela continuou) nós somos amigos a um tempo já. Um fim de semana, um morro: Foi o suficiente
                - É sua primeira vez?
                - Sim
                - Ah, então será a primeira de muitas. Para mim foi impossível não querer de novo.
                - Não sei não, não parece tão simples assim.
                - Relaxe, ninguém costuma achar. Raramente não há medo. O velho friozinho na barriga é normal.
Ele nervoso, não conseguia disfarçar
- Sabe, eu já fiz várias vezes. Quer que eu te conte alguns detalhes?
Ele tímido, dois minutos de conversa, mas sim, ele desejava saber um pouco mais.
                - Então, na hora, principalmente na primeira vez, você acha que algo dará errado, até chega a suar. Então, não pode mais sentir o chão, seu desespero aumenta e sua sensação que algo dará errado piora. Você tenta fazer tudo certo, segue todas as recomendações, se protege da melhor forma até fecha os olhos quando chega ao ápice. Porém você não estará só e a outra pessoa vai te acalmando até  que você relaxa, aos poucos, e ai sim, pode aproveitar. Sua mente viaja, seu corpo parece mais leve. Você sente uma liberdade sem igual. Um prazer muito grande. Você suspira. Não acredita quando vai perdendo velocidade. Vai chegando perto. Perto. Aterrissa. A sensação perdura. Você quer outra vez.
Ele fascinado
                - Uau! Você fez parecer tão bom, mesmo com a parte do medo.
                - Você confirmará e não creio que descreverá muito diferente. Já te deram as instruções?
                - Sim. Estou pronto quanto a elas e os equipamentos também.
                - Um minuto
Ela ausenta-se.
                - Ei, vou com você.
                - Você vai?
                - Sim, a não ser que prefira outro veterano...
Como se ele fosse...
                - N não, está ótimo!
Ele rubro.
                - Então, vamos!
Ela termina de se equipar. Vão para o local adequado. Posicionam-se. Passos: 2, 4 , 6, 8... Sem chão. Mãos próximas.
                - Abra os olhos – ela diz
Ele segura mais firme. Agora já começa a suar.
                - Abra os olhos, está perdendo uma visão perfeita.
 Um olho. Dois. Ainda treme. Verifica o equipamento. Corações disparados, o dele nem se fala.
                - Relaxe
                - Estou tentando, estou tentando
Ela inclina
                - Você é louca?
Ela ri compulsoriamente.
                - Relaxe
Finalmente, depois de respirar fundo, ele pode aproveitar. Flutuavam a cima do oceano. Por ele um infinito de sensações. O medo dava lugar a um prazer desconhecido. Ela estava certa, jamais ficaria apenas naquela primeira vez.
                - Então o que está achando?
                - Fascinante!
                - Aproveite, a segunda vez será ainda melhor.
Por alguns minutos permaneceram ali. Agora ele destemido. Ela dividindo a visão entre a paisagem e ele.
- Ei, você me fez parecer medroso!
- Admita você não foi o exemplo de coragem naquela tarde de verão.
- Ninguém acha tão simples da primeira vez, você mesma disse. Eu nunca tinha pulado de Asa Delta
- Só queria te acalmar - fala tropeçando em sorrisos.
- Ah foi? Não conseguiu!
- Claro que sim! Afinal, você foi, não foi?
- Fui, mas não por ter me acalmado. Você me encantou e eu tinha que te conhecer.
Silêncio. Olhos fixos. Ele não tinha dito antes, mas fazia sentido. Uma amizade começou naquela tarde de verão. Amizade que agora, diante daquela fogueira, já havia se transformado em algo mais. Seus novos conhecidos comentavam, mas eles não podiam (nem queriam) escutar. Uma mão no rosto dela. Um sorriso. Dois sorrisos, agora. Por terceiro apenas um, como dois, mas apenas um se fez. Já tinham vivido aquilo, num outro lugar, mas ainda eram eles: Os mesmos lábios.


                                                                                                                                                   08/01/2012

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Brancas pedras. Lágrimas Cristalinas.


Estava tudo em sua cabeça. Sempre esteve. Ela era sim, ciumenta, mas, não era ciúme desconfiado e sim, deles dois juntos. Ciúme de um momento, esse quer ninguém tinha o direito de roubar.
Ela, portanto não possuía mais armas para convencê-lo e nem saberia mais como. Toma uma definitiva decisão: Na volta com as roupas. Tentaria salvar aquela tarde da melhor forma possível.
Oi amor
-  Ai está você
Uma instantânea conversa muda
-  Sabe o que estavam me contando?
- O quê?
Um tímido sorriso
- Sobre a história dessa cachoeira
- Unh... (ela tenta mostrar-se interessada)
- Sabe o que é mais interessante? Há pedras brancas apenas no rio, lá de em cima. Aqui em baixo, há apenas escuras pedras; eles dizem que durante a queda tais tornam-se luto, como se a cachoeira fossem lágrimas do rio, eternamente triste.
Ela expressa ceticismo, mas prometeu uma chance ao dia.
- E por que o rio estaria eternamente triste?
- Eles iam continuar a história a partir daí.
- Segundo a lenda, há muitos anos uma criança nasceu cega...
Continuou o mesmo que contava a história antes dela chegar
                - Vô, como é o fundo do rio?
                - Como assim, meu neto?
                - Como é... Posso ouvir o movimento das águas quando um peixe pula mais alto, mas como é que eles vivem lá em baixo?
                - Ah, meu querido, o fundo do rio é mágico. Há peixes de várias cores e tamanhos, assim como na superfície, além de uma vegetação que a gente não vê daqui de cima. Há também pedras brancas, das quais não vemos aqui nas margens. Lá no fundo, no fundo é tão escuro que os peixes não enxergam uns aos outros com os olhos, alguns nascem mesmo sem poder enxergar.
                - Assim como eu, vovô?
                - ... É meu netinho, assim como você. E sabe o que torna mais mágico? Eles não sentem falta das cores, nem vontade de conhecê-las  e mesmo assim podem saber onde estão ou mesmo se estão com outros peixes conhecidos ou não.
                - É mesmo vovô? E como eles sabem?
Ele expressa uma grande felicidade
                - Sim. Pelos cheiros. Cada grupo de peixinhos tem um cheiro diferente, assim, se um peixe que ele não conhece se aproxima, o primeiro peixe saberá.
                - E pela voz também, vovô?
                - Também, meu netinho, mas eles não falam como a gente.
                - Lá deve ser um bom lugar para morar
                - Deve ser, mas para os peixinhos certo?
                - ... Certo, vovô
Ele podia perceber o interesse brotando nos olhos ela.
- E o que aconteceu?
Ela fala como quem pode prevê o final daquela história
- O garoto e seu avô voltam do passeio de canos. Como já era fim de tarde...
                - Mamãe, mamãe...
                - oi, meu filho, o que foi?
                - Mamãe, meu vô me contou tudo do fundo do rio.
                - Foi, meu amor? E você gostou bastante, certo?
                - Sim, é tudo mágico, mamãe, você sabia que peixinhos que não enxergam vivem lá no fundo? Como eu, mamãe e nenhum precisa, é um bom lugar para morar, né mamãe?
                - Para os peixinhos, certo filho?
                - ... É, mamãe, para os peixinhos.
Ele sai cabisbaixo... parecia um lugar tão mágico, por que só para os peixinhos?
Ela podia sentir lágrimas nos olhos...
Naquela noite, o garotinho dormia numa das cabanas do acampamento com sua mãe. Acordou com um sorriso, um bonito sorriso. No sonho, quando mergulhava no rio até o fundo, tornava-se um peixinho e assim lá podia morar. Uma feliz morada.
O sol nasce e a mãe do garotinho acorda. Espreguiça-se concluindo que seu filho havia saído cedo para mais uma das Histórias do Vovô.
-  Filha...
Ela sai da cabana com pensamentos doces, lembrando-se do sorriso de seu pequeno ao contar sobre as histórias do fundo do rio...
- Oi pai, bom dia!
- Filha, vem aqui... Eu não posso acred...
Antes que seu pai pudesse terminar, seu sorriso aos poucos se desmancha. Seus pensamentos são destruídos como um pudim de chocolate jogado ao chão. Em seus olhos brotam lágrimas. O doce se esvai, agora apenas o sal e o amargo de sua boca manifestam-se. Leva as mãos aos olhos, ela não podia ver aquela cena, não queria ver aquela cena. Queria correr até lá, como se por um momento pudesse andar sobre as águas, nada a impediria. Um passo, dois, três, acelera, seis... Braços se movimentam uma, duas, três vezes, todo o corpo em sincronia desejando um milagre, um distante, cético milagre. Ela alcança-o, vira-o. Beija-o. Suas lágrimas agora o purificam. Abraça-o. Clama. Tudo passa como uma câmera lenta, um momento que não deveria durar 5 minutos, passa como a eternidade.
É alcançada. Os braços de seu pai salvam-na de também se afogar nas águas que levaram seu anjo. Salvam-na do mesmo fim, desejado por ela, que teve seu filho. Para ela não importava, mas sua vontade nunca seria feita.
Os três alcançam a margem.
Os três passam o tempo suficiente ali para (tentarem) se recompor.
O pequeno, apenas em corpo.
- Dias depois, em sua pequena sepultura foram colocadas pedras brancas. As mesmas do fundo do rio, agora sua eterna morada.
Ela abraça-o. Não poderia imaginar que se emocionaria tanto assim... Uma hora Havia passado. Eles nem haviam vestidos as roupas que ela trouxe do carro.
 Ela pensava nas brancas pedras. No garotinho. Ela não podia voltar à cachoeira, não agora. Seu desejo, objeto da discussão do início da tarde, havia se esvaído.
- Ei amor, acalme-se. É apenas uma versão, uma lenda, quem sabe.
- É... Eu sei, mas você sabe como a gente fica sensível quando...
Ele nada disse. Não precisava dizer que já sabia. Ela não precisava ouvir. Continuaram ali. Continuaram abraçados num Abraço, agora, mais forte.
                                                              

                                                                                                                                                  06-07/01/12

Água doce e faíscas: Um começo de tarde.


Desceram as escadas, teriam bastante tempo para pensar. Deixaram o elevador pra trás. Cada passo, um eco. Chegaram à garagem. Destino decido. Portão. Duas vozes:
- Bom dia
Uma responde:
- Bom dia
Areia. Sol. Coco. Mar. Eles: O cenário perfeito. Perfeito até perceberem figurantes demais na sua história. Ela não desejava mais ninguém além dele. Ele não se importava tanto assim, mesmo com todos aqueles rostos, ele podia sem esforço enxerga-la apenas. Eles nunca a incomodaram tanto quanto naquele início de tarde, provavelmente não seria uma tarde ruim, porém, para ela seria perfeita se não houvesse mais ninguém.
Seguem de carro. O sol passa do ápice do horizonte. Eles não haviam achado litoral menos preenchido. Uma missão quase inocente para um verão como aquele, para uma cidade como aquela. Mudam os planos. Em verdade ela, ao volante, muda. Ele não fazia ideia do destino. Os prédios ressurgem, de ambos os lados da pista. Ele franze a testa. Ela faz suspense. O carro segue. Segue até encontrar o cenário perfeito.
Um intenso suspiro. Uma fragrância pouco costumeira. Cantos. Água. Doce água jorrando e convidando-os ao seu interior. Saem do carro. Pés descalços. Biquíni e sunga. Ele. Ela. Ambos na água, agora. Dançam. Mergulham. Um fim de semana fora do comum, mas estavam longe de pensarem no trabalho.
Cochichos.
(Não, não era possível que houvesse figurantes ali também.).
Nadam em direção ao que ouvem. Espiam. Redes. Uma fogueira – Aquela hora do dia? – um assado. Entreolham-se.
-Essa tarde é nossa. Não precisamos de mais alguém
- Pode ser divertido. Só um minuto.
Ele curioso. Ela com a testa franzida, não de curiosidade como ele ainda no carro, só não precisava de mais ninguém ali.
- Boa tarde.
- Boa tarde (múltiplas vozes numa só). Então, sentem-se conosco.
- Não vamos demorar. Só ouvimos vozes por aqui e ficamos curiosos, mas já vamos.
- Não, sentem um pouco.
Ele senta-se. Ela já dando as costas, percebe-se só e volta-se para trás. Enxerga-o (o que ele estava fazendo?). Enfurecida disfarça. Senta-se ao lado dele. Um beliscão, ele não pode sentir , mas enxerga-o no olhar dela. Inconformada como ele pode permitir que a tarde deles fosse roubada assim. E daí que aquelas pessoas fossem boas anfitriãs ou mesmo houvesse um assado por ali, a tarde era deles e ele não tinha o direito de deixa-la ser roubada assim, de graça. E não, ela não estava na TPM, como ele havia cochichado em seu ouvido logo que ela sentou-se. Em pensar ainda, que tivera sido ideia dela ir até a cachoeira, mas, como podia adivinhar a presença dos quatro desconhecidos, ali?
Parecia viajar, pensando com seus botões (ou laços de seu biquíni), distante, enfurecida. Ele ia, como se já os conhecesse, como ele podia, até as mãos dele em seu ombro fazem-na despertar bruscamente.
- Ei, onde você tá?
- Em outro lugar, onde não houvesse desconhecidos. (Apenas ele ouve)
- Ei, dê uma chance a eles. Você decidiu que será ruim e simplesmente se afogou, se convenceu num segundo.
- Só acho que... Conversemos ali, certo? A sós.
Ele pede licença.
Uns passos distantes daquelas chamas que pareciam refletir nos olhos dela.
- Ainda acho que deveríamos aproveitar só nós, se não teríamos ficado na praia, mesmo.
 Ele a faz um cafuné. Ela abaixa a cabeça.
- Na praia, ainda seriamos apenas nós, mesmo com tantas pessoas.
- E aqui, você não faz questão que sejamos apenas nós. Voltemos para cachoeira, então.
- Eles nos viram, não podíamos fingir não haver ninguém ali, volto a dizer, você se enfureceu numa fração de segundos, nada foi roubado de nós. Não acha que tá exagerando?
- Agora eu estou exagerando por querer uma tarde a sós, se pra isso que viemos aqui.
- Sabe o que você não quer admitir?
(Admitir? Agora havia algo a ser admitido...)
- O quê?
- T    P   M
Testa franzida. Olhos que não sorriam. Um suspiro intenso. Não tinham muita experiência um com o outro mas ele podia reconhecer aquela expressão mesmo sem a ter visto antes no rosto dela.
- É o mais fácil de concluir, né? A resposta mais simples, já que a maioria das mulheres tem. Mesmo que a gente tenha motivos e os explique, mesmo que os motivos sejam óbvios, vocês querem resumir tudo a essas trê...
Ela não podia mais falar. Ele não podia mais ver. E por 7 segundos assim ficaram.
Mais 7 segundos de silêncio.
- Não quero que a gente brigue.
Ela também não queria, nunca quis na verdade. Mas, era difícil se conter diante daquela situação. Conter suas reações seria como querer que a fogueira, ainda ali, não assasse o pobre peixe morto no espeto que queimava junto. Ela decide dá uma chance. Não por estar dando o braço a torcer, podia continuar a conversa interrompida à noite, mas para salvar a tarde que ainda tinham. Mas agora, ali permaneceriam, também não voltariam antes do pôr do sol.
Ela beija a bochecha dele, como quem dá um aval. Um sorriso tímido.
- Vou ao carro pegar roupas.
- Espero aqui.
Ela segue em frente, olha pra trás, ainda avista-o chegando próximo à fogueira e ao peixe agora servido.



                          04/01/2012

Sem rítmo ou cachos: Absurdamente felizes!


Ainda havia uma cama. Um criado mudo. Peças pelo chão. Uma bandeja. Havia dois, houve um, agora novamente dois. Olhos abertos. Luzes acesas, em verdade claridade de fora. Sem testemunhas. Sem sonhos, apenas a realidade de algumas horas atrás.
De pé. Ainda caricias (sempre). Chuveiro como uma cascata, como se a água não viesse de um tanque, mas de um profundo rio, caudaloso e sem peixes. Ele, ainda sentado na cama, ouvia-a cantarolar no banheiro, tão desafinada quanto feliz. Uma canção que nunca o ensurdeceria, o agradava mais do que qualquer solo de piano. Nenhum show na Broadway seria capaz de superá-la.
Minutos.
Agora sentia a força com a qual aquela cascata desmanchava seus cachos enquanto ela, já vestida, procurava sua bolsa atrás de um desodorante, sem mesmo saber se havia algum por ali. Encontrou um dele debaixo da cama, decide por usá-lo. Embebida por aquele perfume pôde agora ouvi-lo cantarolar embaixo do chuveiro. Sem tanta emoção, porém, tão afogado quanto ela naquelas águas sem fim. Sem fim por 10 min.
Ela de costas. Ele de toalha. Um abraço molhado. Um susto mudo. Ela sentia aqueles cachos desmanchados em sem pescoço, pingos a deslizarem sobre seus ombros. Perguntava-se como cada segundo ali poderia ser narrado de forma poética- caso ela conseguisse pensar em uma forma de transformá-los em palavras, como se isso fosse possível.
Ele veste-se, depois de afastar-se e deixa-la pensando em poesias, perdida na realidade, embebida, desconcentrada nos cabelos que penteava antes dele se aproximar (agora ela embaraçava-os mais do que o contrário).
Ele toma o pente das mãos dela. Poderiam ficar ali por horas. Ficariam ali por horas se não fosse o estômago vazio e a necessidade de preenchê-lo. Não faziam ideia das horas. O relógio parado, os ponteiros não se moviam desde que o tempo deixou de importar, mas o sol já denunciara o dia nascido e eles já haviam decidido por descer e saciar uma necessidade fisiológica, não por desejo, apenas por necessidade.
Mesas, cadeiras, sem muitos pedidos mais, já era tarde para o café da manhã, mas não para eles. Encontravam-se do outro lado da rua, duas xícaras de cappuccino, alguns cookies e pãezinhos de mel ao alcance de suas mãos. Satisfaziam-se euforicamente. Tudo havia acontecido de repente, depois de um bilhete e ali estavam, no dia seguinte, ainda bêbados. Sem ponderarem, sem se importarem com ponderações. Não sabiam até quando iria durar, o tempo já havia deixado de mandar desde que suas pilhas foram retiradas.
Pagaram a conta. Foram até a casa dele que ainda vestia roupas do irmão dela. Lá a troca necessária foi feita e agora sim, podiam decidir o que fazer.

29/12/11 – 30/12/11

Brincadeiras do relógio.

Abre os olhos. Alguns passos à dentro. Bate a porta. Um único barulho. Voltou a sentir o hálito dela, seus lábios. Nem mesmo o morango mordido fazia mais parte de seu campo visual. Nada mais além daquele imenso universo de sensações. A reciprocidade se fez. As luzes foram apagadas. Tudo parecia mais claro agora. Ele entendia. Ela respondia. Eles conversavam.
Acordou como quem levanta por culpa de um sonho bom. Não fazia ideia das horas. Tudo parecia tão recente. Tudo parecia tão eterno. Olhou para o lado procurando um vazio inexistente. Um vazio conhecido, costumeiro, porém, inexistente naquela manhã. Ainda tonto, decide por esfregar os olhos e bocejar até acordar de fato e conceber a realidade da felicidade presente.
Avistou morangos ao nível de seus pés, não se lembrava deles ali. Mas não importava a origem, estavam ali e bastava. Alcançou-os. Trouxe para si. Um cafuné prolongado. Um bocejo. Espreguiçada – Bom dia!- um sorriso. Dois sorrisos, agora. Por terceiro apenas um, como dois, mas apenas um se fez.
Pareciam horas. Pareciam segundos, como uma câmera lenta que acelera tudo. Devagar por desejar cada minuto. Veloz pelo tempo não respeitar esse desejo e correr até não mais poder ser alcançado. Como quem deseja eternizar aquele momento, como quem sente um poder incrível retira, como um tolo, as baterias do relógio. Jamais seria um Deus. Mas não importava, não haveria horas para limitar o que sentia. Voltou a não enxergar mais um palmo a sua frente.
                                                                                                                                                         04/12/11

Malícia

Ela aparece como quem esconde um segredo, estende as mãos. Depois da recepção sai como quem foge de um pecado, como se mordesse a maçã do Ébano.
Agora é sua vez de deixa-lo atordoado.
Ler-se: “Os morangos não acabaram”.
Passos. Perseguição. Silêncio como se ambos flutuassem. Todos ouvem as firmes passadas no chão.
Chega-se a algum lugar. Uma porta bate, ele não foi rápido o suficiente. Agora há de fato a falta dos ecos. Nem mesmo os vultos podem ouvir algo. Nem mesmo se eles estivessem ali. Ninguém mais. Apenas ele e a porta (Sabe-se quantos universos atrás dela). Sua mente desenha mais de 15 dimensões. Mas ele precisa de provas, prefere não idealizar. Ela demora mesmo qualquer suspiro que possa dar pistas. Os universos continuam permeando a mente dele.
Um rangido. Uma presença.
Agora ela estende as mãos. Atônito ele tentaria balbuciar algo se seus lábios se movessem, mesmo sem entender o porquê da repentina paralisia depois de toda perseguição. Ela suspende a mão como uma bandeja, ao nível dos olhos dela, ao nível do lábio superior dele. Olhos fixos nele.
Um morango.
Ele observa melhor:
Uma mordida.
Ela fixa os olhos nele:
Agora é minha vez de te surpreender.
Ele não enxerga mais um palmo a frente.
                                                                                                                                                       21.11.11

Fez-se despertar.


Pode-se dizer que ela sentia-se determinada a ajudá-lo.
Ele destrambelhado; ela com as maçãs suspensas não querendo sorrir.
Ela determinada. Por amizade, afinal se ele gostava de sua amada ela poderia ajudá-lo, por que não?
Ele tenta se aproximar... Expansivo demais, ela o reprime.
- Não a conquistará sendo tão invasivo, seja calmo e intenso.
- Como?
- Seja ousado, surpreenda-a, mas não a afaste. Seja interessante, não dê todas as cartas.
Ele tenta um olhar fatal.
- Você quer ser engraçado ou encantá-la?
- Poxa...
- Roube-me um beijo.
- Como?
Ele não acredita em seus ouvidos.
- Tente um beijo meu.
Ele se convence do que ouviu; ela se convence que ele não conseguirá.
Ele se aproxima, olha fixamente, pensa no pescoço, lembra-se da advertência, decide pelos ombros, chega mais perto, deixa sua respiração tocá-la, torna olhá-la, sua respiração cada vez mais próxima, ele pode sentir o hálito dela, ela pode ouvir os batimentos dele, ela fecha os olhos, um milhão de coisas pela cabeça dele, suas mãos antes nos ombros dela agora sobem para nuca, ele fecha os olhos-ainda pode vê-la- a ansiedade a toma- Ele conseguirá?- Ele treme, ele abre os olhos, ele recua. Ela não sente mais a respiração dele. Ela não sente mais as mãos dele em sua nuca. Ela abre os olhos. Ela o avista. Ela não entende. O Silêncio também não palpita. Ele pega o guardanapo na mesa e começa a mexer, amassá-lo, talvez. Ela se refaz e admite o fracasso de seu aluno. Ele estende as mãos: Uma rosa e um papel escrito. Ela recebe e não enxerga mais nada. Percebe os traços. Olha para o lado: Uma cadeira vazia.
- Para onde ele terá ido?
Ela tenta descobrir. Não ouviu passos, nem a cadeira arrastando. Estava com os olhos fixos no guardanapo “amassado”. Ela encontra os rabiscos: “Desculpe, não posso. Talvez um dia diga que a amo. Talvez um dia entregue uma rosa e fuja para não encarar seus olhos.”.
Não há falas, reclamações ou mesmo uma indagação. Nada se ouve na sacada onde eles se encontravam. Um rubor, um olhar perdido. Sem sussurros.
27/09 - 18/10 – 20/10 – 17/11

sábado, 7 de janeiro de 2012

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Pixel por pixel


Fascinação, perfeccionismo, mania ou mesmo chatice: Chame como quiser, mas sou louca por eles. Toda a diferença, notados quando em conjunto, pela maioria; unitariamente, por mim, são indispensáveis, mais do que isso: Fundamentais.
O orgulho de um desenho, a perfeição de um origami, uma demonstração de afeto: Eles permitem tudo isso. Mesmo os mais práticos, apressados ou mesmo insensíveis são capazes de perceber a falta que eles fazem quando sua ausência é fatalmente decretada (um desatino, uma falta de sanidade estupenda, um horror!).
Sim, motivo para estresse supremo desprezá-los. Quando ausentes, as reclamações aparecem, mas basta que seja necessário um pouco de trabalho e pronto: Uma cascata de justificativas para não usá-los (como se fosse possível).
Uma cor, uma preferência, uma música ou mesmo um sinal: Volte teus olhos para eles e serás recompensado.
Ah, Detalhes... Como viver sem?



02/01/2012