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Mostrando postagens de Janeiro, 2012

Gosto de gostar do gosto que tem.

- Você é exatamente o oposto do que as pessoas dizem que eu devo gostar. E eu não gosto desse jeito que as pessoas dizem.
- Então você gosta de mim.
- Só porque eu não esperava que fosse encontrar alguém assim.
- E se esperasse?
- Logo depois me convenceria que não seria possível.

Eu gosto de descrições. Discretas descrições que te façam imaginar. Gosto dos detalhes como onde estava a meia perdida, ou qual a cor do cabide da blusa que Enfim eu encontrei. Gosto do que as pessoas não enxergam cotidianamente e que teimam em me convencer não ser importante. Gosto dos de olhos penetrantes. Gosto do gosto das palavras de quem gosta do que eu gosto. Gosto de gostar do que ninguém gosta e assim me sentir menos cinza nessa paisagem metrificada. Gosto de morango. Gosto que significa o gosto que eu provo não que eu gosto. Mas ainda assim eu gosto de morangos.
- Não sei quando comecei a gostar de você.
- Quando você reparou nas minhas unhas.
- Por que acha que eu gostei de você por causa das suas unha…

O contrário do desejo.

Eu realmente desejo, agora, que com algumas palavras eu possa esboçar um verdadeiro sorriso num rosto banhado por lágrimas. Frias lágrimas, como uma cascata que eu diria não poder ser contida tão facilmente, mas que foi consolada pelos mais dignos que poderiam existir. Escrevo como quem pede um sinal para uma ideia, algo que me venha à mente e me surpreenda de uma forma que eu não posso nem imaginar agora. Então escrevo. Espero que sejam doces e acalentadoras, espero que sejam confortantes ou minimamente agradáveis palavras. Cenas. Pensamentos. Que tragam pensamentos bons, que façam olhos sorrirem, se os lábios não sentirem-se prontos para tal. Desejo que elas me transportem um pouco mais pra perto e me permitam sentir um pouco mais de perto. Por mim, elas tomariam outro rumo e não seriam apenas doces, mas acho que isso não viria a calhar agora; cafunés, disso que eu preciso. Palavras que sejam como cafunés, daquelas que afagam e te fazem dormir, como uma história de mãe, como um col…

Cotidiano.

Viver é incrível. Permanecer apenasvivo é um porre!

Degraus e pincel.

Em mãos aquarela e pincel. Na tela alguns pontos e pronto: Beijos respingados de tinta, avental manchado e nada mais a fazer quando a orquestra começa. Nem todos ouvem o que se passa, não há violinos, violoncelos ou mesmo um piano; não há maestro ou partitura: A tela faz sua melodia, os acordes se moldam e apenas os de avental borrado escutam. Há uma fragrância, mas não há flores; sabor, mas não há morangos; calor, mas não há sol. Não há tempo nem relógio. Sobram pingos de tinta, sobram risos. Primeiro: Um furto, um registro e passos largos, eufóricos atrás da prova. Segundo: Uma permissão, não mais fotos, ainda fuga. O tempo se aproxima do fim, a tela não parece completa, mas há uma encomenda e essa tem prazo determinado. A orquestra para. As fragrâncias cessam. Os passos ecoam no corredor.
  Restam os degraus: Testemunhas da verdadeira concretização sinestésica.
                                                                                                                   20/09/2…

Camadas: Um ritual.

Chocolate derretido, taças e taças dele. Uma panela no fogão, esquentando o ar em volta, seduzindo o cozinheiro. Precisava terminar a calda de morango para finalizar sua torta de dupla cobertura. Precisava terminar antes que ela chegasse, seria seu primeiro aniversário como namorado dela, nada podia dá errado. Campainha. Receita não finalizada. Ele teria se atrasado? Como poderia... Relógio. Ela estava adiantada, ele sempre reclamando da não pontualidade dela, justo naquela tarde ela chegara cedo. Campainha. Passos corridos. Porta aberta. Os olhos se cumprimentam, depois os lábios. - Você está adiantada, você nunca se adianta. - E você se acostumou com meus atrasos. - Eu não gosto quando você se atrasa. - É, eu sei, você é chato. - Quando você se atrasa, passo menos tempo com você. Ele ouve algo borbulhar, lembra-se do fogão. Sai correndo. Colher a postos. Volta a mexer a calda que por pouco não gruda no fundo da panela, velha panela onde sua avó já fizera muitos dos dias de seu neto…

Uma necessária satisfação.

Às vezes, a pausa é necessária e você só entende quando ela tem fim. Pensavam que precisavam de uma rotina. Alguém havia decidido isso por eles. Decidido sobre suas vidas como se decide um sapato que se compra: Não de forma aleatória, mas sem poder prever se um dia aparecerão calos. Esse alguém não poderia (nem pode) saber que rumo tomaria suas vidas caso a rotina fosse decretada. Mas, depois de noites de sono e algumas mal dormidas, uma decisão foi tomada (por esse mesmo alguém):  Eles são donos de suas vidas e apenas compartilham comigo momentos seus, os detalhes. A rotina é como a de todo mundo, e se fosse para contar o que todo mundo vive, não sei se eu mesma seria capaz de prometer ouvir com tanta atenção, como até agora, o que eles tiveram (e tem) a me dizer. Justamente para ouvir o que há de singular que eu tomei (e tomo) xícaras e xícaras de chá, chocolate quente ou café, em frente a lareira enquanto meus ouvidos permanecem atentos às palavras ditas, meus olhos desenham todas a…

Assim, acordados.

Quase uma meia luz, o vento canta como quem desejava acordar aquele casal do transe em que se encontrava. Sabendo que provavelmente não seria suficiente, manda folhas secas, caídas desde o início do outono, na direção dos dois corpos ali parados. Abaixam os olhos, finalmente. Cabelos ao vento. Folhas no pescoço. O frio voltava à cena. Os pés podiam sentir a grama. Movimentam seus corpos. Em fim, saem do transe. Entreolham-se. Sorriem. Sentiam seus pelos arrepiados, o corpo reclama a anestesia sem efeito. Ainda havia lua, mas agora estavam no mundo em quem não podiam se privar das sensações indesejadas. Entram no carro. Partem para casa.                                                                                                                                      12/01/2012

Dúvida, despedida, imposição: Uma Lua, dois Amantes.

Olhos abertos. Lembram-se de que não estão a sós. - Irmão, uma ajuda aqui? Uma voz ao longe, perto ao mesmo tempo. - C claro Ela sorri. Ele vai ao encontro do pedido de ajuda. Pegariam mais peixes para assar. - Asa delta? - Como? - Quando vocês se conheceram... Numa pista de Asa delta? Testa franzida. - Sim, por quê? O recente desconhecido abaixa a cabeça como quem disfarça um sorriso - Desculpe, mas ela falou de um jeito que... - Que o quê? - Deixa pra lá... Então, ajuda-me com os peixes, aqui? Podia-se ver uma interrogação no rosto dele. Outra interpretação. Uma apropriação das palavras dela. Ele continuou achando aquele papo muito esquisito, mas não pretendia leva-lo a diante. Eles chegam à fogueira. A noite não tardaria a cair, mas os dois casais continuariam por algumas horas a mais. Eles, porém, iriam mais cedo. Não esperariam a lua no alto do céu, essa já ameaçava contornos. Moravam a um relativo tempo dali. Aquela tarde tão grandiosa chegara ao final e depois de lágrimas cris…

Sorriso, suor e prazer: Um começo.

Peixes assados. Conheceram-se um pouco mais, os três casais. Conversavam sobre histórias de cada um. - Como vocês se conheceram? Perguntam ao casal que chegara depois. - Bom - Bom Simultaneamente. Risos. - Bom (ela continuou) nós somos amigos a um tempo já. Um fim de semana, um morro: Foi o suficiente                 - É sua primeira vez?                 - Sim                 - Ah, então será a primeira de muitas. Para mim foi impossível não querer de novo.                 - Não sei não, não parece tão simples assim.                 - Relaxe, ninguém costuma achar. Raramente não há medo. O velho friozinho na barriga é normal. Ele nervoso, não conseguia disfarçar - Sabe, eu já fiz várias vezes. Quer que eu te conte alguns detalhes? Ele tímido, dois minutos de conversa, mas sim, ele desejava saber um pouco mais.                 - Então, na hora, principalmente na primeira vez, você acha que algo dará errado, até chega a suar. Então, não pode mais sentir o chão, seu desespero aumenta e sua sensação qu…

Brancas pedras. Lágrimas Cristalinas.

Estava tudo em sua cabeça. Sempre esteve. Ela era sim, ciumenta, mas, não era ciúme desconfiado e sim, deles dois juntos. Ciúme de um momento, esse quer ninguém tinha o direito de roubar. Ela, portanto não possuía mais armas para convencê-lo e nem saberia mais como. Toma uma definitiva decisão: Na volta com as roupas. Tentaria salvar aquela tarde da melhor forma possível. Oi amor -  Ai está você Uma instantânea conversa muda -  Sabe o que estavam me contando? - O quê? Um tímido sorriso - Sobre a história dessa cachoeira - Unh... (ela tenta mostrar-se interessada) - Sabe o que é mais interessante? Há pedras brancas apenas no rio, lá de em cima. Aqui em baixo, há apenas escuras pedras; eles dizem que durante a queda tais tornam-se luto, como se a cachoeira fossem lágrimas do rio, eternamente triste. Ela expressa ceticismo, mas prometeu uma chance ao dia. - E por que o rio estaria eternamente triste? - Eles iam continuar a história a partir daí. - Segundo a lenda, há muitos anos uma criança nasceu ceg…

Água doce e faíscas: Um começo de tarde.

Desceram as escadas, teriam bastante tempo para pensar. Deixaram o elevador pra trás. Cada passo, um eco. Chegaram à garagem. Destino decido. Portão. Duas vozes: - Bom dia Uma responde: - Bom dia Areia. Sol. Coco. Mar. Eles: O cenário perfeito. Perfeito até perceberem figurantes demais na sua história. Ela não desejava mais ninguém além dele. Ele não se importava tanto assim, mesmo com todos aqueles rostos, ele podia sem esforço enxerga-la apenas. Eles nunca a incomodaram tanto quanto naquele início de tarde, provavelmente não seria uma tarde ruim, porém, para ela seria perfeita se não houvesse mais ninguém. Seguem de carro. O sol passa do ápice do horizonte. Eles não haviam achado litoral menos preenchido. Uma missão quase inocente para um verão como aquele, para uma cidade como aquela. Mudam os planos. Em verdade ela, ao volante, muda. Ele não fazia ideia do destino. Os prédios ressurgem, de ambos os lados da pista. Ele franze a testa. Ela faz suspense. O carro segue. Segue até en…

Sem rítmo ou cachos: Absurdamente felizes!

Ainda havia uma cama. Um criado mudo. Peças pelo chão. Uma bandeja. Havia dois, houve um, agora novamente dois. Olhos abertos. Luzes acesas, em verdade claridade de fora. Sem testemunhas. Sem sonhos, apenas a realidade de algumas horas atrás. De pé. Ainda caricias (sempre). Chuveiro como uma cascata, como se a água não viesse de um tanque, mas de um profundo rio, caudaloso e sem peixes. Ele, ainda sentado na cama, ouvia-a cantarolar no banheiro, tão desafinada quanto feliz. Uma canção que nunca o ensurdeceria, o agradava mais do que qualquer solo de piano. Nenhum show na Broadway seria capaz de superá-la. Minutos. Agora sentia a força com a qual aquela cascata desmanchava seus cachos enquanto ela, já vestida, procurava sua bolsa atrás de um desodorante, sem mesmo saber se havia algum por ali. Encontrou um dele debaixo da cama, decide por usá-lo. Embebida por aquele perfume pôde agora ouvi-lo cantarolar embaixo do chuveiro. Sem tanta emoção, porém, tão afogado quanto ela naquelas águ…

Brincadeiras do relógio.

Abre os olhos. Alguns passos à dentro. Bate a porta. Um único barulho. Voltou a sentir o hálito dela, seus lábios. Nem mesmo o morango mordido fazia mais parte de seu campo visual. Nada mais além daquele imenso universo de sensações. A reciprocidade se fez. As luzes foram apagadas. Tudo parecia mais claro agora. Ele entendia. Ela respondia. Eles conversavam. Acordou como quem levanta por culpa de um sonho bom. Não fazia ideia das horas. Tudo parecia tão recente. Tudo parecia tão eterno. Olhou para o lado procurando um vazio inexistente. Um vazio conhecido, costumeiro, porém, inexistente naquela manhã. Ainda tonto, decide por esfregar os olhos e bocejar até acordar de fato e conceber a realidade da felicidade presente. Avistou morangos ao nível de seus pés, não se lembrava deles ali. Mas não importava a origem, estavam ali e bastava. Alcançou-os. Trouxe para si. Um cafuné prolongado. Um bocejo. Espreguiçada – Bom dia!- um sorriso. Dois sorrisos, agora. Por terceiro apenas um, como doi…

Malícia

Ela aparece como quem esconde um segredo, estende as mãos. Depois da recepção sai como quem foge de um pecado, como se mordesse a maçã do Ébano. Agora é sua vez de deixa-lo atordoado. Ler-se: “Os morangos não acabaram”. Passos. Perseguição. Silêncio como se ambos flutuassem. Todos ouvem as firmes passadas no chão. Chega-se a algum lugar. Uma porta bate, ele não foi rápido o suficiente. Agora há de fato a falta dos ecos. Nem mesmo os vultos podem ouvir algo. Nem mesmo se eles estivessem ali. Ninguém mais. Apenas ele e a porta (Sabe-se quantos universos atrás dela). Sua mente desenha mais de 15 dimensões. Mas ele precisa de provas, prefere não idealizar. Ela demora mesmo qualquer suspiro que possa dar pistas. Os universos continuam permeando a mente dele. Um rangido. Uma presença. Agora ela estende as mãos. Atônito ele tentaria balbuciar algo se seus lábios se movessem, mesmo sem entender o porquê da repentina paralisia depois de toda perseguição. Ela suspende a mão como uma bandeja, ao ní…

Fez-se despertar.

Pode-se dizer que ela sentia-se determinada a ajudá-lo. Ele destrambelhado; ela com as maçãs suspensas não querendo sorrir. Ela determinada. Por amizade, afinal se ele gostava de sua amada ela poderia ajudá-lo, por que não? Ele tenta se aproximar... Expansivo demais, ela o reprime. - Não a conquistará sendo tão invasivo, seja calmo e intenso. - Como? - Seja ousado, surpreenda-a, mas não a afaste. Seja interessante, não dê todas as cartas. Ele tenta um olhar fatal. - Você quer ser engraçado ou encantá-la? - Poxa... - Roube-me um beijo. - Como? Ele não acredita em seus ouvidos. - Tente um beijo meu. Ele se convence do que ouviu; ela se convence que ele não conseguirá. Ele se aproxima, olha fixamente, pensa no pescoço, lembra-se da advertência, decide pelos ombros, chega mais perto, deixa sua respiração tocá-la, torna olhá-la, sua respiração cada vez mais próxima, ele pode sentir o hálito dela, ela pode ouvir os batimentos dele, ela fecha os olhos, um milhão de coisas pela cabeça dele,…

E

quando Sim ou Não deixam de ser suficientes?

Pixel por pixel

Fascinação, perfeccionismo, mania ou mesmo chatice: Chame como quiser, mas sou louca por eles. Toda a diferença, notados quando em conjunto, pela maioria; unitariamente, por mim, são indispensáveis, mais do que isso: Fundamentais. O orgulho de um desenho, a perfeição de um origami, uma demonstração de afeto: Eles permitem tudo isso. Mesmo os mais práticos, apressados ou mesmo insensíveis são capazes de perceber a falta que eles fazem quando sua ausência é fatalmente decretada (um desatino, uma falta de sanidade estupenda, um horror!). Sim, motivo para estresse supremo desprezá-los. Quando ausentes, as reclamações aparecem, mas basta que seja necessário um pouco de trabalho e pronto: Uma cascata de justificativas para não usá-los (como se fosse possível). Uma cor, uma preferência, uma música ou mesmo um sinal: Volte teus olhos para eles e serás recompensado. Ah, Detalhes... Como viver sem?


02/01/2012