Sim, porque não será extenso; não haverá lugar para vazios.
As palavras aqui ocuparão parte do espaço: algumas gavetas,
geladeira, a cima das mesas, parte do armário do banheiro...
Mas não todo o imóvel.
A outra parte será destinada a quem desejar visitá-lo, tomar
por empréstimo alguns vocábulos moldá-los, ou mesmo senti-los.
Não será necessário bater a porta sempre que se desejar entrar,
se a causa for justa e as palavras respeitadas,os visitantes serão
sempre bem vindos.
Caso deseje deixar de lembrança alguns termos poucos ou muitos
não se preocupe com a disponibilidade de espaço,
o compactoimóvel só estará completo para aquele que não
gostar do aroma da torta de morango no forno, das rosas na
janela ou mesmo para quem se sinta grande demais
a ponto de não caber em seus cômodos.

Todos os demais,
sejam bem vindos.

sábado, 28 de abril de 2012

Sem ruídos, sem roídos.


Não mais ouço o estalar dos dentes esfomeados a dilacerarem as unhas por fazer;
não vejo mais unhas por fazer.
Por oras escuras, às vezes claras (quase nunca claras).
Os escuros deixam resquícios por trás delas e o claro não fica de fato claro, permanecem, portanto, escuras.
Roxas, vermelhas, pretas-azuladas.
Miragem, Gabriela, hip hop.
Humor ou quem sabe tempo.
Passa-tempo sem tempo pra perder.
Tempo que falta pra pintar telas, pra escrever cores.
Nunca perfeitas. De tempos pra cá, sempre feitas.

sábado, 21 de abril de 2012

Destino traçado e alguns balões de festa.


Caso pudesse, abordaria todos os pixels nessas linhas, mas não caberiam no tempo que tenho, meu relógio reclamaria e sua bateria acabaria antes que eu chegasse na metade; minha memória me trairia e não seria capaz de cumprir tal promessa, daí prefiro dizer: De um pouco falarei, mas não considere menos importante o que ficar omitido, ou mesmo não apareça nas entrelinhas, já que muito ficará para contar numa próxima parada, para pintar numa próxima tela.
 Telas, acho que posso começar assim. As cores já foram de um todo: De pastéis à vibrantes, mas de fato predominantes nos tons de azul. Desde sempre, desde tuas primeiras aquarelas, de teus primeiros passos (não voltarei tanto assim, afinal, não posso me estender). 
 Bom, tua presença aqui no imóvel é fato, mas venho a registrá-la pela primeira vez.
 Lembro de cartas, hoje estariam amareladas, que te escrevi falando de brigas e o apesar delas, como lembro de tu que dizias que eu sempre escrevia sobre.
 E se de fato escrevia, era só pra registrar que independente do que fosse dito em épocas de furacões e o que eles destruíssem pela frente, a recomposição viria a cavalo (a jatinho, poderia ser mais adequado já que rápida mesmo era).
 Mas, indepentente dos tornados ou mesmo dos cavalos, sendo mais literal, eu digo: Tua autonomia sempre me causou admiração, e se tu viveste (e vives) na tranquilidade que as brisas sopram, é porque aprendeste que a paz que elas trazem significa mais do que a correria de quem não sabe o que passa a seu lado, devido a pressa de chegar, sabe Deus onde, já que no dia seguinte estará a correr mais uma vez sem alcançar de fato algum lugar ao Sol.
 Tenho veraz admiração pelo teu jeito, e o modo com usa de teus pincéis.
 Tua telas, teus dias, parecem-me pré-moldados: Como se tu soubesses exatamente o modo de agir diante de uma ou outra situação, desenrolada e sem nós (sem pontas soltas - como as que me sobram).
 De tuas paixões a amores, dos que passam aos que ficam, admiro como tu colocas cada um deles em seu merecido vagão, sem permitir que o passageiro de ultima hora frequente a primeira classe.
 Teu tempo é o presente. E de presente o faz literalmente. Se há tempo, há que se aproveitá-lo. Se há portas, há que se abrir, há que se  tocar o interfone, ao menos, mas, nunca deixar que elas se fechem. 
E, se te digo isso é mais uma vez por admiração. Coragem ou um jeito de viver, eu diria que Humberto Gessinger fez metafísica referência a ti ao cantar "sem passado, nem futuro, eu vivo um dia de cada vez" ainda, diferente do contexto dele, digo que a ti pertence o presente, pois sabes aproveitá-lo em essência, até a última gota, como quem não se importa com os degraus - mas caso exista um tobogã do lado, logicamente o preferirá.
 Sem querer os clichês (e mesmo não acreditando que são), ouso-me a determinar alguns máximos teus:

~ Se a vida pode ser divertida, que seja ao máximo!
~ Se podes trabalhar menos e viver mais, que seja feito!
~ Se as férias puderem ser estendidas, nunca exite (mas não fique em casa, o tédio é proibido).
~ Conhecimento é preciso, mas não é necessária uma biblioteca interminável, leia, mas há a praia e Sol.
~ Conforto e moda, perfumes e beleza, sim senhor!
~ Não seja pobre de espírito, não fale asneiras.
~ Atenção, procure não apenas responda, afinal, responder é educação, interesse é outra coisa...
~ Cante se souber, aprenda o que puder, seja independente.
~ Seja livre.
~ Viva livre!
~ Desmanche as algemas, "desate o nó que te prendeu a uma pessoa que nunca te mereceu".
~ Deixe o passado no pretérito. Faça-o sempre perfeito, para que o presente seja uma dádiva, para que tuas linhas sejam limpas, para que teu caminho seja livre
 Se a tu coubesses a escolha, agradeceria por ser minha irmã, mas como não o foi, espero que o destino seja agradável pra ti, porque se Deus um dia escolheu as pessoas pra minha vida, estou certa que escolha melhor Ele não poderia ter feito, alguém igual não há de ter.

Então, Feliz Aniversário. Que venha sendo feliz desde 1991.

Parabéns! Para que tenha bens. Para que tenha bons amigos.

Para que tenha um bem... Um bom.. Um amor que te leve aos céus e que nunca queira controlar teus passos (daí ele se dará mal).

  Ano que vem, renovarei as felicitações para que elas permaneçam sólidas e tua casa, teu imóvel, seja concreta.
 Deixo beijos, e as marcas definitivas em meu avental.

Deixo ainda o desejo de que as analogias que aqui uso não te façam perder, mas permitam-te desenhar algumas imagens do que quero te dizer - espero te dizer. E que venhas comigo nessa empreitada, nessas cenas, nessa de compactoimóvel.

Outros degraus, um corrimão.

O conhecimento traz o gosto.
O gosto, o perfeccionismo
e dele  vem a dedicação, ou será o contrário?
Especificamente, o viaduto não será alterado pela ordem dos tratores (poderia ser o produto e seus fatores e as cores, mais uma vez, não mudariam).
Nesse caminho a gente perde, mas aprende que decisões são excludentes e as prioridades devem compor, senão os degraus, o corrimão da escada. 
Bom que seja o corrimão, daí a gente se apoia e não caí. Daí a gente se segura e pode até dançar uma valsa, um forró mais descomprometido ou mesmo um tango com uma rosa na boca, se o caso for de sedução.
Se o problema do futuro é a gente não saber quando as prioridades vão mudar,  o presente nos intimida à escolher mesmo sem saber se de fato iremos acordar, se os ponteiros vão avançar, se a gente vai gostar de quem a gente já gostou, se a Terra, enfim, continuará girando.
Mas não importa e nunca importou. O futuro está onde nunca esteve, já que ainda não passou, de pretérito nada tem, conjugado não pode ser, calado permanecerá até que presente se torne e conceba que, de fato, nunca será o futuro, como um dia sonhou.
Daí não importa se vivos estaremos ou parados ficaremos, já que o vinil que hoje embala teu sono não estará para teu neto escutar e nem assim tuas noites devem ser privadas dele.
 Então já que futuro não pode ser e do passado a gente só tem as lembranças, do presente fiquemos com o gosto, o gosto de gostar do gosto que tem.

terça-feira, 17 de abril de 2012

...queijos e goiabadas.


Aconchegar: O ato de se aproximar com um ar inocente que faz todo o mundo desaparecer. Perto. Mais perto. Perto até tocar.

Contagem regressiva em busca da tela ainda não tecida.

Cada dia preciso de um baú maior para o que tenho a dizer.
Chegará o dia que precisarei de um baú grade o suficiente para todos os baús.
E de baú em baú precisarei de dois cômodos, quem sabe três.
De três em três um um pavimento.
De dois não passará e terei um teto.
E terei um imóvel.
um, dois, três... o que virá depois?
três, dois, um.
Uma necessidade.

domingo, 15 de abril de 2012

Sentido por sentido: Finalidade.

    É como manter-se calado. Tem a mesma utilidade de falar com as paredes num quarto de portas fechadas. É como estar no calabouço de olhos abertos ou no cinema de óculos escuros. Como escrever para um cego ou balbuciar para um surdo. Desejar comentários de um mudo ou esperar carícias de um maníaco.
   Mas mesmo assim a gente continua, a gente escreve como se alguém fosse ler, não alguém, mas o alguém. A gente escreve e se sente dizendo, se sente conversando. A gente finge que disse e depois dar-se conta do fantástico momento que passou.
   Nesse sentido é inútil, mas não em todos os sentidos.
   Transpor os sentimentos para o papel é como provar de uma fruta desconhecida: Ela está ali, diante dos olhos, seu sabor é inalcançável até que se prova. Escrever é provar, provar da fruta já existente (sentimentos e afins) e assim conhecê-la, e assim poder falar sobre, entender, gostar ou não.
   Mas a gente nunca quer só conhecer. A gente quer manipular, mesmo fantasticamente, o que se escreve, manipular para alguém, destinar e se convencer.
   Há vezes, porém, que não há destinatário e ai sim, escrever é satisfação puramente pessoal. Não há a preocupação com o leitor. A gente lê uma, duas, três vezes e não se cansa porque aquelas palavras transpõe tanto o que se sente que é como uma mágica realizada. É de uma satisfação imensa e desejamos continuar a ler, quantas vezes forem possíveis, até a possível (não provável) obsolescência atingida. Improvável, mas, às vezes (mais uma vez) acontece, porém não há motivo para preocupação, caso isso ocorra, não faltarão novas palavras para serem escritas, novos textos ainda não obsoletos, novos em si, até a exaustão. 

Escreva. Prove. Delicie-se.

sábado, 14 de abril de 2012

Extrapolando

São dois minutos antes do exigido.
São poucas linhas e muitas ideias não claras.
É pouco tempo para quem tem muito a dizer; é muito tempo para quem não quer ouvir.
Para alguém com uma pedra de gelo na mãos, qualquer segundo é eterno; como um intenso beijo que poderia durar a noite inteira (Inverso).
Foram dois minutos.
Agora três.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Branco nº 2.


    Como não podia deixar de fazer jus ao dia, andei pela cozinha, pelo quarto... Mas foi mesmo na varanda, no suporte da lamparina que enconterei:

“- Roube-me um beijo.
(...)
Ele se aproxima, olha fixamente, pensa no pescoço, lembra-se da advertência, decide pelos ombros, chega mais perto, deixa sua respiração tocá-la, torna olhá-la, sua respiração cada vez mais próxima, ele pode sentir o hálito dela, ela pode ouvir os batimentos dele, ela fecha os olhos, um milhão de coisas pela cabeça dele, suas mãos antes nos ombros dela agora sobem para nuca, ele fecha os olhos-ainda pode vê-la- a ansiedade a toma- Ele conseguirá?- Ele treme, ele abre os olhos, ele recua. Ela não sente mais a respiração dele. Ela não sente mais as mãos dele em sua nuca. Ela abre os olhos. Ela o avista. Ela não entende. O Silêncio também não palpita. Ele pega o guardanapo na mesa e começa a mexer, amassá-lo, talvez. Ela se refaz e admite o fracasso de seu aluno. Ele estende as mãos: Uma rosa e um papel escrito. Ela recebe e não enxerga mais nada. Percebe os traços. Olha para o lado: Uma cadeira vazia.
(...)
Desculpe, não posso. Talvez um dia diga que a amo. Talvez um dia entregue uma rosa e fuja para não encarar seus olhos.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Levante exatamente às três.


Tum... Tum... Tum... na catedral.
Trim...Trim...Trim... no despertador da cabeceira.
Cucô Cucô Cucô    no brechó do outro lado da rua.
São 3 horas.
É hora de acordar.
Hora de despertar e levantar pro dia que vai nascer.

O sol ainda não apareceu, a Lua implacável, alguém ainda dorme depois da porta ao lado.

Não são mais 3h.

Hora de dormir. Já não é perfeito. Já foi feito. Per dido tempo.

sábado, 7 de abril de 2012

Poderia acontecer. Eles podiam se ouvir.


- Boa noite.
- Boa noite.
(poderia ser um beijo)
- Então, conseguiram resolver a falta de instrutores? Naquele dia já havia alunos reclamando.
-Teve uma seleção hoje e conseguimos dois instrutores já com alguma experiência. Vão passar por duas semanas de testes e quando se interarem das normas, poderão saltar com os alunos.
- Ainda bem, você já estava a ponto de um ataque, organizando tudo por lá.
- Verdade. Mas acabou a agonia, ainda bem!
Eles curtiram aquele silêncio, raro silêncio, na noite que começara o inverno, noite de folhas congeladas e do vento frio que entrava pela janela. Foi momentâneo, mas pode-se registrar, no vento, como um desenho, a marca de cada sorriso estampado, um em cada face (poderiam estar em uma única boca).
- Sim, me deixa dizer. Hoje quando voltava da empresa, ainda no sinal fechado, avistei um casal que parecia discutir, ele com um ramalhete e ela não aceitando. Ele parecia pedir desculpas e ela chorava, mas sem ceder aos braços dele. Então ela começou a recuar e virou-se, ele permaneceu parado sem querer ir embora. Ela atravessou a faixa e parou à baixo de uma árvore na calçada. Ventava muito às 8h (quando o relógio da torre tocou), quando uma semente, ou algo parecido, caiu da árvore e como um impulso ela voltou-se a ele e ia atravessar a rua, quando o sinal abriu. Enquanto esperava os dois carros a minha frente avançarem, pude ver quando ele foi embora, deixando-a. Ela que teria atravessado se o sinal atrasasse 5 segundos, mas que ficou imóvel enquanto o sinal estava aberto. E tudo durou o tempo suficiente de um sinal de trânsito.
- Uau. É triste, mas é cômico também. Só ia depender da música de fundo.
- Verdade, mas fiquei pensando na cena até chegar aqui. Se alguém em contasse, eu diria que seria parte de uma narração.
Começaram a rir, os lábios compassados como se tocassem numa orquestra. Os visinhos jamais escutá-la-iam.
Foram horas, horas de conversa, como de costume. O raro silêncio não aparecia, a noite gélida não parecia importar, o vento entrando pela janela fazia-os se enterrarem nos lençóis aconchegantes, mas sem deixarem de conversar por um segundo.

Poderiam estar abraçados.
Poderiam desenhar um beijo.
Poderiam não escapar um aos olhos do outro.
Poderiam, mas o tempo não os deixaria.

Estavam a três horas, um do outro.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Ponteiros: Mais uma sobre o tempo.

Do tempo eu vim, tu vieste e pro futuro nós fomos.
Do futuro que ficou no imperfeito, sobraram palavras incompletas e algo por conjugar num outro futuro que ainda não passou.
Agora presente, indissociável passado e entrelaçado futuro, estamos aqui.
Estou e tu estás de fronte a caminhos novos sem marcas no chão. De costas para as folhas caídas do outono que se foi.
E se o vento da recente primavera traz novas folhas até ti, tu deves cuidar delas com zelo, se de fato não machucarem tuas mãos.
Nunca soube quais as flores mais bonitas da primavera. Deveria ter subido em mais árvores e explorado mais campos. Mas num futuro que era pretérito, ao mesmo tempo, ficou o desejo não concretizado e no presente não há a lembrança.
Por não entender como as flores podiam crescer depois de meses de frio, não senti seus perfumes.
Não pude, não poderia, em hora passada, acreditar que sentindo eu entenderia. Deveria acontecer o contrário: Entender e depois apreciar e como a ordem não foi respeitada, por detrás do vidro da janela eu permaneci, sem ir lá fora, sem deixar a chuva limpar minhas lentes, sem enxergar plenamente.
Sei que do lado da copa da árvore diariamente eu passava e o passado se tornava presente, o que seria  futuro no dia seguinte. Passava à baixo do sol escaldando minha pele, meus olhos desprotegidos de seus raios.
A chuva, por vezes, parecia indicar algo, como um sinal de trânsito oferecendo passagem, como um oráculo oferecendo uma chance  para planos diante do que ocorreria.

Talvez faltou sabedoria.
Talvez sobraram entrelinhas.
Não sei e ao menos soube.

Um dia não precisarei entender.
Apenas apreciarei.

A armadura desmanchará e não estarei mais tão vulnerável.