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Mostrando postagens de Maio, 2012

Paris, um barco e uma colher de pau.

Na terra da Torre Nas águas um barco Nas mãos uma colher. Sem destino, sem chegada, sem partida. Apenas ali. No barco, eu. Na margem, alguém para o qual eu mostrava saber remar. Remar com uma colher. Na terra da Torre
Uma canoa podia ser. Lugar para um, um remador. No meio da cidade, perto da lá. Uma lagoa, sem proa, sem chão. Sem cidade, sem cidadão. Apenas um, apenas eu. Apenas o barco, a lagoa e a colher. Descanso.
Depois do oceano, onde tudo é mais cedo. Onde o dia nasce logo. Onde a noite é paixão. Onde à noite foi um sonho. Que já de dia, acordei.
Tudo na Terra da Torre.

Sobre tinta e paixão. Sobre pincéis e saudade

Queima o céu da boca E da boca faz-se o céu Como pimenta malagueta Desenhada por mãos de pincel
Pode também escorrer Pelo rosto derramar Desmanchando o traçado E o verniz agora embaçado Se desfaz, mas engana.
Engana o desavisado Que enxerga cegamente E se convence sem cuidado Que o coração do desesperado Está em festa, está contente.
Ele deveria saber As lentes utilizar Para assim perceber Que às vezes a palavra faltar Não significa dizer Que não se tem o que falar
Mas se a tela se desmancha A esperança se mantém Da sala se alcança O sabor que provém Do forno, da lembrança Da saudade de um alguém
A dupla cobertura Que virá a vestir A torta não mais nua Desde a porta que se abriu Trará consigo a saudade De uma comemoração qualquer Que pode ser da idade Com sabor de liberdade Da palavra que couber.
E novamente torna-se doce Volta a apimentar A relação com as palavras Que traduzem sem considerar Pudores ou amarras (algemas da alma) Que só fazem dilacerar: Pincéis, quadros e mãos Prontos …
"dá pra escrever
o papel aceita
toda qualquer coisa"

~ Pouca Vogal

Não durou o equinócio.

Ouço estalos e doem os dedos.
A temporada foi curta, como a fração de um dia e eu achei que duraria todo o outono, ao menos.
Nem claras, nem escuras, apenas desfeitas.

(Des)feitas

Transcendendo os mundos.

305, depois de passar pelo 303, depois de atravessar o corredor e se deparar com uma pequena porta, ela pôde ouvi-lo balbuciar.
Ele esteve ali, tinha certeza disso, ou talvez, ela estivera lá.

E de certeza pôde narrar quando ele chegara para o almoço.
Antes mesmo de deixá-lo entrar, antes mesmo que ele pudesse pronunciar algo.
- Sabes o que senti ao saber que tu chegara de viagem?
Ele tentou dizer algo, expressou apenas, pois fora interrompido pela cascata das palavras dela:
- Às  12:09h da tarde, senti teus dentes em meus lábios: Superior, inferior.
Desejei sentir até amanhã, até o fim do mês, até novamente te ver.
Desejei sempre sentir.
Abri os olhos, não mais te vi.
Você não estava aqui, não esteve aqui.
Fechei os olhos, você não voltou.
Teus dentes em meus lábios, às 8:00h da manhã.

Hipnotizado como se ela portasse um relógio de ouro.
Mais doce que a realidade não há, ela pode ver.
Ele estava ali.
Ela pode sentir:


Dentes em seus lábios.