Sim, porque não será extenso; não haverá lugar para vazios.
As palavras aqui ocuparão parte do espaço: algumas gavetas,
geladeira, a cima das mesas, parte do armário do banheiro...
Mas não todo o imóvel.
A outra parte será destinada a quem desejar visitá-lo, tomar
por empréstimo alguns vocábulos moldá-los, ou mesmo senti-los.
Não será necessário bater a porta sempre que se desejar entrar,
se a causa for justa e as palavras respeitadas,os visitantes serão
sempre bem vindos.
Caso deseje deixar de lembrança alguns termos poucos ou muitos
não se preocupe com a disponibilidade de espaço,
o compactoimóvel só estará completo para aquele que não
gostar do aroma da torta de morango no forno, das rosas na
janela ou mesmo para quem se sinta grande demais
a ponto de não caber em seus cômodos.

Todos os demais,
sejam bem vindos.

domingo, 22 de julho de 2012

Prazer comportado.

Queria escrever algo que me inspirasse algo maior e o desejo fosse crescendo e por minhas mãos tomando forma até que pudesse ler e duvidar que meus punhos seguraram a pena que criou tal cena. Uma cena, sim, com detalhes e cores, sensações e amores, sabores, odores tudo que há de necessário para sentir, sinestesiar até o fim, até que não haja fim, para não se desejar que acabe, para desejar o amanhã, a eternidade da lua, que a manhã tarde e o Sol tenha preguiça de nascer, para que o amanhã seja tarde, seja longe, seja depois; porque a noite, ela sim será capaz de contar o que tenho a dizer, para que se possa, se queira apenas desejar.

O corpo é necessário, mas seja só de corpo e tu não serás satisfeito.

Já foram cachos, camadas e cascatas.
Já foram cama, lamparina e varanda.
E hoje são apenas tudo de uma só vez,
todo luxo e prazer que emana
de seus corpos não despidos em loucura;
de seus olhos nus a procura
de algo maior que pudessem encontrar,
de algo novo que os levasse a desejar
que a noite permanecesse acesa
longe do dia, do sol e da manhã;
perto do chão, das cadeiras e mesas
quem sabe como recosto, um divã:
confortável e aconchegante
emanando o desejo de saber
o que se passa na cabeça do amante
quando o corpo ferve em prazer
e a alma congela ao perceber
os olhos que encaram os seus,
o medo, a dúvida e as mãos;
o rosto, a fúria e tensão
de quando o jogo está para acabar
o gosto que sabe-se que irá perdurar
até o último ato tocar
quando ao chão vai-se a resposta
e ao início daquela envolvente história,
(da vida ou da morte de alguém)
os dados irão te levar.


Posso acreditar que meus punhos seguraram tal pena,
fica para uma outra noite o desejo concretizar.

                                                                                                                                  17.07.2012

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Desista.


Não acredito no seu ceticismo.
Lúcida de menos, sou mais o que sonho.
Não me venha com essa de (des)significar, tudo está certo, exatamente no lugar que nunca esteve.
Se não pode ver ou sentir, sinto muito.
Sou crente demais para o que você descarta.

Olhar do ângulo errado faz do certo torto.

Seu ângulo é obtuso demais e agudo de menos. Não seja tão reto. Tão cético.
Por não saber explicar, diz-me que não é;
por não saber explicar, digo-lhe tudo que pode ser.
Porque não será agora, mas num dia que faça sentido.
Não o mate que eu não deixarei e numa gaveta estarás a salvo de seus punhos.
Não o tire assim de mim que você não conseguirá.
Quanto tempo levar, quanto dele precisar, mas ficarás comigo, estarás comigo mesmo sem saber,

tu.

Quanto a você...

Já sabe o que fazer.