Sim, porque não será extenso; não haverá lugar para vazios.
As palavras aqui ocuparão parte do espaço: algumas gavetas,
geladeira, a cima das mesas, parte do armário do banheiro...
Mas não todo o imóvel.
A outra parte será destinada a quem desejar visitá-lo, tomar
por empréstimo alguns vocábulos moldá-los, ou mesmo senti-los.
Não será necessário bater a porta sempre que se desejar entrar,
se a causa for justa e as palavras respeitadas,os visitantes serão
sempre bem vindos.
Caso deseje deixar de lembrança alguns termos poucos ou muitos
não se preocupe com a disponibilidade de espaço,
o compactoimóvel só estará completo para aquele que não
gostar do aroma da torta de morango no forno, das rosas na
janela ou mesmo para quem se sinta grande demais
a ponto de não caber em seus cômodos.

Todos os demais,
sejam bem vindos.

sábado, 24 de novembro de 2012

Desbagunçada desordem.


Há roupas penduradas em todos os lados exalando teu perfume pela casa.  A camisa que não serve mais, esquecida depois da otimização do espaço do guarda roupas, rasgada próximo ao joelho que ficou por ser consertada, mas logo foi substituída por uma mais nova, mais moderna, me fez lembrar da falta de linha na máquina de costura. Há linha branca mas não serve,  a bermuda é preta e ficaria muito óbvio que foi remendada, portanto ela permanecerá esquecida até a linha ser comprada.
Há roupas penduradas que me lembram que não preciso organizar o quarto. Esqueceria fácil onde cada peça foi guardada, prefiro assim: tudo ao alcance dos olhos, das mãos, palpáveis peças que me trazem teu perfume, que me fazem enxergar teus olhos, tocar teu sorriso; peças marcadas por tuas mãos, moldes traçados a partir de teu corpo, desenhando tua presença em todo o imóvel, embebedando minha mente com as lembranças não mais somente tuas.


24/11/2012

sábado, 17 de novembro de 2012

Ma-mais 5 min...

Tranquila noite que se molda por entre lápis e pincéis.
Foram semanas de sorrisos escondidos e alguns escandalizados, mas sem muito a se comemorar, de fato. Não é lá pessimismo, mas uma realidade prática demais, na qual a beleza teima em se esconder, em não ficar visível aos olhos dos que a deseja todos os dias. Não são péssimos dias, mas também não são os mais radiantes.
Fica o desejo escondido de noites cegas e beijos mudos, de aconchego, cafuné e preguiça.

- Meu bem, o vento está  forte demais, fecha um pouco a janela?
- Quer mesmo que eu levante? Tão aconchegante aqui... Fecha ali?
Ambos permaneceram ali, parados, deitados sem um movimento que insinuasse um passo. A cama já possuia seus contornos e tão confortáveis como estavam, era impensável levantar. Eram 2h da manhã quando o vento começara a soprar forte e a persiana balançava intensamente, mas não o suficiente para encorajá-los a levantarem-se. Persiana esquecida abaixada já que o vento tinha cessado aquela semana e não poderiam imaginar que sopraria tão intensamente madrugada adentro.
- Amor, estou caída de sono, mal posso abrir os o-o-olhos. 
Entre bocejos, tenta convencê-lo quando é surpreendida por seus braços a entrelaçando, como quem diz decido que não sairá dali tão cedo.
- Golpe baixo.
Ela não sairia dali.
Ela de costas. O vento continuava soprando intensamente. Ele podia sentir o aroma dos cabelos dela, da sua pele enquanto se afundava ainda mais no colchão.
- Amor...
Vencida, ela tenta se levantar quando é impedida pelos braços dele, sobre os seus, não a deixando se mover.
 - Só mais um pouquinho...Você nem quer levantar.
...
2h 30min.
Ela ainda incomodada com o vento demasiado, conclui que ele já dormiu e mais uma vez tenta levantar-se
- Só mais um pouquinho...
Ouve ele balbuciar, antes mesmo de conseguir sentar na cama.
-Eu vou, volto num segundo.
-Mais um pouqui...
Ela vira-se. Ele ainda com o braço sobre o dela, sem tanta força mais. Ela continua a olhá-lo dormir, adormecer do seu lado... Como poderia levantar-se? Deixá-lo ali, se mesmo dormindo a desejava do seu lado, mesmo sem vê-la...
2h35'10''... 
15''... 
20''...
25'' enquanto ela olhava-o ali, afundado, confortável... 
Ela decide se remoldando entre os braços dele:
- Só mais um pouqui-quinho.

10h.


17.11.2012 ~ 1h31min AM

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Tu

Quem és tu quer lê esse texto agora?
Estás certo que não poderias ser outro caso a teu lado outro ser se portasse?
Tu és personagem de teu convívio e se outros formassem tua família, outros gostos seriam experimentados e tua percepção sobre a vida mudaria o foco.
Quem és tu que dança ao vento e se distrai com uma tulipa que desabrocha? Sabes que poderia nem conhecê-la caso houvesse nascido em outro país? Em potencial tu gostarias de tulipas mas jamais saberias da admiração que hoje tens.
Conhece-te pelos que te cercam, e se outros fossem... ah jamais poderás responder, afinal não trocaria-os por um reino, não trocaria por ouro aqueles que te fazem gostar de tulipas.
Se gostas de torta de morango e teus conviventes saboreiam-na também, tu tendes a saciar a sede ainda mais frequentemente, quando, se tais não gostassem, tua vontade poderia ser sucumbida como um raio que cai sobre a casa perdida no deserto e a destrói para nunca mais voltar.
Se a ti é permitido viver segundo teus pensamentos e crenças, tua fé e vontade, teu desejo e satisfação, é provável que os teus não te castiguem por tal, caso o fizessem, provavelmente tu evitares a torta de morango exalando perfume na janela da vizinha que a pôs pra esfriar.
Aqueles que tu escolhes como teus, definem quem tu és, sem mesmo que tu percebas, porque a liberdade que tu tens de ser quem deseja, passa por filtros e provocações que  tu só aprenderás a controlar com a experiência de conviver com os que te cercam.
Liberto tu és pra fazer o que tu queres; e o que tu queres é puramente o que te satisfaz a alma? Ou algum dos teus anda te influenciando a limitar-te numa redoma de parâmetros retos demais que te sufocam?
Quem,agora, deseja ser tu que leu esse texto?

Codificado segredo.



Tudo uma vez e de uma em uma, unicamente se faz.
Jamais duas.
Impensáveis três.
Repetir é proibido, voltar é atemporal.
   
   De sete em sete chaves guardei o que alguém um dia disse nunca existir.
   Guardei o tempo.
   Guardei a lembrança do que ainda, do que nunca, aconteceu.


08-15.05.2012