Sim, porque não será extenso; não haverá lugar para vazios.
As palavras aqui ocuparão parte do espaço: algumas gavetas,
geladeira, a cima das mesas, parte do armário do banheiro...
Mas não todo o imóvel.
A outra parte será destinada a quem desejar visitá-lo, tomar
por empréstimo alguns vocábulos moldá-los, ou mesmo senti-los.
Não será necessário bater a porta sempre que se desejar entrar,
se a causa for justa e as palavras respeitadas,os visitantes serão
sempre bem vindos.
Caso deseje deixar de lembrança alguns termos poucos ou muitos
não se preocupe com a disponibilidade de espaço,
o compactoimóvel só estará completo para aquele que não
gostar do aroma da torta de morango no forno, das rosas na
janela ou mesmo para quem se sinta grande demais
a ponto de não caber em seus cômodos.

Todos os demais,
sejam bem vindos.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Pra cura, a pele.

ou: meu caro amor platônico


Estou curada, meu caro estou curada de todos como você,
não sei qual foi o certo que encontrei entre os remédios,
talvez o mesmo tédio que te fez aparecer.
E sem ti estou vivendo, sem fantasmas ou vícios,
equinócios e solstícios sem teu rosto desejar;
o real me consome e tu que não tens nome não me vem mais a faltar.
Só porque estou curada,
amor, estou curada de todos como você.
E se lágrimas caírem, meu rosto sucumbirem
por carne e osso serão,
por amor ou ódio,
por um nome, rosto, feição.
Tato, pele e dor,
calor do corpo real;
sem imagem, imaginação,
apenas a solução: esse necessário final.
Se algum bem um dia teu vício me fez, agradeço e me despeço
porque estou curada, platônico estou curada, de todos como você.