Sim, porque não será extenso; não haverá lugar para vazios.
As palavras aqui ocuparão parte do espaço: algumas gavetas,
geladeira, a cima das mesas, parte do armário do banheiro...
Mas não todo o imóvel.
A outra parte será destinada a quem desejar visitá-lo, tomar
por empréstimo alguns vocábulos moldá-los, ou mesmo senti-los.
Não será necessário bater a porta sempre que se desejar entrar,
se a causa for justa e as palavras respeitadas,os visitantes serão
sempre bem vindos.
Caso deseje deixar de lembrança alguns termos poucos ou muitos
não se preocupe com a disponibilidade de espaço,
o compactoimóvel só estará completo para aquele que não
gostar do aroma da torta de morango no forno, das rosas na
janela ou mesmo para quem se sinta grande demais
a ponto de não caber em seus cômodos.

Todos os demais,
sejam bem vindos.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Trocando as engrenagens, expondo as feridas

Há tempos tenho perdido partes da minha memória por momentos, os mais importantes - por sinal - é como se o parafuso de um relógio folgasse justamente à meia noite, quanto todos esperam as doze badaladas. Sinto-me caindo nos meus pesadelos, como se de tão assustadores eles estivessem se tornando reais, aquilo que um dia eu temi, a seda que separava o caminho do certo àquele do fracasso estivesse se rompendo e tudo se misturando e eu não conseguisse separar.
Sinto-me não sendo "posta a prova", mas como uma espécie de rearranjo da mente: primeiro o desarranjado, depois a ordem, como uma "limpa" no armário: você tira tudo, faz uma pilha na cama e depois recoloca apenas aquilo que realmente importa, apenas o vital, o que não for, dar-se outro fim. 
Sinto-me assim: numa cama com pilhas e pilhas de roupas e perfumes e hidratantes e sapatos, sem conseguir encontrar um pente, mas ao mesmo tempo sabendo que haverá uma hora em que tudo estará, novamente, no seu devido lugar, de um jeito melhor, mais organizado, mais adequado ao tempo de agora, ao presente, como se eu devesse me libertar de manias, vícios, de outrora para só assim encontrar um jeito de fazer isso dá certo, só que um jeito novo, o antigo não funciona mais, o relógio não é mais o mesmo, o velho parafuso já não encaixa, a norma mudou, apesar de ser o mesmo fabricante.
Resta-me ter paciência para encontrar-me nessa pilha de roupas; basta-me ser sensata para não jogar tudo embaixo da cama e dormir, esquecendo-me que um dia, amanhã - ou antes - ei de levantar e se não prosseguir com a nova missão, as traças devorarão minhas peças e além de permanecer com o quarto bagunçado, não terei mais o que vestir, como pentear os cabelos ou mesmo perfumar-me. Quem seria eu?
É, eu sei, não há porque desistir, afinal, quem sou eu para dizer que estou só, quem sou eu para dizer que cabe apenas a mim decidir o que já é obsoleto e o que não é, no fim das contas, se estivesse só, nem mesmo haveria notado a bagunça, ou quem sabe a necessidade de toda a reforma. Continuaria vivendo perdida dentro desse quarto de mim.

Se um cirurgião os meus órgãos  retirasse e depois meu corpo reformulasse, não seria (eu) mais munida de apêndice ou amídalas.

sábado, 30 de novembro de 2013

(In) cômodo

Quarto. Era o quarto cesto que ele enchia com suas ideias abortadas de textos mal terminados e pensamentos jogadas ao vento. Era no quarto parágrafo que ele estava quando arrancou aquela folha que agonizante se prendia a sua mão embebida no suor, implorando por misericórdia, implorando para não ir ao fadado destino das anteriores, implorando por uma chance de ser o que ele desejava, mas não adiantou e ainda com mais raiva pela dificuldade de dela se livrar, amassou-a como nenhuma antes e jogou no canto, o mais longe que pôde atirar.

Nem o ventilador, nem a obra do prédio ao lado, nem o bebê que pedia atenção conseguiam tirar dele o silêncio que havia em sua mente e transcorria por suas mãos. Tanto tinha sido escrito e nada tinha sido dito que ele se sentia vazio e ao mesmo tempo sufocado por não ter conseguido expressar o que tanto o aborrecia.

                                                                                                       24/11/13

domingo, 3 de novembro de 2013

Paralelo

Talvez esteja presa ao que me prende por anos e faça dessa prisão meu lar;
quem sabe não sou eu o carcereiro, o sequestrador a pedir resgate...
posso também ser as grades, o chão e o cheiro de urina mijo (do ralo - ouso parafrasear);
o afastado quarto de cativeiro que a polícia não consegue encontrar;
à favor, contra a justiça (a lei dos homens, ouso corrigir),
encontro-me;
escondo-me;
perco-me
nesse lugar há tanto tempo que não sei, ao menos, quando cheguei, como vim parar:
Se por um furto qualquer, um um desacato à autoridade desmerecida;
Se por um sequestro relâmpago enquanto sonâmbula fazia o percurso diário,
como antes disse, não me recordo, apenas acordo todos os dias e vejo os traços na parede, as negociações ao telefone e presumo as lágrimas caindo e rostos sucumbindo do outro lado da linha.
Digo ter direito a uma ligação, mas não, dizem-me que não há linha - como não?- penso eu, se há uns instantes havia falatório lá fora...
"estás louca, havia silêncio e nada mais, deves ter inventado, aos montes acreditado no que queres se convencer"
Malditos mentiroso hão de ser!
Prisão ou cativeiro, policia ou ladrão não importa mais, se sou eu todos eles, se sou o lugar, se sou o que não sei e o pior pesadelo fui eu a pintar, a preparar aquarela e pincel, tela e jornais pela casa espalhar...
Chega, vou embora,
embora não saiba por que aqui cheguei, cansei dessa história mal inventada de frases mal rimadas que agora nasceram já deformadas sem ao menos a chance de ter a aparência que desejam ver o espelho refletir.
Se é que têm opinião...
Acabou o que restava de criatividade, acabou a paixão por hoje e quando se vai, não adianta mais insistir, não há mais o que as palavras tenham, hoje, para mim.
/31/10/ marca o calendário.
Acordo inebriada com o pesadelo da noite que teve fim.
De mente descarregada banho-me em límpidas águas do elétrico chuveiro à rugir.
Chora friamente o tanque superior, no verão desejadas, lágrimas de energia não empregada, de intenso fervor.
Deixo escorrer todo mal pensamento que ousou preencher minha mente enfraquecida que a noite - agora finda - trouxe de um lugar qualquer.
Toalha. Espelho. Café.
Livro. Varanda. Frescor.
Sem grades ou telefonemas, apenas o ar libertador da vida como deve ser, por Deus concedida e à mim cabida da melhor forma viver e ver que tudo que eu realmente precisar, Ele há de conceder.

sábado, 19 de outubro de 2013

Sabe-dó-ria: Saber ao som do riso - ou não.

Sinto falta dos meus entre os seus onde estou.
Sinto falta de quem me quer bem mais além de quem eu pareço ser, veja bem, não sou.
Assim são meus dias, tecidos em meios estes, escritos por tortas linhas onde me pintaram estar,
mas sou mais do que as palavras determinadas por alguém - não sei quem - que diz que devo aceitar e daqui não me retirar.
Digo ser bobeira e fico assim, sem medo saber que o mesmo motivo que aqui me trouxe há de me levar
pra um outro lugar
(mais conhecido e novo)
o qual não sei porque temei em deixar.
Ou quem sabe eu saiba, na verdade sei, se fez de academia, me ensinaram Platão, teorema e funções;
nas coordenadas eu me vi de rosa dos ventos quebrada e latitudes trocadas hoje estou a sentir:
saudade do litoral, da brisa manhã maninha,
a cidade do (carnaval, ao qual eu não ia) e hoje poderia ir -não gostando assim- só para saber, só para sentir,
que ai estou,
que estou de volta,
que não me rendi.
08/09

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Faz madrugada desse dia longo... faz.

Há horas que nada preenche e o tempo brinca de não passar...
Há horas que tudo passa rápido e o relógio imóvel marca 3h da tarde:
Roupas são lavadas, a casa é arrumada - cada azulejo delicadamente esfregado, todo pó tirado - o café passado cheira na cozinha... O banheiro transparece o rosto de touca e as mãos de luvas, o jantar embebeda o imóvel depois da louça do almoço lavada e  o lanche feito e degustado, a roupa já seca é passada, o jantar apreciado... Tudo limpo novamente.
E o relógio.
Marca 3h da tarde.
Só porque tu não estás aqui, mas
                                                                quando tu chegas,
                                                                                                        abro a porta.
                                                                                                                                    Em um beijo,
                                                                                                                                                                 é madrugada.


Minha ansiedade anseia por ti, em ciumento conflito  mantenho-a por perto.

sábado, 7 de setembro de 2013

Sábia Onisciência

 Não deixe-se abater, sei que são dias de pouco sol, mas As mãos que os moldam são mais sábias do que nós podemos supor, quem sabe não está se escondendo por entre as nuvens para aparecer resplandecente quando vier e teus olhos iluminar, teu coração flamejar e teu caminho fazer sorrir?
 Se não és capaz de entender, também não sou, o sacrifício da noite de lua cheia, de estrelas ímpares ao fim da noite, mas sem tal não haveria, não veria, o dia crepuscular, a vida acontecer quando acordados estivermos  (ou dormindo depois de tanto admirar a lua imponente no Céu - ou bem perto dele.).
 Não estás só, ôh pequena ninfa desse mundo pertencente, filha dO mais Sábio coração onisciente: do verdadeiro profeta mor.
 Quando teu coração aos pratos estiver, por algum acaso ou tristeza, farpa ou incerteza, lá estará, ai estará em teu quarto ou jardim, à ti observar e mesmo que tu não O vejas se fará presente em teu tempo de agora, sem embrulho, ou laço, fácil de perceber, bastando apenas saber que tudo que um dia tu quiseres serás capaz de conseguir.
Presença fará em teu tempo e te presenteará com relógios de pilhas sem fim só para que tu tenhas tempo de ser feliz. 

Entre prantos e desejo

Vejo o egoísmo tomando as rédias da situação e nao sei o que pensar;
Vejo-me julgando o dedo que aponta e discriminando o outro de nariz torto e me acho pior;
Entro em paradoxo e não sei como sair, minha paciência se esgota como a tinta do cartucho não recarregado da impressora, ao passo que faço de diamante o que nunca passou perto de ser grafite e perco-me em raiva.
Ôh Senhor de todos os corações, retirais do meu tal sentimento mesquinho e essas nuvens negras que o cercam, não deixai-me poluir com tal veneno que mata os que deliciam-se em seu pseudo sabor de néctar;
que seja passageiro enquanto dure e se vá.

Preciso apenas do amor mais puro que há, porque só Ele será capaz de meu coração tomar e nada mais pensarei.
Sinto-me somente necessitada do outro que meu ombro afaga e que de mim nada quer além do amor sentido e de graça oferecido pelo simples fato de tê-lo por merecimento dele, sorte minha.
~ 06/09/2013

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Número errado. Noite longa.

O que aconteceu com o sorriso escondido que por vezes se fez disfarçar? As flores no jardim parecem pálidas nesses dias de rotina injusta, esse sol que teima em dormir, cair em profundo sono enquanto se deseja fazer festa, enquanto se acorda disposta a amanhecer juntamente com ele, mas nada...
"Já passam das seis, por que a noite ainda não acabou?"
O que teria acontecido naquele dia de preguiça? Será que a ampulheta escorregou e no tempo se perdeu? Quanta areia ainda há por cair...
"Por que não amanhece?"
Teima em perguntar, sem entender aquela escuridão, sem entender o frio que a abatia, que adentrava pela fresta da janela pela qual mal se podia enxergar um passarinho cantando (qual passarinho?)...
"triiiim, triiiim"
"Alô?" - quem seria a uma hora daquela, quem poderia estar acordado num dia tão preguiçoso que mal se levanta...
"Alô? Eu gostaria de encomendar um abajur, o meu não funciona mais desde essa semana e estou me vendo louco para ler meus livros a noite, não posso ascender a lâmpada do quarto enquanto meu filho dorme"
"Desculpe, mas..."
"O  que? Vocês não estão trabalhando com entregas imediatas?"
"Não é isso..."
"Então, podem fazer? Então pronto! Deixo a encomenda confirmada. Um abajur com lâmpada fluorescente, tamanho médio, ligo depois para saber o orçamento, agora estou com pressa tenho que pôr meu filho na cama"

"A. Alô? Senhor.. Alô?"
"tum tum tum"
 A noite caíra de certo mais cedo que sempre, adormeceu à tarde e achava que já havia amanhecido, procurando a claridade lá fora, enquanto do outro lado alguém encomendava um abajur... Enquanto se sentia fria por dentro, escura como a lâmpada apagada do quarto sem livro, à noite.
O que podia tudo isso significar?
Provavelmente nada.
Olhava na agenda: "ArtEmluz xxx 36802734" enquanto seu número era "xxx 38602743"
Foi no jardim, ascendeu as lâmpadas coloridas que havia posto como uma rede, sentou-se e deixou-se banhar pela brisa de começo de noite... viu-se deslumbrada aproveitando toda aquela não mais escuridão confortável.
Adormeceu.
Na manhã seguinte, enquanto alguém ainda dormia no jardim, em meio ao trabalho rotineiro, a atendente, portando crachá e uniforme de cor preguiçosa, onde pode-se ler "ArtEmluz", atendia o telefone:

"Alô?... desculpe senhor, não há alguma encomenda de abajur médio, mas podemos providenciar."

04/09/2013 09:02 PM

sábado, 31 de agosto de 2013

Presente sem laço de fita, pés fincados ao chão.

  Tudo posso sentir, o que quiser posso ser porque quando algo deixo de fazer, tudo vai pelos ares. Em tudo ou nada  o maniqueísmo talvez ache morada, mas o que posso fazer se os extremos tem moldado minha vida? Tudo está junto e separado, heterogeneamente misturado e simplesmente controverso; não há o que esteja no lugar porque eu ainda não conseguir pôr: meias invadem a cozinha e há uma maçã em meu armário, na segunda gaveta próximo ao pijama... Há espaço na geladeira, mas teimo em não saber onde pôr tudo que acho, quando arrumo o imóvel e tudo encontra-se não se sabe onde, apelo pro discurso mais antigo que se conhece "não há espaço suficiente"... se você olhasse meu cabideiro veria quanto intansijente sou, isso se antes que algo possa pensar, as roupas não descerem em cascata sobre seus ombros... 
  Sinto que desaproveito uma oportunidade disfarçada de maldade que As mãos dO destino me concederam, pelo simples fato de olhar pelo ângulo errado, por me entregar ao mais fácil que parece ser, ao invés de procurar força no caminho mais certeiro. 
   Que Deus livre me de meus fantasmas criados pelo medo e negação da realidade, esta que todos os dias bate à minha porta, como quem diz "não fuja, jovem, estarei aqui quer você queira, quer não, conviva comigo, mantenha os olhos abertos, uma noite de sonhos e desejos não me fará desaparecer quando não mais dormindo você estiver";
   Que Deus me proteja de minhas inseguras palavras, fracas em discurso, e me dê forças, que elas eu saiba transformar em degraus e não em pesos;
   Que eu não me renda a mim, quando num dia triste queira fazer de meu rosto morada da cachoeira transbordante, quando em verdade deveria olhar no espelho e me perguntar:
"Quem eu queria ser quando tivesse vinte e um anos?"
E quando tal conseguir responder, serei capaz de tornar-me a mulher que do outro lado do espelho desejo ver refletir. 

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

De pó em, aaatchim..., pó.

   A cada espirro, um grito (mudo). Coriza e pronto, mais um dia de bagunça... a casa cai em pó e o meu nariz em greve, os banheiros choram por todos os lados implorando banho, o chão mais parece que levou na cara uma tempestade de areia, ou terra pra ser mais específica. Não há quem não esteja, ou tenha estado há pouco, imerso no mundo das greves: É olfato, paladar... só não há greve pro sono, esse é o que parece ser mais competente e com sede de trabalho (acho que eles empacotam sonífero com nomes de xarope - um dia eu testo essa teoria, ou não).
  Enquanto isso a bagunça se espalha, a casa se espalha e a ordem vai lá longe... ôh pequeno minúsculo imóvel que não és compacto, quanto dó sinto de tu que adoece junto à teus moradores sem, ao menos, ter direito a um analgésico... mas sinto ao dizer, nada de vassouras por esses dias e nem que pudesses, não adiantaria espernear...
  Olho pela janela: Ali, ali... "Eei, volte", tento gritar, mas sem sucesso, ela disse que só volta, o mais cedo no fim de semana, de malas prontas passará esses dias em qualquer lugar longe daqui.
Sala, quarto, banheiro... em todo lugar deixou um bilhete:
"Essa tal de gripe faz mal pra pele e não quero saber de olheiras.
Att.: Sr(a) Ordem"

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

(des) ritmadas palavras de perdão

não falta-me carinho a te oferecer...
não,
eu sei o quanto tu querias mais que eu fosse mais
a declarar, a demonstrar, mas
nem sempre assim vem, tão claras as palavras ou versos - talvez - que eu te diria ao ver o sol nascer, ou se pôr,
meu amor,
não faça-me só, não faça-se só, (faça)
somente o som da minha voz, com um beijo teu, calar-se,
faça minha mente não mais só imaginar-te,
querer-te um dia mais, a mais do que estes outros que estão por ter fim 
assim que estiveres próximo a mim...

a água que desce pelas torneiras e chuveiros tem sabor de saudade, tenho bebido e banhado-me demais, além da sede que um dia não lembro de ter sentido...

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Tomada que chove, chuva que dá choque

O mundo se contradiz a cada passo que dá e as pessoas alucinadas pela liberdade e racionalidade se perdem entre o que há de mais incerto e se contradizem junto com ele, como se lutassem contra a mesma força com a qual se aliam para derrotar. Vejo o extremismo atuando nos palcos e ditando as regras, vejo quem é contra duas piadas enquanto se deleita com as outras cem do mesmo canal de vídeos... qual o sentido? Ou melhor, mais importante, pra que? Lute pelo seu ideal... eu posso está errada, mas até hoje não vi um extremo deixar alguém feliz.
Entre, está chovendo, você quer ficar gripada?
Mas mãe, tá tão bom aqui, daqui a pouco entro...
Tá chovendo, minha filha, você vai ficar doente! Pode até acontecer um acidente...
Mãe, deixa, por favor, aqui nem sempre chove, adoro brincar na chuva!
Não faz bem à saúde filha, entre!
Mããe... 
poças de lama... gotas e gotas de chuva, bola, bicicleta... quando ela tinha sido tão feliz?!
Mãe? mãããe, A chuva passou.
Chão sujo de lama, sorriso esplendoroso no rosto, cansaço arrebatador... rosto ao chão, olhos fechados, secador na pia...
5 min
Fi-filha? 
Mãããããe...
Filha o que aconteceu?
Pai...
Amor, você levou um choque... mais uma vez usando o secador no banheiro, não foi? Um dia isso ia acontecer, graças a Deus foi nada demais.


É muito "resguardo de fato, comendo tripa", nesse mundo de Meu Deus...

terça-feira, 25 de junho de 2013

eufórico baile à chuva

Um texto começa de onde a vida vem: inspiração
... seja do tipo Peter Pan e sua "Terra do Nunca", seja do tipo de um pedido bem real, daqueles que seguidos  por um simples sim expulsam lágrimas dos olhos que não suportam mais tanta emoção e portanto dividem-na com o rosto, daqueles (pedidos) que o outro rosto igualmente ansioso junta-se ao primeiro banhando-se com suas lágrimas, deleitando-se com o desejo tão esperado; invejadas, as lágrimas destes olhos também saem para descobrir o porquê da euforia lá fora e juntam-se à cascata, descem pelas maçãs, dividem-se entre as maçãs dos rostos ainda colados, banham as bocas - cada uma, ainda, de um lado - escorrem para os ombros, braços entrelaçados e todo o corpo desejoso do mesmo anseio chora junto à elas, sorri junto aos lábios, as mãos que se sentem distantes da euforia vão às bochechas, chegam perto, banham-se e quando já bêbadas permitem aos olhos novamente enxergarem o que se passa, os ombros descolam-se, os braços desentrelaçam-se para que agora, no ápice da emoção, os lábios ainda enxercados mostrem-se um ao outro, os olhos dão licença e fecham-se, as mãos se põe às costas dando permissão para que eles  finalmente tenham sua chance "epifânica" de dizerem sem proferirem uma palavra sequer que têm o poder de fazer todos os outro sentidos irem do mais puro esquecimento ao mais intenso caos.
                                                                                                                                             25/06/13

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Desejo de Roska

Frustra-se com sua inquietação.
Apaixona-se com sua inquietação.
A paixão é frustrante o quanto é saborosa, ele perde-se por entre os dois sem querer deixar uma por desejar o gosto que a outra tem.
Difícil e envolvente, deixa-se ser apaixonada enquanto se mantém aquém, enquanto não se envolve no que desperta, longe, perto pra ele, distante pra ela.
Ele deseja-a, ele decide o desejo dela pela ausência do seu não, ela se mantém afastada com a  ausência do seu próprio sim.
Ela não limita as palavras (de ambos) pois não suportaria "o que não foi dito além", não entende que seu mundo é distante do de quem a quer, e no mundo dele a negação do não é sim, que não se argumenta com "eu não disse sim."
As palavras pra ele não precisam ser ditas, ela joga os dados e enxerga exatamente os números; ela é intensa até na dúvida que desperta, por mais que consigo esteja certa da decisão tomada.
Ele se confunde, não conhece suas armas.
À mesa, do restaurante fino, depois do convite feito,
ela oferece taças, mas a champanhe falta;
ele lhe traria a mais doce, mas ela preferiria roska;
ele não sabe o que fazer, ela levanta e pede no balcão, sem dizer que não quer ser servida por ele (sem dizer não); ele pede apenas uma champanhe.
Ele puxa a cadeira, ela agradece, vaidosa, mas seu sorriso não é desejo por ele, o que o confunde e o faz se perguntar: "Será seu batom, seus olhos, seu cabelo... Será seu sorriso, seu olhar,  seu suor que provoca meus sentidos?"
Não sabe responder, não chega a uma conclusão, enquanto ela continua a sorrir, enquanto continua a exalar o que lhe embebeda e dizer o que ele deseja ouvir. 
Novamente perde-se por entre as dúvidas... "será mesmo ela ali? ou apenas finge estar?" 
...
mas quando se dá conta, apenas a conta sobre a mesa. "uma champanhe" acompanhada do valor.
Sem perfume, sem suor. Sem presença. Sem roska.
Será que por horas esteve mais perto do que supostamente se convenceu? Estaria ele desacompanhado durante toda aquela taça, aquela noite?
Ou será, ainda, que a desenhou tão bem que se convenceu de seus traços?
Mesmo na manhã seguinte, ele suporá que não...
enquanto ela, em seu travesseiro, ainda brigando com o Sol que invade seu quarto, se espreguiçará lembrando de sua noite passada, lembrando da roska que tomava na varanda com seu imaginário acompanhante, seu amor eterno para sempre até amanhã.
30-31/10/2012

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Oração

Tropeço nas palavras que não encontro,
antes eu podia escrever por qualquer coisa e hoje qualquer coisa não consigo escrever. Que seja um estágio, fase ou momento, momentaneamente se faça e logo se vá, que não dure, que não perdure, que fique obsoleto, desmanche e se perca no tempo longe de mim, bem longe; que a (des)inspiração de mim se esqueça e me abandone. 
Que flores e cascatas, tortas e relógios, xícaras de café voltem a me embebedar.

Amém.

sábado, 1 de junho de 2013

Cuide daqui

Bata à  porta
Entre por si só e fique se quiser
(Enquanto quiser)
Sente-se, beba, coma e adormeça.
Assista tv, tome banho e permaneça.
Abra as janelas, tem suco na geladeira.
O café está pronto, o almoço e o jantar,
mas arrume a casa se desejar ficar.
Limpe a louça, o banheiro e o tapete,
quando cansar, jogue-se na rede.
Cuide bem daqui e não terás porque ir embora;
terás abrigo, terás à mim.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Máscaras em conflito

A inspiração vem de onde não deve, mas de onde mesmo deve vir?
Se sentimentos alfloram em cascata e escorregam pelos pulsos, chegam as mãos,
máscaras postas são ilusão;
quando se pode ver através 
do rosto escondido com lágrimas caindo
de ofegante respiração;
que deseja se guardar para um outro não ferir, 
sem saber está a demonstrar o que o próximo também sente
ou imagina sentir.
Mas falta a certeza e sobra o futuro
desenhado sabiamente por Quem pode garantir
que esse baile de fantasias sucumba 
reste apenas rostos, desescondidos da verdade
dispostos a amar, dispostos a saber
que no fim das contas, vale a pena desmascarado viver.

terça-feira, 5 de março de 2013

Jamais monocromática luz

Tenho muitos sentimentos e isso não é de hoje
Já achei que acharia a cura, e na procura enfim sanaria
algum tipo de enfermidade que me convenci de ter,
por não encontrar nos meus identificação qualquer.

Hoje não me atormenta mais quando sou única a dizer
palavras sem sentido, planos e hobbies que nada oferecerem
aos desencantados pelas letras, poesias e versos
escondidos do inverso de a certeza de viver.

Se convencem da não-dúvida quem ao menos provariam
não sei como pensam e o que pensam ao dormir
enquanto em meu leito me deletito em possibilidades
e julgo meu passado por um dia a mais ter deixado de sorrir.

O pretérito não desejo mudar, imperfeito continuará a ser
não o trocaria por um qualquer, vulgar
esse perfeito que você julga ter;
acabado e sem sentido, sem ao menos ter durado
continuado, se extendido, uma ação, um reles passado.

Minha memória e meus textos me trazem o presente
de outrora vivido e descrito nessas linhas,
inspirações e horas sem sono
sem as quais não viveria, seria abandono.

Agora posso enxergar quão cinza desejaram que eu fosse,
dou Graças por não ter sido covarde e me perdido de mim,
sei que seria julgada por meus ideais abandonar
depois de ser pisoteada pelos mesmos que me quiseram parametrizar.

domingo, 3 de março de 2013

Longe demais

Sinto tua falta mesmo quando converso contigo;
tu não estas aqui, sinto vontade do teu sorriso.
Tua voz me traz um tanto do que está longe de mim,
mas não traz para perto, não faz a saudade extinguir.

Soa estranho agora isso que sinto, portanto me calo;
não sei se deveria, mas permissões não me convencem mais.
O que sei é o que passa em meu peito quando é tão difícil definir,
mais errado seria negar por falta de nexo existir.

O porquê me falta, a explicação não vem,
mas quando converso contigo, ainda assim estás longe, estás lá
queria te sentir da mesma forma como quando te vejo,
e  fica a falta, a sobra do desejo.

Ainda que por horas contigo permaneça a falar num telefone qualquer,
a lacuna se abre como um abismo que se enlarguesse.
És tu, como posso me sentir assim,
se te procuro para sanar a solidão que me enfraquece?

Na tua presença sou forte, vício e coragem,
mas quando estás longe, só me resta a saudade.

02/03/2013

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Sem consolo


Não tem jeito. Não me acostumo e essa história de depois melhora é farsa de consolador barato. Lágrimas podem não cair mas basta estar a caminho do guichê que me vem a saudade mesmo quando és tu quem me levas à compra. De passagens nas mãos sinto todos os dias de saudade que virão. As semanas passando como tartarugas e as noites mal dormidas entre lençóis frios, suo de calor que o ventilador ameniza, mas o frio não passa, gelando meu peito, minha mente procura no escuro aquilo que ela não vê, aquele que não vem porque sei que te terei dias a mais, mas enquanto não chegam tais, procuro te pintar em cada brecha de luz que ilumina um móvel pelo quarto e permite-me desenhar tua feição, teus traços, enquanto meu travesseiro traz teu cheiro, onde outro dia esteve só, a recostar tua cabeça, meus lençóis, mesmo outros, guardam teus contornos e eu quero que tu estejas ali. E por saber de tudo isso hoje durmo em saudade, como vivendo as próximas semanas nesses minutos. Amanhã estarei contigo, mas quero mais, quero depois e o depois do depois também. Posso te ter em 6/7 por semana, juro que posso; sei ainda que te tenho mesmo longe, mas sem beijos e abraços teus, como sanarei esse frio?

Vem, meu bem, vem comigo e me traz pra perto de ti. Traz-me de lá que em algum lugar estamos a sós. 
00:17
17/02/2013