Sim, porque não será extenso; não haverá lugar para vazios.
As palavras aqui ocuparão parte do espaço: algumas gavetas,
geladeira, a cima das mesas, parte do armário do banheiro...
Mas não todo o imóvel.
A outra parte será destinada a quem desejar visitá-lo, tomar
por empréstimo alguns vocábulos moldá-los, ou mesmo senti-los.
Não será necessário bater a porta sempre que se desejar entrar,
se a causa for justa e as palavras respeitadas,os visitantes serão
sempre bem vindos.
Caso deseje deixar de lembrança alguns termos poucos ou muitos
não se preocupe com a disponibilidade de espaço,
o compactoimóvel só estará completo para aquele que não
gostar do aroma da torta de morango no forno, das rosas na
janela ou mesmo para quem se sinta grande demais
a ponto de não caber em seus cômodos.

Todos os demais,
sejam bem vindos.

terça-feira, 5 de março de 2013

Jamais monocromática luz

Tenho muitos sentimentos e isso não é de hoje
Já achei que acharia a cura, e na procura enfim sanaria
algum tipo de enfermidade que me convenci de ter,
por não encontrar nos meus identificação qualquer.

Hoje não me atormenta mais quando sou única a dizer
palavras sem sentido, planos e hobbies que nada oferecerem
aos desencantados pelas letras, poesias e versos
escondidos do inverso de a certeza de viver.

Se convencem da não-dúvida quem ao menos provariam
não sei como pensam e o que pensam ao dormir
enquanto em meu leito me deletito em possibilidades
e julgo meu passado por um dia a mais ter deixado de sorrir.

O pretérito não desejo mudar, imperfeito continuará a ser
não o trocaria por um qualquer, vulgar
esse perfeito que você julga ter;
acabado e sem sentido, sem ao menos ter durado
continuado, se extendido, uma ação, um reles passado.

Minha memória e meus textos me trazem o presente
de outrora vivido e descrito nessas linhas,
inspirações e horas sem sono
sem as quais não viveria, seria abandono.

Agora posso enxergar quão cinza desejaram que eu fosse,
dou Graças por não ter sido covarde e me perdido de mim,
sei que seria julgada por meus ideais abandonar
depois de ser pisoteada pelos mesmos que me quiseram parametrizar.

domingo, 3 de março de 2013

Longe demais

Sinto tua falta mesmo quando converso contigo;
tu não estas aqui, sinto vontade do teu sorriso.
Tua voz me traz um tanto do que está longe de mim,
mas não traz para perto, não faz a saudade extinguir.

Soa estranho agora isso que sinto, portanto me calo;
não sei se deveria, mas permissões não me convencem mais.
O que sei é o que passa em meu peito quando é tão difícil definir,
mais errado seria negar por falta de nexo existir.

O porquê me falta, a explicação não vem,
mas quando converso contigo, ainda assim estás longe, estás lá
queria te sentir da mesma forma como quando te vejo,
e  fica a falta, a sobra do desejo.

Ainda que por horas contigo permaneça a falar num telefone qualquer,
a lacuna se abre como um abismo que se enlarguesse.
És tu, como posso me sentir assim,
se te procuro para sanar a solidão que me enfraquece?

Na tua presença sou forte, vício e coragem,
mas quando estás longe, só me resta a saudade.

02/03/2013