Sim, porque não será extenso; não haverá lugar para vazios.
As palavras aqui ocuparão parte do espaço: algumas gavetas,
geladeira, a cima das mesas, parte do armário do banheiro...
Mas não todo o imóvel.
A outra parte será destinada a quem desejar visitá-lo, tomar
por empréstimo alguns vocábulos moldá-los, ou mesmo senti-los.
Não será necessário bater a porta sempre que se desejar entrar,
se a causa for justa e as palavras respeitadas,os visitantes serão
sempre bem vindos.
Caso deseje deixar de lembrança alguns termos poucos ou muitos
não se preocupe com a disponibilidade de espaço,
o compactoimóvel só estará completo para aquele que não
gostar do aroma da torta de morango no forno, das rosas na
janela ou mesmo para quem se sinta grande demais
a ponto de não caber em seus cômodos.

Todos os demais,
sejam bem vindos.

terça-feira, 25 de junho de 2013

eufórico baile à chuva

Um texto começa de onde a vida vem: inspiração
... seja do tipo Peter Pan e sua "Terra do Nunca", seja do tipo de um pedido bem real, daqueles que seguidos  por um simples sim expulsam lágrimas dos olhos que não suportam mais tanta emoção e portanto dividem-na com o rosto, daqueles (pedidos) que o outro rosto igualmente ansioso junta-se ao primeiro banhando-se com suas lágrimas, deleitando-se com o desejo tão esperado; invejadas, as lágrimas destes olhos também saem para descobrir o porquê da euforia lá fora e juntam-se à cascata, descem pelas maçãs, dividem-se entre as maçãs dos rostos ainda colados, banham as bocas - cada uma, ainda, de um lado - escorrem para os ombros, braços entrelaçados e todo o corpo desejoso do mesmo anseio chora junto à elas, sorri junto aos lábios, as mãos que se sentem distantes da euforia vão às bochechas, chegam perto, banham-se e quando já bêbadas permitem aos olhos novamente enxergarem o que se passa, os ombros descolam-se, os braços desentrelaçam-se para que agora, no ápice da emoção, os lábios ainda enxercados mostrem-se um ao outro, os olhos dão licença e fecham-se, as mãos se põe às costas dando permissão para que eles  finalmente tenham sua chance "epifânica" de dizerem sem proferirem uma palavra sequer que têm o poder de fazer todos os outro sentidos irem do mais puro esquecimento ao mais intenso caos.
                                                                                                                                             25/06/13

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Desejo de Roska

Frustra-se com sua inquietação.
Apaixona-se com sua inquietação.
A paixão é frustrante o quanto é saborosa, ele perde-se por entre os dois sem querer deixar uma por desejar o gosto que a outra tem.
Difícil e envolvente, deixa-se ser apaixonada enquanto se mantém aquém, enquanto não se envolve no que desperta, longe, perto pra ele, distante pra ela.
Ele deseja-a, ele decide o desejo dela pela ausência do seu não, ela se mantém afastada com a  ausência do seu próprio sim.
Ela não limita as palavras (de ambos) pois não suportaria "o que não foi dito além", não entende que seu mundo é distante do de quem a quer, e no mundo dele a negação do não é sim, que não se argumenta com "eu não disse sim."
As palavras pra ele não precisam ser ditas, ela joga os dados e enxerga exatamente os números; ela é intensa até na dúvida que desperta, por mais que consigo esteja certa da decisão tomada.
Ele se confunde, não conhece suas armas.
À mesa, do restaurante fino, depois do convite feito,
ela oferece taças, mas a champanhe falta;
ele lhe traria a mais doce, mas ela preferiria roska;
ele não sabe o que fazer, ela levanta e pede no balcão, sem dizer que não quer ser servida por ele (sem dizer não); ele pede apenas uma champanhe.
Ele puxa a cadeira, ela agradece, vaidosa, mas seu sorriso não é desejo por ele, o que o confunde e o faz se perguntar: "Será seu batom, seus olhos, seu cabelo... Será seu sorriso, seu olhar,  seu suor que provoca meus sentidos?"
Não sabe responder, não chega a uma conclusão, enquanto ela continua a sorrir, enquanto continua a exalar o que lhe embebeda e dizer o que ele deseja ouvir. 
Novamente perde-se por entre as dúvidas... "será mesmo ela ali? ou apenas finge estar?" 
...
mas quando se dá conta, apenas a conta sobre a mesa. "uma champanhe" acompanhada do valor.
Sem perfume, sem suor. Sem presença. Sem roska.
Será que por horas esteve mais perto do que supostamente se convenceu? Estaria ele desacompanhado durante toda aquela taça, aquela noite?
Ou será, ainda, que a desenhou tão bem que se convenceu de seus traços?
Mesmo na manhã seguinte, ele suporá que não...
enquanto ela, em seu travesseiro, ainda brigando com o Sol que invade seu quarto, se espreguiçará lembrando de sua noite passada, lembrando da roska que tomava na varanda com seu imaginário acompanhante, seu amor eterno para sempre até amanhã.
30-31/10/2012

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Oração

Tropeço nas palavras que não encontro,
antes eu podia escrever por qualquer coisa e hoje qualquer coisa não consigo escrever. Que seja um estágio, fase ou momento, momentaneamente se faça e logo se vá, que não dure, que não perdure, que fique obsoleto, desmanche e se perca no tempo longe de mim, bem longe; que a (des)inspiração de mim se esqueça e me abandone. 
Que flores e cascatas, tortas e relógios, xícaras de café voltem a me embebedar.

Amém.

sábado, 1 de junho de 2013

Cuide daqui

Bata à  porta
Entre por si só e fique se quiser
(Enquanto quiser)
Sente-se, beba, coma e adormeça.
Assista tv, tome banho e permaneça.
Abra as janelas, tem suco na geladeira.
O café está pronto, o almoço e o jantar,
mas arrume a casa se desejar ficar.
Limpe a louça, o banheiro e o tapete,
quando cansar, jogue-se na rede.
Cuide bem daqui e não terás porque ir embora;
terás abrigo, terás à mim.