Sim, porque não será extenso; não haverá lugar para vazios.
As palavras aqui ocuparão parte do espaço: algumas gavetas,
geladeira, a cima das mesas, parte do armário do banheiro...
Mas não todo o imóvel.
A outra parte será destinada a quem desejar visitá-lo, tomar
por empréstimo alguns vocábulos moldá-los, ou mesmo senti-los.
Não será necessário bater a porta sempre que se desejar entrar,
se a causa for justa e as palavras respeitadas,os visitantes serão
sempre bem vindos.
Caso deseje deixar de lembrança alguns termos poucos ou muitos
não se preocupe com a disponibilidade de espaço,
o compactoimóvel só estará completo para aquele que não
gostar do aroma da torta de morango no forno, das rosas na
janela ou mesmo para quem se sinta grande demais
a ponto de não caber em seus cômodos.

Todos os demais,
sejam bem vindos.

sábado, 31 de agosto de 2013

Presente sem laço de fita, pés fincados ao chão.

  Tudo posso sentir, o que quiser posso ser porque quando algo deixo de fazer, tudo vai pelos ares. Em tudo ou nada  o maniqueísmo talvez ache morada, mas o que posso fazer se os extremos tem moldado minha vida? Tudo está junto e separado, heterogeneamente misturado e simplesmente controverso; não há o que esteja no lugar porque eu ainda não conseguir pôr: meias invadem a cozinha e há uma maçã em meu armário, na segunda gaveta próximo ao pijama... Há espaço na geladeira, mas teimo em não saber onde pôr tudo que acho, quando arrumo o imóvel e tudo encontra-se não se sabe onde, apelo pro discurso mais antigo que se conhece "não há espaço suficiente"... se você olhasse meu cabideiro veria quanto intansijente sou, isso se antes que algo possa pensar, as roupas não descerem em cascata sobre seus ombros... 
  Sinto que desaproveito uma oportunidade disfarçada de maldade que As mãos dO destino me concederam, pelo simples fato de olhar pelo ângulo errado, por me entregar ao mais fácil que parece ser, ao invés de procurar força no caminho mais certeiro. 
   Que Deus livre me de meus fantasmas criados pelo medo e negação da realidade, esta que todos os dias bate à minha porta, como quem diz "não fuja, jovem, estarei aqui quer você queira, quer não, conviva comigo, mantenha os olhos abertos, uma noite de sonhos e desejos não me fará desaparecer quando não mais dormindo você estiver";
   Que Deus me proteja de minhas inseguras palavras, fracas em discurso, e me dê forças, que elas eu saiba transformar em degraus e não em pesos;
   Que eu não me renda a mim, quando num dia triste queira fazer de meu rosto morada da cachoeira transbordante, quando em verdade deveria olhar no espelho e me perguntar:
"Quem eu queria ser quando tivesse vinte e um anos?"
E quando tal conseguir responder, serei capaz de tornar-me a mulher que do outro lado do espelho desejo ver refletir. 

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

De pó em, aaatchim..., pó.

   A cada espirro, um grito (mudo). Coriza e pronto, mais um dia de bagunça... a casa cai em pó e o meu nariz em greve, os banheiros choram por todos os lados implorando banho, o chão mais parece que levou na cara uma tempestade de areia, ou terra pra ser mais específica. Não há quem não esteja, ou tenha estado há pouco, imerso no mundo das greves: É olfato, paladar... só não há greve pro sono, esse é o que parece ser mais competente e com sede de trabalho (acho que eles empacotam sonífero com nomes de xarope - um dia eu testo essa teoria, ou não).
  Enquanto isso a bagunça se espalha, a casa se espalha e a ordem vai lá longe... ôh pequeno minúsculo imóvel que não és compacto, quanto dó sinto de tu que adoece junto à teus moradores sem, ao menos, ter direito a um analgésico... mas sinto ao dizer, nada de vassouras por esses dias e nem que pudesses, não adiantaria espernear...
  Olho pela janela: Ali, ali... "Eei, volte", tento gritar, mas sem sucesso, ela disse que só volta, o mais cedo no fim de semana, de malas prontas passará esses dias em qualquer lugar longe daqui.
Sala, quarto, banheiro... em todo lugar deixou um bilhete:
"Essa tal de gripe faz mal pra pele e não quero saber de olheiras.
Att.: Sr(a) Ordem"

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

(des) ritmadas palavras de perdão

não falta-me carinho a te oferecer...
não,
eu sei o quanto tu querias mais que eu fosse mais
a declarar, a demonstrar, mas
nem sempre assim vem, tão claras as palavras ou versos - talvez - que eu te diria ao ver o sol nascer, ou se pôr,
meu amor,
não faça-me só, não faça-se só, (faça)
somente o som da minha voz, com um beijo teu, calar-se,
faça minha mente não mais só imaginar-te,
querer-te um dia mais, a mais do que estes outros que estão por ter fim 
assim que estiveres próximo a mim...

a água que desce pelas torneiras e chuveiros tem sabor de saudade, tenho bebido e banhado-me demais, além da sede que um dia não lembro de ter sentido...