Sim, porque não será extenso; não haverá lugar para vazios.
As palavras aqui ocuparão parte do espaço: algumas gavetas,
geladeira, a cima das mesas, parte do armário do banheiro...
Mas não todo o imóvel.
A outra parte será destinada a quem desejar visitá-lo, tomar
por empréstimo alguns vocábulos moldá-los, ou mesmo senti-los.
Não será necessário bater a porta sempre que se desejar entrar,
se a causa for justa e as palavras respeitadas,os visitantes serão
sempre bem vindos.
Caso deseje deixar de lembrança alguns termos poucos ou muitos
não se preocupe com a disponibilidade de espaço,
o compactoimóvel só estará completo para aquele que não
gostar do aroma da torta de morango no forno, das rosas na
janela ou mesmo para quem se sinta grande demais
a ponto de não caber em seus cômodos.

Todos os demais,
sejam bem vindos.

sábado, 7 de setembro de 2013

Sábia Onisciência

 Não deixe-se abater, sei que são dias de pouco sol, mas As mãos que os moldam são mais sábias do que nós podemos supor, quem sabe não está se escondendo por entre as nuvens para aparecer resplandecente quando vier e teus olhos iluminar, teu coração flamejar e teu caminho fazer sorrir?
 Se não és capaz de entender, também não sou, o sacrifício da noite de lua cheia, de estrelas ímpares ao fim da noite, mas sem tal não haveria, não veria, o dia crepuscular, a vida acontecer quando acordados estivermos  (ou dormindo depois de tanto admirar a lua imponente no Céu - ou bem perto dele.).
 Não estás só, ôh pequena ninfa desse mundo pertencente, filha dO mais Sábio coração onisciente: do verdadeiro profeta mor.
 Quando teu coração aos pratos estiver, por algum acaso ou tristeza, farpa ou incerteza, lá estará, ai estará em teu quarto ou jardim, à ti observar e mesmo que tu não O vejas se fará presente em teu tempo de agora, sem embrulho, ou laço, fácil de perceber, bastando apenas saber que tudo que um dia tu quiseres serás capaz de conseguir.
Presença fará em teu tempo e te presenteará com relógios de pilhas sem fim só para que tu tenhas tempo de ser feliz. 

Entre prantos e desejo

Vejo o egoísmo tomando as rédias da situação e nao sei o que pensar;
Vejo-me julgando o dedo que aponta e discriminando o outro de nariz torto e me acho pior;
Entro em paradoxo e não sei como sair, minha paciência se esgota como a tinta do cartucho não recarregado da impressora, ao passo que faço de diamante o que nunca passou perto de ser grafite e perco-me em raiva.
Ôh Senhor de todos os corações, retirais do meu tal sentimento mesquinho e essas nuvens negras que o cercam, não deixai-me poluir com tal veneno que mata os que deliciam-se em seu pseudo sabor de néctar;
que seja passageiro enquanto dure e se vá.

Preciso apenas do amor mais puro que há, porque só Ele será capaz de meu coração tomar e nada mais pensarei.
Sinto-me somente necessitada do outro que meu ombro afaga e que de mim nada quer além do amor sentido e de graça oferecido pelo simples fato de tê-lo por merecimento dele, sorte minha.
~ 06/09/2013

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Número errado. Noite longa.

O que aconteceu com o sorriso escondido que por vezes se fez disfarçar? As flores no jardim parecem pálidas nesses dias de rotina injusta, esse sol que teima em dormir, cair em profundo sono enquanto se deseja fazer festa, enquanto se acorda disposta a amanhecer juntamente com ele, mas nada...
"Já passam das seis, por que a noite ainda não acabou?"
O que teria acontecido naquele dia de preguiça? Será que a ampulheta escorregou e no tempo se perdeu? Quanta areia ainda há por cair...
"Por que não amanhece?"
Teima em perguntar, sem entender aquela escuridão, sem entender o frio que a abatia, que adentrava pela fresta da janela pela qual mal se podia enxergar um passarinho cantando (qual passarinho?)...
"triiiim, triiiim"
"Alô?" - quem seria a uma hora daquela, quem poderia estar acordado num dia tão preguiçoso que mal se levanta...
"Alô? Eu gostaria de encomendar um abajur, o meu não funciona mais desde essa semana e estou me vendo louco para ler meus livros a noite, não posso ascender a lâmpada do quarto enquanto meu filho dorme"
"Desculpe, mas..."
"O  que? Vocês não estão trabalhando com entregas imediatas?"
"Não é isso..."
"Então, podem fazer? Então pronto! Deixo a encomenda confirmada. Um abajur com lâmpada fluorescente, tamanho médio, ligo depois para saber o orçamento, agora estou com pressa tenho que pôr meu filho na cama"

"A. Alô? Senhor.. Alô?"
"tum tum tum"
 A noite caíra de certo mais cedo que sempre, adormeceu à tarde e achava que já havia amanhecido, procurando a claridade lá fora, enquanto do outro lado alguém encomendava um abajur... Enquanto se sentia fria por dentro, escura como a lâmpada apagada do quarto sem livro, à noite.
O que podia tudo isso significar?
Provavelmente nada.
Olhava na agenda: "ArtEmluz xxx 36802734" enquanto seu número era "xxx 38602743"
Foi no jardim, ascendeu as lâmpadas coloridas que havia posto como uma rede, sentou-se e deixou-se banhar pela brisa de começo de noite... viu-se deslumbrada aproveitando toda aquela não mais escuridão confortável.
Adormeceu.
Na manhã seguinte, enquanto alguém ainda dormia no jardim, em meio ao trabalho rotineiro, a atendente, portando crachá e uniforme de cor preguiçosa, onde pode-se ler "ArtEmluz", atendia o telefone:

"Alô?... desculpe senhor, não há alguma encomenda de abajur médio, mas podemos providenciar."

04/09/2013 09:02 PM