Sim, porque não será extenso; não haverá lugar para vazios.
As palavras aqui ocuparão parte do espaço: algumas gavetas,
geladeira, a cima das mesas, parte do armário do banheiro...
Mas não todo o imóvel.
A outra parte será destinada a quem desejar visitá-lo, tomar
por empréstimo alguns vocábulos moldá-los, ou mesmo senti-los.
Não será necessário bater a porta sempre que se desejar entrar,
se a causa for justa e as palavras respeitadas,os visitantes serão
sempre bem vindos.
Caso deseje deixar de lembrança alguns termos poucos ou muitos
não se preocupe com a disponibilidade de espaço,
o compactoimóvel só estará completo para aquele que não
gostar do aroma da torta de morango no forno, das rosas na
janela ou mesmo para quem se sinta grande demais
a ponto de não caber em seus cômodos.

Todos os demais,
sejam bem vindos.

sábado, 19 de outubro de 2013

Sabe-dó-ria: Saber ao som do riso - ou não.

Sinto falta dos meus entre os seus onde estou.
Sinto falta de quem me quer bem mais além de quem eu pareço ser, veja bem, não sou.
Assim são meus dias, tecidos em meios estes, escritos por tortas linhas onde me pintaram estar,
mas sou mais do que as palavras determinadas por alguém - não sei quem - que diz que devo aceitar e daqui não me retirar.
Digo ser bobeira e fico assim, sem medo saber que o mesmo motivo que aqui me trouxe há de me levar
pra um outro lugar
(mais conhecido e novo)
o qual não sei porque temei em deixar.
Ou quem sabe eu saiba, na verdade sei, se fez de academia, me ensinaram Platão, teorema e funções;
nas coordenadas eu me vi de rosa dos ventos quebrada e latitudes trocadas hoje estou a sentir:
saudade do litoral, da brisa manhã maninha,
a cidade do (carnaval, ao qual eu não ia) e hoje poderia ir -não gostando assim- só para saber, só para sentir,
que ai estou,
que estou de volta,
que não me rendi.
08/09

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Faz madrugada desse dia longo... faz.

Há horas que nada preenche e o tempo brinca de não passar...
Há horas que tudo passa rápido e o relógio imóvel marca 3h da tarde:
Roupas são lavadas, a casa é arrumada - cada azulejo delicadamente esfregado, todo pó tirado - o café passado cheira na cozinha... O banheiro transparece o rosto de touca e as mãos de luvas, o jantar embebeda o imóvel depois da louça do almoço lavada e  o lanche feito e degustado, a roupa já seca é passada, o jantar apreciado... Tudo limpo novamente.
E o relógio.
Marca 3h da tarde.
Só porque tu não estás aqui, mas
                                                                quando tu chegas,
                                                                                                        abro a porta.
                                                                                                                                    Em um beijo,
                                                                                                                                                                 é madrugada.


Minha ansiedade anseia por ti, em ciumento conflito  mantenho-a por perto.