Sim, porque não será extenso; não haverá lugar para vazios.
As palavras aqui ocuparão parte do espaço: algumas gavetas,
geladeira, a cima das mesas, parte do armário do banheiro...
Mas não todo o imóvel.
A outra parte será destinada a quem desejar visitá-lo, tomar
por empréstimo alguns vocábulos moldá-los, ou mesmo senti-los.
Não será necessário bater a porta sempre que se desejar entrar,
se a causa for justa e as palavras respeitadas,os visitantes serão
sempre bem vindos.
Caso deseje deixar de lembrança alguns termos poucos ou muitos
não se preocupe com a disponibilidade de espaço,
o compactoimóvel só estará completo para aquele que não
gostar do aroma da torta de morango no forno, das rosas na
janela ou mesmo para quem se sinta grande demais
a ponto de não caber em seus cômodos.

Todos os demais,
sejam bem vindos.

domingo, 7 de dezembro de 2014

doce salgado mar de outro, algum, qualquer lugar

e às vezes eu queria voltar
de tanto querer ir
não sei quando eu quis sair
lá da beira daquele mar

sem mais alguém barrando o sol
sem mais alguém fazendo companhia
pra aquela praia triste e fria
como um peixe e seu anzol

já não sei onde quero estar
onde estando seria feliz
já não sei onde repousar
onde descansar
o mal que a mim mesmo fiz

ao perder de todas, uma chance
duas, três e não sei mais
devo ter deixado pra trás
o que me faria ir adiante

onde entre sonhos me perco e a distância encontro
eu diria
em outro versos que ainda são
em outros tempos que ainda não passam
no mesmo embalo dos ponteiros
nunca tão ligeiros
como o voo de um falcão

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Amigo,

se cansa-te, o dia
casa-te contigo
com o que há de mais verdadeiro, exausta-te
e no teu ser encontrará o amor
que mais puro há de haver em teu sangue, em tua mente.
Se cansa-te, a ti mesmo
doa-te um pouco pro outro, ainda não tão cansado e divide o peso
pra que amanhã, quando tu não tão cansado estiveres, o outro doe-se um pouco
(pra ti).
23/07/2014

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Verticalmente o outdoor não me convence mais.

O mundo está longe de mim, lá na outra esquina,
mãe não sei o que será de mim, sem estar onde todos estão.
Uma dose aqui, outra saideira é o que pedem ao balcão, mas
não caio nessa de bebedeira, não depois de acordar no porão,
depois de não lembrar onde coloquei os sapatos e as chaves,
o relógio e a minha reputação.
Essa vida segue o ritmo dos bem sucedidos, aceitados e os normais
são elogiados em cada esquina, saem na tv, nos jornais,
tão logo nos outdoors, ditam as normas da sociedade:
aprenda como viver, como tornar-se uma celebridade
logo será aceito, como eu fui, podás aqui chegar!
Ôh não desanime, pode ser tão bom, quanto eu, logo estar no meu lugar!
Não, não desistam, esse dia logo irá chegar!
Guarde essas palavras e siga ao pé da letra:
Eu posso ser o melhor, se seguir as normas de etiqueta,
desprezar o mais incomum que há em mim, o estranho e obsoleto,
em favor do mais importante: ser aceito, por mais que insatisfeito - comigo mesmo,
mas para todos os outros ser considerado perfeito.
Interessante tuas palavras, ôh ser do outdoor,
mas por acaso o que tens falado não seria pra te convencer, contigo só?
lá com teu travesseiro,
antes de dormir, baixinho não estaria gritando:
não és este que finge, teu consciente a ti implorando:
antes que seja tarde, abandone o personagem e volte pra teu mundo, tua arte,
o menino de outrora ainda vive em ti, completamente, não só em parte - do teu ser!
Uma vez, que seja, apenas, dê ouvidos, não fuja assim,
trate de te lembrar porque recusou-te a viver teu papel
restou-te apenas aceitar o do outro, que deixou-se empobrecer
ah... como deixam-se facilmente, pelo outros convencer
e não percebem mais que estão de si a perder - de vista.
Seria eu tolo ao querer ser famoso,
querer ser modelo de Botox sorriso,
um perdido no mundo, símbolo do rosto mais bonito,
infeliz com meu ser, ajudando os outros a serem tão quanto,
na esperança de assim encontrar
a esquina onde o mundo (parece) estar.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Perdi e ganhei

Já fui aquela que detinha o know-how
aquela que achava que você não era bom (o suficiente)
e que nada mais era tão natural
como o jeito que fazia tudo, simplesmente.

Tudo resumido em academia,
era o lugar aconchegante
fora de lá, não havia autonomia
para sorrir mais adiante.

Dizem que a sorte tem de suas vontades
e tudo não te permite ter
se, no amor, tem a vontade
nos negócios não há de ter.

Os outros eram só os outros... e só
não foi Leoni que ensinou-me, em hora aquela
mas a confiança de uma vida inteira
sem o sofrimento de uma perda maior.

Mas Deus quis tirar de mim a pretensão
quis-me mostrar que sou tão humana e falha quanto o outro
que sou o outro que estendia a mão, que julgava em silêncio
mesmo afirmando: "Jamais, não!".

Sou o reflexo do que não via
ao espelho enfrentar
minha feridas estão a mostra,
as que antes não pareciam estar

e há motivo pra tudo isso,
há porque frágil, agora, parecer
preciso corrigir defeitos
pra que o outro eu não venha mais a entristecer,

hoje tenho que encontrar a fortaleza que antes tinha
mas deixando de carregar o orgulho que pesava
no mesmo cesto que a primeira, eu mantinha.

Estou a ser reformulada como um código a ajustar,
pode parecer sem sentido e mesmo que não irá funcionar,
mas do que me adianta a perfeição querer
se cheio meu coração estará de pessoas a julgar/magoar/mal-dizer?

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Telescópio

Involuntário medo não é a decisão  mais primorosa
mas o tenho, não sou feita só de primor, veja bem...
a sensação de não caber em mim
faz-me sentir não pertencente a onde estou
rezo a Deus a pedir ajuda, a suplicar Sua presença
até no sono cair.
incondicional Amor O tenho, como afinal deveria ser?
diante de prova maior: o sofrimento, a morte, para que Seus filhos pudessem viver.
nos meus dias, sim acho-me acolhida quando me encontro perdida ao olhar pro espaço
ou ao menos meu arredor, se daqui a beleza, os olhos, cega, imagine de lá?
wow!
De algum astro a visão deve ser inimaginável,
talvez eu pertença a outro lugar
acima daquela estrela, à esquerda do satélite, acima das nuvens...
acima da minha mente,
além do que vejo,
além do que penso,
além
do que um dia, como carne humana,
fui (e serei) capaz de pintar.

sábado, 15 de março de 2014

Cria da infância:

A criança que desperta não sabe quanto pode brincar
não espera a permissão, não rejeita lápis e papel, tinta e massa de modelar.
"Tá tudo sujo, quebrado, que bagunça!"
Será de imediado o que receberá, diante da sinceridade, do domínio da arte de "criançar",
sem descansar, sem pestanejar;
continuará pela sala, quarto e quintal
cozinha e chão de lama
mãos de lama
castelos no quintal
poças de piscina
e o quarto: bagunça
paredes: telas
sofá e lençol: casinha
porque a criança sente como um ímpeto a vontade de se mudar
daquele lugar no qual nasceu
e incomoda quem a concebeu
quem se esqueceu
do dia que montou
castelo de areia com balde no quintal
de cobertor fez escorrega
de travesseiro espada.
Incomoda, a criança, porque traz o que ficou
das lembranças esquecidas atrás do dia cheio, da rotina, da dura vida de responsabilidade
do dia feliz pelo doce que chegou
pelo abraço que ganhou
do sossego, do aconchego
da cama que não é sua
entre os que são seus
a proteção máxima
de todo o escuro, pesadelos e sombras
de todos
os monstros
do armário.

15/03/2014
Às 2h.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Menina dos olhos mutantes

Menina do sorriso de fita de cetim
Menina dos olhos recessivos por hora
Menina não sabe bem o que sentir
Só conhece o desejo que vai e volta

Letras e as músicas fazem-na sorrir
Tom e a voz fazem-na chorar
Sabedoria sabe faze-la feliz
Menina sem pé de samba quer dançar

Não, não sei bem quem ela é
pois não decide ao menos o tom
dos cabelos a colorir

en-tão veja bem, ôh solidão
que deseja o seu coração
vá embora, que a saudade já passou

Menina que dança feliz pela rua
que cuida de quem não pode pedir
que brinca com a infância que nasceu depois
que sempre está pronta pra sorrir

Menina  não poupa o que dizer
por horas estás a brigar
com aquele que diz tortas palavras
com aquele que não quer lhe respeitar

A inocência se faz em face dela
acorda, dança e com ela dorme
sua pureza transpira em  pele
fazendo-se de suor, de sal,  perfume

Menina que voa com os pés no chão
está interessada no que não pode ver
vive em mundo só seu, num balão
vive  a rodopiar em imaginário carrossel

Menina que dança feliz pela rua
que cuida de quem não pode pedir
que brinca com a infância que nasceu depois
Menina que sabe ser  feliz

O que dizer que ela pensa agora
La no seu mundo particular
Intransitável para outro qualquer
Vestida pra festa está
Intenso sorriso de fita
Atando os lábio no lugar...

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Desejo de expressão

 o inverso na forma de verso deixa no verso do papel o pensamento ao contrário

sábado, 4 de janeiro de 2014

Linhas feito flash

Vejo as fotos e lembro que não as tenho (não as temos).
Não nos vejo esbanjando sorrisos quadrados, envidraçados, obrigados por câmera presente, demonstrando felicidade, às vezes ausente, a espectadores anônimos, desconhecidos e sedentos.
 Não vejo provas dos dias vividos feito marcas de luz no papel, ou digital efeito, da alegria do momento passado (não vejo mais o passado, agora).
 Em verdade vejo, as linhas trazem-me:
teu sorriso em traço, de espontânea alegria no instante não clicado por câmera ausente de fotógrafo inexistente depois de um cego beijo, depois de desperta manhã,
tua voz
nossa pele
teu perfume
 Sem fotos
                 do sono acordado
                 do banho tomado
                 do cabelo penteado         
 Cada passo registrado aqui, na tua mente, na minha mente, que tantas fotos que fossem não seriam tão preciosas.
 Traço essas linhas e nos faço tela, sem moldura, efeito ou flash;
                                                   escrevo
                                                   descrevo
                                                   trago pra mim,
te trago assim, o mais profundo que posso, até te exalar, até me embriagar da tua permanente presença em mim.

A luz não capturada do teu tímido sorriso não o prende ao papel, mas o liberta em memória minha.