Sim, porque não será extenso; não haverá lugar para vazios.
As palavras aqui ocuparão parte do espaço: algumas gavetas,
geladeira, a cima das mesas, parte do armário do banheiro...
Mas não todo o imóvel.
A outra parte será destinada a quem desejar visitá-lo, tomar
por empréstimo alguns vocábulos moldá-los, ou mesmo senti-los.
Não será necessário bater a porta sempre que se desejar entrar,
se a causa for justa e as palavras respeitadas,os visitantes serão
sempre bem vindos.
Caso deseje deixar de lembrança alguns termos poucos ou muitos
não se preocupe com a disponibilidade de espaço,
o compactoimóvel só estará completo para aquele que não
gostar do aroma da torta de morango no forno, das rosas na
janela ou mesmo para quem se sinta grande demais
a ponto de não caber em seus cômodos.

Todos os demais,
sejam bem vindos.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Desejo de expressão

 o inverso na forma de verso deixa no verso do papel o pensamento ao contrário

sábado, 4 de janeiro de 2014

Linhas feito flash

Vejo as fotos e lembro que não as tenho (não as temos).
Não nos vejo esbanjando sorrisos quadrados, envidraçados, obrigados por câmera presente, demonstrando felicidade, às vezes ausente, a espectadores anônimos, desconhecidos e sedentos.
 Não vejo provas dos dias vividos feito marcas de luz no papel, ou digital efeito, da alegria do momento passado (não vejo mais o passado, agora).
 Em verdade vejo, as linhas trazem-me:
teu sorriso em traço, de espontânea alegria no instante não clicado por câmera ausente de fotógrafo inexistente depois de um cego beijo, depois de desperta manhã,
tua voz
nossa pele
teu perfume
 Sem fotos
                 do sono acordado
                 do banho tomado
                 do cabelo penteado         
 Cada passo registrado aqui, na tua mente, na minha mente, que tantas fotos que fossem não seriam tão preciosas.
 Traço essas linhas e nos faço tela, sem moldura, efeito ou flash;
                                                   escrevo
                                                   descrevo
                                                   trago pra mim,
te trago assim, o mais profundo que posso, até te exalar, até me embriagar da tua permanente presença em mim.

A luz não capturada do teu tímido sorriso não o prende ao papel, mas o liberta em memória minha.