Sim, porque não será extenso; não haverá lugar para vazios.
As palavras aqui ocuparão parte do espaço: algumas gavetas,
geladeira, a cima das mesas, parte do armário do banheiro...
Mas não todo o imóvel.
A outra parte será destinada a quem desejar visitá-lo, tomar
por empréstimo alguns vocábulos moldá-los, ou mesmo senti-los.
Não será necessário bater a porta sempre que se desejar entrar,
se a causa for justa e as palavras respeitadas,os visitantes serão
sempre bem vindos.
Caso deseje deixar de lembrança alguns termos poucos ou muitos
não se preocupe com a disponibilidade de espaço,
o compactoimóvel só estará completo para aquele que não
gostar do aroma da torta de morango no forno, das rosas na
janela ou mesmo para quem se sinta grande demais
a ponto de não caber em seus cômodos.

Todos os demais,
sejam bem vindos.

sábado, 15 de março de 2014

Cria da infância:

A criança que desperta não sabe quanto pode brincar
não espera a permissão, não rejeita lápis e papel, tinta e massa de modelar.
"Tá tudo sujo, quebrado, que bagunça!"
Será de imediado o que receberá, diante da sinceridade, do domínio da arte de "criançar",
sem descansar, sem pestanejar;
continuará pela sala, quarto e quintal
cozinha e chão de lama
mãos de lama
castelos no quintal
poças de piscina
e o quarto: bagunça
paredes: telas
sofá e lençol: casinha
porque a criança sente como um ímpeto a vontade de se mudar
daquele lugar no qual nasceu
e incomoda quem a concebeu
quem se esqueceu
do dia que montou
castelo de areia com balde no quintal
de cobertor fez escorrega
de travesseiro espada.
Incomoda, a criança, porque traz o que ficou
das lembranças esquecidas atrás do dia cheio, da rotina, da dura vida de responsabilidade
do dia feliz pelo doce que chegou
pelo abraço que ganhou
do sossego, do aconchego
da cama que não é sua
entre os que são seus
a proteção máxima
de todo o escuro, pesadelos e sombras
de todos
os monstros
do armário.

15/03/2014
Às 2h.