Sim, porque não será extenso; não haverá lugar para vazios.
As palavras aqui ocuparão parte do espaço: algumas gavetas,
geladeira, a cima das mesas, parte do armário do banheiro...
Mas não todo o imóvel.
A outra parte será destinada a quem desejar visitá-lo, tomar
por empréstimo alguns vocábulos moldá-los, ou mesmo senti-los.
Não será necessário bater a porta sempre que se desejar entrar,
se a causa for justa e as palavras respeitadas,os visitantes serão
sempre bem vindos.
Caso deseje deixar de lembrança alguns termos poucos ou muitos
não se preocupe com a disponibilidade de espaço,
o compactoimóvel só estará completo para aquele que não
gostar do aroma da torta de morango no forno, das rosas na
janela ou mesmo para quem se sinta grande demais
a ponto de não caber em seus cômodos.

Todos os demais,
sejam bem vindos.

domingo, 7 de dezembro de 2014

doce salgado mar de outro, algum, qualquer lugar

e às vezes eu queria voltar
de tanto querer ir
não sei quando eu quis sair
lá da beira daquele mar

sem mais alguém barrando o sol
sem mais alguém fazendo companhia
pra aquela praia triste e fria
como um peixe e seu anzol

já não sei onde quero estar
onde estando seria feliz
já não sei onde repousar
onde descansar
o mal que a mim mesmo fiz

ao perder de todas, uma chance
duas, três e não sei mais
devo ter deixado pra trás
o que me faria ir adiante

onde entre sonhos me perco e a distância encontro
eu diria
em outro versos que ainda são
em outros tempos que ainda não passam
no mesmo embalo dos ponteiros
nunca tão ligeiros
como o voo de um falcão