Sim, porque não será extenso; não haverá lugar para vazios.
As palavras aqui ocuparão parte do espaço: algumas gavetas,
geladeira, a cima das mesas, parte do armário do banheiro...
Mas não todo o imóvel.
A outra parte será destinada a quem desejar visitá-lo, tomar
por empréstimo alguns vocábulos moldá-los, ou mesmo senti-los.
Não será necessário bater a porta sempre que se desejar entrar,
se a causa for justa e as palavras respeitadas,os visitantes serão
sempre bem vindos.
Caso deseje deixar de lembrança alguns termos poucos ou muitos
não se preocupe com a disponibilidade de espaço,
o compactoimóvel só estará completo para aquele que não
gostar do aroma da torta de morango no forno, das rosas na
janela ou mesmo para quem se sinta grande demais
a ponto de não caber em seus cômodos.

Todos os demais,
sejam bem vindos.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Divisão de papéis


(...) O incerto e o efêmero eu trato com outros sentidos, não menos importantes, não menos necessários, mas o coração precisa da entrega da alma, do amor como deve ser em sua totalidade.
Assim, quando pra casa volto, ele continua dormindo até que por obra do destino um dia possa acordar... quando puder ser pleno, quando puder se entregar, quando quiser ser tudo e metade.

"When i have little hands again, i'll be happy"

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Faltou Café quente, pra nunca mais



 
"Se tu te vais às 4h, desde às 3h começo a ser feliz"

Se por trás de cada palavra minha há uma frase é porque por trás de cada silêncio meu, houve uma lágrima. Se és culpado pelo meu silêncio? Não, mas és por não ter percebido meu sorriso dolorido, pelo tempo, machucado. És culpado pelas vezes que viu e se acomodou em berço esplêndido, embaixo da saia da tua progenitora, longe (de mim).
Eu que tanto te ofereci. Eu que tanto me doei, como dói...
Eu que tanto te quis, não quero mais.

"Não digo que foi ruim, mas também não foi tão bom assim, não imagine que te quero mal, apenas não te quero mais"

O que dói? O tempo.
O café esfriou e em cafeteira sem sorte, eu aqueci, mas você deve saber, café requentado não presta... Amarga antes do tempo, até o açúcar se recusa e repousa no fundo da xícara, não quer mais ser mistura, não serve mais.
Por trás do teu silencio, houve meu grito incubado.
Por trás de teu esquecimento de uma semana, minha lembrança chorava e se convencia do que não lembra mais.
Então vai. Vai e não olha pra trás, não traz mais o teu sorriso pra mim, porque quando eu o quis, pouco o vi.

"Quando eu quis você, você não me quis, quando eu fui feliz, você foi ruim, quando foi afim não soube se dá, eu estava lá, mas você não viu"

Lembrarei da vista da janela do teu quarto, em dia de réveillon, do exagero de luzes no prédio ao lado; do exagero de falta de atenção dos teus olhos voltados à caça de sabe-se Deus o que, junto a outros virtuais, enquanto eu me pousava real em tua cama, a um passo do desnudo.
Lembrarei do barulho desnecessário do teu ventilador, do buraco na tua parede, dos teus gritos insanos quando a internet caía, da mania de me roubar dos meus melhores sonos, porque era chato dormir.
Não lembrarei das outras, além das três vezes, que me visitaste, porque não existiram.

Mas lembro que foram quase três anos
e
muitas xícaras de café;
muitas torradas;
muitas fatias de torta de limão
(com tua mãe) 

Porque tu não gostas de café, torradas ou torta de limão.

Foram Austrália(s)
Cinemas
Hotdogs

Porque houve ótimos momentos.

Mas houve a raiva, o desgaste, a saudade. O café frio derramou e queimou minhas mãos, mas tu só viu quando sujaram teu sapato, mas tu o limpará e eu ficarei com a cicatriz.
Quanto tempo levou pra tu perceber? Quanto tempo levei calada... Que erro!

Mas foram muitos risotos. Muito amor.

Então guarda o que foi bom, mas lembra-te de não magoar mais ninguém.
Vai, como já se foi.
 Como a última vez que te vi.

De táxi.

Um beijo. 

"Boa viagem, meu bem".

domingo, 16 de agosto de 2015

Tempo de conflito

Até onde vale a pena
Até onde é em vão?
Quando ceder a vontade
Quando justifica o não?

Quais palavras usar
Se nem elas te convencem?
Se elas discordam
E entram em conflito
Em paradoxo estado

Apenas pensar no amanhã justifica
Apenas o amanhã responde
Mas se é hoje que se vive
E o amanhã pode não existir
Como basear a decisão
Em incerto tempo
Ainda não vivido
Se o presente conhecido
Quer  te seduzir?

Usando mansas palavras
Bem perto ao ouvido
"E se esse depois não vier
Enquanto eu estou aqui
Sacrificará o que já tens
Contrapondo o desejo com
"mas", "porém" ?"

E o que ainda te resta de sanidade
Depois de jogo de sedução
Usa tuas pernas contra a vontade
E te faz acatar a decisão

Até tua cama chegar
Em solitária condição
Te convencendo contra o desejo
Que foi o melhor a fazer
Sacrificando a vontade
Ainda em paixão a arder

Maldizendo o amanhã
Maldizendo a má sorte
Da tal da sanidade
Que te fez voltar
E então se recolher
Em necessária castidade
Para o auto julgamento não ter

De ter se entregado ao acaso
De ter que viver com o descaso
Da frieza de dizer
Na previsível, seguinte, manhã
"Foi bom, até mais ver"

23:27
16/08/2015

terça-feira, 28 de julho de 2015

Sobre memória, spoiler e futuro



E hoje meu dia se faz leve
Deixo pra ontem o que se foi
E pra amanhã o que não sei
Sobre o tempo, a dúvida se faz
E a cada incerteza do futuro
O desejo do dia diferente
Ainda não residente (na memória)


Dê ao homem o poder de saber o futuro e logo se animará por antes de todos conhecer tudo que irá ocorrer mesmo que não possa mudar.
Até que um dia perceberá que sua vida se tornou memória, como um livro já antes lido, uma história já antes contada, de conhecido, o futuro se tornará passado, ao passo que, em sua mente, já foi.
Aí saberá que jamais, novamente, poderá degustar o sabor do desconhecido, a expectativa do inusitado e então  soterrado pelo tédio desejará o que não conhece, algo novo que não mais acontece, mas em vão será sua prece.
O desejo antes valioso se tornará martírio;
Pra se livrar desse mal, demorada oração;
E frente ao medo de jamais se surpreender e de viver na mediocridade de saber que tudo que um dia viverá já está em sua memória,
gritará aos céus até sua voz cessar, em completo desespero, acordando todo o quarteirão:
"chega de spoiler, não aguento mais, livrai-me, ôh Pai, de tamanha maldição!"
29/07

sexta-feira, 17 de julho de 2015

E se?

E de tanto me dizer, nunca quis ouvir

Se tanto te julguei foi por não entender
Eu nunca confessaria, veja bem

"Você está certo" ah faça o favor!
O que seria mais fácil acontecer?
Cada fio meu de cabelo cair
E mesmo assim eu diria que não

Estava eu desencontrada de mim
Sendo assim como poderia concordar?
Tendo em vista escolhas descabidas
Inventando prisões desmerecidas
Versões erradas do meu ser
Enquanto vivia a falta, a ausência... Renunciando sem pestanejar, ao tempo

Como quem sucumbe a própria vontade
E desconsidera a própria importância
Raramente vive o que deseja
Tendo em vista que mal sabe
O que de fato precisa

?

"Do braço a torcer a pensar em concordar contigo..."

17/07
22:51 h

domingo, 5 de julho de 2015

por onde irei?

seria eu capaz de recomeçar?
sem mesmo poder ver
"o horizonte onde está"?

sairei eu da desordem,
da bagunça
da frustração
para onde encontrar-me-ei
em lugar distante
desconhecido
(des)consoante
onde o sentido, enfim, se fará
(presente)
?

saberia eu caminhar para lugar esse
sem medo de me perder
sem medo de não saber
por que caminho andar
bastando-me somente a certeza
de que independente de pra onde eu vá
o melhor da vida é (e será)
o que de fato encontrar
na ida, na volta...
enquanto eu puder caminhar
?

das cobranças fugir
da minha mente fugir
a realidade pintar
com o tom mais verdadeiro
que a aquarela possuir
sem a menor gota de desgosto
sem por um momento (des)aproveitar
sem por um momento fugir
sem medo algum de cair
nos braços do destino

por saber, por experiência ou dor
que seria ao deixar cair a certeza
ao vê-la se quebrar,
que a verdade, enfim
presente se fará
mostrando entre seus cacos
o que não pude antes ver
por nunca ter permitindo,
ao menos
vê-la se
arranhar.

22/05/2015

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Sobre pesos e prisões

o que cansa mais que a rotina senão a tristeza?
o que exausta mais que as obrigações senão o peso que se carrega sem obrigação?
a vida é leve meu bem... leve-a como uma dádiva sem incorrer no erro de trazer para si algemas que nunca foram tuas, não abaixe a cabeça, não se submeta, não se prenda, se martirize, não deixe que te enquadrem, ouça menos, faça mais.
Arrisque mais a arrepender-se mais e se arrependerá menos porque todo o risco é válido, porque tudo é menos complicado do que parece, é menos pesado do que parece... desmistifique, sonhe, cante, dance... dance mal, dance bem... só dance.
Vá até onde ninguém foi. Seja o que ninguém um dia foi...
o que você nunca foi.


10/06/15

domingo, 8 de fevereiro de 2015

continuação

(...)
ainda é difícil enxergar
olhar além do que se vê
quem um dia irá saber, o horizonte, onde está?
Onde reside o desejo, o futuro da memória não vivida
o mar amante, o cortejo
ao sol, ao fim, ao começo (da vida).
Como rearranjar as pedras que nos levarão
ao monte que tanto se sonha,
se tudo está fora de ordem, se tudo parece se encontrar no vão.
Como fazer do presente caminho pro futuro desejado,
onde está esse tempo, assim, não conjugado
que não se vê, mas se quer
que não se apalpa, mas se sonha
seremos nós eternos amantes
do desejo de outrora?