Sim, porque não será extenso; não haverá lugar para vazios.
As palavras aqui ocuparão parte do espaço: algumas gavetas,
geladeira, a cima das mesas, parte do armário do banheiro...
Mas não todo o imóvel.
A outra parte será destinada a quem desejar visitá-lo, tomar
por empréstimo alguns vocábulos moldá-los, ou mesmo senti-los.
Não será necessário bater a porta sempre que se desejar entrar,
se a causa for justa e as palavras respeitadas,os visitantes serão
sempre bem vindos.
Caso deseje deixar de lembrança alguns termos poucos ou muitos
não se preocupe com a disponibilidade de espaço,
o compactoimóvel só estará completo para aquele que não
gostar do aroma da torta de morango no forno, das rosas na
janela ou mesmo para quem se sinta grande demais
a ponto de não caber em seus cômodos.

Todos os demais,
sejam bem vindos.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

continuação

(...)
ainda é difícil enxergar
olhar além do que se vê
quem um dia irá saber, o horizonte, onde está?
Onde reside o desejo, o futuro da memória não vivida
o mar amante, o cortejo
ao sol, ao fim, ao começo (da vida).
Como rearranjar as pedras que nos levarão
ao monte que tanto se sonha,
se tudo está fora de ordem, se tudo parece se encontrar no vão.
Como fazer do presente caminho pro futuro desejado,
onde está esse tempo, assim, não conjugado
que não se vê, mas se quer
que não se apalpa, mas se sonha
seremos nós eternos amantes
do desejo de outrora?