Sim, porque não será extenso; não haverá lugar para vazios.
As palavras aqui ocuparão parte do espaço: algumas gavetas,
geladeira, a cima das mesas, parte do armário do banheiro...
Mas não todo o imóvel.
A outra parte será destinada a quem desejar visitá-lo, tomar
por empréstimo alguns vocábulos moldá-los, ou mesmo senti-los.
Não será necessário bater a porta sempre que se desejar entrar,
se a causa for justa e as palavras respeitadas,os visitantes serão
sempre bem vindos.
Caso deseje deixar de lembrança alguns termos poucos ou muitos
não se preocupe com a disponibilidade de espaço,
o compactoimóvel só estará completo para aquele que não
gostar do aroma da torta de morango no forno, das rosas na
janela ou mesmo para quem se sinta grande demais
a ponto de não caber em seus cômodos.

Todos os demais,
sejam bem vindos.

domingo, 16 de agosto de 2015

Tempo de conflito

Até onde vale a pena
Até onde é em vão?
Quando ceder a vontade
Quando justifica o não?

Quais palavras usar
Se nem elas te convencem?
Se elas discordam
E entram em conflito
Em paradoxo estado

Apenas pensar no amanhã justifica
Apenas o amanhã responde
Mas se é hoje que se vive
E o amanhã pode não existir
Como basear a decisão
Em incerto tempo
Ainda não vivido
Se o presente conhecido
Quer  te seduzir?

Usando mansas palavras
Bem perto ao ouvido
"E se esse depois não vier
Enquanto eu estou aqui
Sacrificará o que já tens
Contrapondo o desejo com
"mas", "porém" ?"

E o que ainda te resta de sanidade
Depois de jogo de sedução
Usa tuas pernas contra a vontade
E te faz acatar a decisão

Até tua cama chegar
Em solitária condição
Te convencendo contra o desejo
Que foi o melhor a fazer
Sacrificando a vontade
Ainda em paixão a arder

Maldizendo o amanhã
Maldizendo a má sorte
Da tal da sanidade
Que te fez voltar
E então se recolher
Em necessária castidade
Para o auto julgamento não ter

De ter se entregado ao acaso
De ter que viver com o descaso
Da frieza de dizer
Na previsível, seguinte, manhã
"Foi bom, até mais ver"

23:27
16/08/2015