Sim, porque não será extenso; não haverá lugar para vazios.
As palavras aqui ocuparão parte do espaço: algumas gavetas,
geladeira, a cima das mesas, parte do armário do banheiro...
Mas não todo o imóvel.
A outra parte será destinada a quem desejar visitá-lo, tomar
por empréstimo alguns vocábulos moldá-los, ou mesmo senti-los.
Não será necessário bater a porta sempre que se desejar entrar,
se a causa for justa e as palavras respeitadas,os visitantes serão
sempre bem vindos.
Caso deseje deixar de lembrança alguns termos poucos ou muitos
não se preocupe com a disponibilidade de espaço,
o compactoimóvel só estará completo para aquele que não
gostar do aroma da torta de morango no forno, das rosas na
janela ou mesmo para quem se sinta grande demais
a ponto de não caber em seus cômodos.

Todos os demais,
sejam bem vindos.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Faltou Café quente, pra nunca mais



 
"Se tu te vais às 4h, desde às 3h começo a ser feliz"

Se por trás de cada palavra minha há uma frase é porque por trás de cada silêncio meu, houve uma lágrima. Se és culpado pelo meu silêncio? Não, mas és por não ter percebido meu sorriso dolorido, pelo tempo, machucado. És culpado pelas vezes que viu e se acomodou em berço esplêndido, embaixo da saia da tua progenitora, longe (de mim).
Eu que tanto te ofereci. Eu que tanto me doei, como dói...
Eu que tanto te quis, não quero mais.

"Não digo que foi ruim, mas também não foi tão bom assim, não imagine que te quero mal, apenas não te quero mais"

O que dói? O tempo.
O café esfriou e em cafeteira sem sorte, eu aqueci, mas você deve saber, café requentado não presta... Amarga antes do tempo, até o açúcar se recusa e repousa no fundo da xícara, não quer mais ser mistura, não serve mais.
Por trás do teu silencio, houve meu grito incubado.
Por trás de teu esquecimento de uma semana, minha lembrança chorava e se convencia do que não lembra mais.
Então vai. Vai e não olha pra trás, não traz mais o teu sorriso pra mim, porque quando eu o quis, pouco o vi.

"Quando eu quis você, você não me quis, quando eu fui feliz, você foi ruim, quando foi afim não soube se dá, eu estava lá, mas você não viu"

Lembrarei da vista da janela do teu quarto, em dia de réveillon, do exagero de luzes no prédio ao lado; do exagero de falta de atenção dos teus olhos voltados à caça de sabe-se Deus o que, junto a outros virtuais, enquanto eu me pousava real em tua cama, a um passo do desnudo.
Lembrarei do barulho desnecessário do teu ventilador, do buraco na tua parede, dos teus gritos insanos quando a internet caía, da mania de me roubar dos meus melhores sonos, porque era chato dormir.
Não lembrarei das outras, além das três vezes, que me visitaste, porque não existiram.

Mas lembro que foram quase três anos
e
muitas xícaras de café;
muitas torradas;
muitas fatias de torta de limão
(com tua mãe) 

Porque tu não gostas de café, torradas ou torta de limão.

Foram Austrália(s)
Cinemas
Hotdogs

Porque houve ótimos momentos.

Mas houve a raiva, o desgaste, a saudade. O café frio derramou e queimou minhas mãos, mas tu só viu quando sujaram teu sapato, mas tu o limpará e eu ficarei com a cicatriz.
Quanto tempo levou pra tu perceber? Quanto tempo levei calada... Que erro!

Mas foram muitos risotos. Muito amor.

Então guarda o que foi bom, mas lembra-te de não magoar mais ninguém.
Vai, como já se foi.
 Como a última vez que te vi.

De táxi.

Um beijo. 

"Boa viagem, meu bem".