Sim, porque não será extenso; não haverá lugar para vazios.
As palavras aqui ocuparão parte do espaço: algumas gavetas,
geladeira, a cima das mesas, parte do armário do banheiro...
Mas não todo o imóvel.
A outra parte será destinada a quem desejar visitá-lo, tomar
por empréstimo alguns vocábulos moldá-los, ou mesmo senti-los.
Não será necessário bater a porta sempre que se desejar entrar,
se a causa for justa e as palavras respeitadas,os visitantes serão
sempre bem vindos.
Caso deseje deixar de lembrança alguns termos poucos ou muitos
não se preocupe com a disponibilidade de espaço,
o compactoimóvel só estará completo para aquele que não
gostar do aroma da torta de morango no forno, das rosas na
janela ou mesmo para quem se sinta grande demais
a ponto de não caber em seus cômodos.

Todos os demais,
sejam bem vindos.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Que teus olhos me vejam.

A viola desafinou, o piano perdeu as teclas e o maestro o compasso, quando tu não me avistou. Fiquei de longe te olhando, pensando em ir conversar qualquer coisa sobre motores, chassi  ou teu perfume, só pra conhecer tua voz, aparecer em tua foto, contigo prosear. Mas menina não tive coragem, então fiquei admirando, guardando cada cena, planejando contigo falar, até comentei com amigos meus, sabes como são os homens... Disseram: "vai lá ôh Romeu, não é dela que quer saber o nome?"
Porém quem disse que as pernas obedeciam o que a mente desejava, só se moviam os olhos ao te ver entre elas, querendo estar naquela foto, pra que em noite qualquer tu perguntasse "quem és aquele intruso? Meninas vocês conhecem? Nunca Vi mais mudo" só pra que em teu celular eu estivesse.
Entretanto não foi assim que prosseguiu e o tempo tomou outras rédias, foi disfarçado de outro perfil que continue a te observar e traçar e pensar e curtir.
Mas como toda vontade não demora até a ela a gente se entregar, então mostrei as caras, me despi do lençol e de toda carapuça, contigo fui falar, me mostrar, te segui, de ti esperar, resposta.
Ao ver que não silenciou e a mim não ignorou quase que não me dei e respondi com presteza, já estando longe dessa vez, mas não importava porque tu sempre falava cheia de gentileza.
E ali eu já sabia que não seria conversa única, essas coisas a gente sente, sabe (deseja e se convence).
Eu não satisfeito em apenas conversar, fui então tentar te encontar, contudo naquela tarde fui traído, quando corri pra te vê, pelo tempo e pela estrada que sem consideração me levaram a outros lugares, longe  do teu coração.
Bons amigos nos tormamos, podíamos até ser mais, mas por recente notícia tua, de um andarilho que apareceu, percebi que pelo visto não está nos planos desse tempo que presente se faz.
Não esmorecerei, posso até morar mais longe, ei de chegar a ti, de perto, sem emoticons, áudios ou letras, não importa quanto tenha que cair da areia da ampulheta.
00:37h
11/02/2016

~ ~ às vezes a gente se veste do outro, pra falar pra alguém sobre o que o outro se cala ~ ~

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Sobre um tempo Transiente

Os dias passam sem acabar
E algo fica por acontecer
Perco-me de mim só de perceber
Que não restou nada no lugar
Em toda bagunça não encontro
A vontade que fazia tudo acontecer
E ainda permaneço sem saber
Quando tudo isso vai acabar
(Ou voltar
Pro seu lugar)
Não sei mais sobre o futuro
Desconhecido passado
Sem sorte presente
E o tempo embaraçado
Se faz distante
Distoante
Ausente
Fazendo-me ter certeza
Que não mais me conheço
Ei seu moço, faça a gentileza
De mostrar um pouco mais de clareza
Nos seus ponteiros incoerentes
Deixe-me apenas algumas pistas
Para que eu possa juntar
Uma dica, um sussuro
De como tudo ajeitar
E por no lugar
Por favor, te peço
Já não aguento mais sentir
Um coração vazio por decreto
Uma mente sem ter para onde ir.