Sim, porque não será extenso; não haverá lugar para vazios.
As palavras aqui ocuparão parte do espaço: algumas gavetas,
geladeira, a cima das mesas, parte do armário do banheiro...
Mas não todo o imóvel.
A outra parte será destinada a quem desejar visitá-lo, tomar
por empréstimo alguns vocábulos moldá-los, ou mesmo senti-los.
Não será necessário bater a porta sempre que se desejar entrar,
se a causa for justa e as palavras respeitadas,os visitantes serão
sempre bem vindos.
Caso deseje deixar de lembrança alguns termos poucos ou muitos
não se preocupe com a disponibilidade de espaço,
o compactoimóvel só estará completo para aquele que não
gostar do aroma da torta de morango no forno, das rosas na
janela ou mesmo para quem se sinta grande demais
a ponto de não caber em seus cômodos.

Todos os demais,
sejam bem vindos.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Não te vá, não me deixa ir, de ti.

Como te colocar em fadado transporte
sem sorte esse, pra nunca mais te ter de volta?
Sem nunca mais te acessar, em memória?
"De volta", como (?) sei, se nunca te tive "de vir"...
Mas te tirar da mente e expulsar toda inspiração que me traz não parece o certo a fazer.
Esquecer é fora de questão.
De quisito.
Não cogitado.
Deixar pra trás,  pra aliviar espaço, pra quem (?) vier, mas...
Se pra trás chover? E em tempestade desafortunada assim tu te afogar? E sofrer? E morrer de mim, em tu, assim que aos poucos morreres em mim, tu...
Só de pensar não durmo.
Só de pensar não sonho.
Só de pens...
Desisto de pensar.
Desisto de te deixar partir.
Seja de barco,
navio
ou canoa.

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